15/08/2025
13 de agosto de 2025. Uma data que ficará gravada na nossa memória como um dia triste. Acordámos cedo, sobressaltados, com a notícia que temíamos ouvir: o fogo tinha chegado à nossa querida serra. Em menos de doze horas, o manto verde que abraçava a nossa aldeia foi devorado pelas chamas, transformando-se num horizonte de cinzas e numa nuvem de fumo.
O cansaço e a tristeza de ver, mais uma vez, a nossa terra devastada são profundos. Mas, mesmo no meio da dor, é impossível não sentir orgulho e gratidão pelo espírito de união que emergiu com uma força indescritível. O que nos define enquanto comunidade brilhou no momento mais sombrio: vizinhos transformaram-se em irmãos de luta, cada gesto, por mais pequeno, fez a diferença. Houve quem saltasse para a cozinha para garantir comida para todos; os mais novos cuidaram dos mais velhos; mãos solidárias distribuíram água; e ombros valentes, lado a lado com os bombeiros, lutaram contra as chamas sempre que era possível. Todos, absolutamente todos, foram fundamentais.
A nossa gratidão estende-se também aos verdadeiros heróis da linha da frente — os Bombeiros de Alvaiázere, Coja, Pombal e Vieira de Leiria — e à GNR, que não hesitaram em colocar-se entre nós e o perigo. A todos vós, o nosso mais sentido obrigada. Sem a vossa coragem e entrega, as perdas seriam incomparavelmente maiores. Esperamos voltar a receber-vos na nossa aldeia, mas num ambiente bem mais diferente. Aqui, terão sempre os nossos braços abertos.
Foram momentos duros, de medo e incerteza, e a nossa preocupação mantém-se com os amigos das aldeias vizinhas que ainda enfrentam este inferno. Mas, apesar do coração pesado e do espírito vigilante, faremos agora aquilo que melhor nos define: erguer-nos, unidos, e reconstruir.