29/04/2026
O presidente Luís Souto decidiu levar o Chega para o seu governo, partido que tem apresentado consistentemente um discurso de ataque aos mais frágeis para proteger os poderosos e para proteger o atual regime de desigualdade social, modelo de regime partilhado por ambas as forças políticas e agora formalizado numa coligação.
Não é assim surpreendente. Ambos são partidos do sistema da desigualdade e da vida difícil para quem depende do trabalho, sendo o Chega nacional liderado por um ex-PSD e o Chega local liderado por um ex-CDS-PP.
É, no entanto, uma decisão contrária à campanha desses dois partidos durante as autárquicas de 2025. E é grave por levar para a governação um partido que ambiciona a fascização da sociedade, no sentido de querer implementar um ataque às mulheres e minorias para garantir a presente ordem social de exploração do trabalho, baixos salários, habitação cara, desmantelamento dos serviços públicos e desigualdade social enorme e crescente.
Para o Bloco de Esquerda, a decisão do PSD de acolher o Chega na governação é uma decisão grave que desprotege as pessoas em condição de maior vulnerabilidade em Aveiro e no país. O racismo, a misoginia e a homofobia não podem ter assento na governação.
Acresce que até ao momento apenas foi anunciado que o vereador do Chega teria lugar e salário de vereador com pelouro em troca do seu voto em coligação com o PSD. Não há qualquer ideia ou política apresentada que sustente ou justifique a decisão. É assim claro que o presidente Luís Souto tem uma única preocupação: o poder absoluto e não os aveirenses. E Diogo Soares Machado quer partilhar o espólio da governação local. O oportunismo de ambas as partes não poderia ser mais evidente.
O Bloco de Esquerda reafirma a necessidade de mudar radicalmente o atual sistema e não de o aprofundar com políticas de desigualdade económica e de ódio social. A vida pode ser melhor: sem exploração, com habitação digna e acessível para todos e serviços públicos universais.