14/05/2026
Romaria de Nossa Senhora do Castelo: Fé e Identidade Arcuense.
Erguido sobre o promontório a Oeste da vila, no local onde outrora se impunha um castelo medieval, o Santuário de Nossa Senhora do Castelo acolhe um dos cultos mais antigos e simbólicos do concelho de Arcos de Valdevez. Esta romaria, profundamente enraizada na identidade local, mobiliza anualmente centenas de fiéis e visitantes, transformando as ruas num cenário de cor e devoção, onde se destacam os emblemáticos tapetes floridos que ornamentam as principais artérias da vila.
História e Tradição: O Ciclo da Ascensão
Ao longo dos séculos, as festividades oscilaram entre os meses de maio e julho. Atualmente, a celebração fixa-se no Domingo da Ascensão (quarenta dias após a Páscoa).
O ponto alto das festas é o regresso solene da imagem à sua ermida no Monte do Castelo. Este ritual cumpre um ciclo de proximidade com o povo:
1. A Descida: Dias antes, a imagem desce do monte para a Igreja de Vila Fonche.
2. A Estadia: Segue depois para a Igreja Matriz, permitindo a veneração direta da população.
3. O Regresso: No Domingo da Ascensão, a imagem sobe novamente ao monte, onde permanecerá a velar pela vila durante o resto do ano.
O Monte do Castelo: Um Espaço de Proteção Espiritual
A devoção a Santa Maria do Castelo está intimamente ligada à própria geografia da região. O monte não é apenas um marco paisagístico; é visto como um baluarte de proteção espiritual. Desde tempos remotos, a comunidade deposita neste lugar a sua confiança, associando-o ao sentimento de pertença e à preservação da memória coletiva minhota.
Nossa Senhora, a Protetora da Vila
Segundo a tradição, a Senhora do Castelo vigia a região do alto do seu trono natural. A crença popular atribui-lhe a proteção das famílias, dos campos agrícolas e dos rebanhos.
• Votos e Promessas: Em épocas de tempestades, doenças ou secas severas, era costume o povo subir ao monte para cumprir promessas e pedir intercessão por colheitas fartas e saúde para o gado.
O Esplendor da Procissão e a Fé nas Ruas
A procissão de regresso é o momento de maior carga emocional. A subida da imagem simboliza o restabelecimento da ordem e da proteção divina sobre o concelho. O percurso é um testemunho vivo de fé, marcado por:
• Cânticos e Oração: Que ecoam pelas encostas.
• Ornamentação Floral: As ruas engalanadas e os tapetes de flores naturais, que conferem uma dimensão estética única ao património religioso arcuense.
A Herança dos Caçadores: Guardiões da Ermida
Uma das particularidades mais interessantes deste culto é a ligação histórica aos caçadores da região. A tradição oral conta que estes homens, habituados à rudeza da serra e do mundo rural, foram os grandes impulsionadores da conservação da capela.
• Padroeira da Montanha: Antes de iniciarem as jornadas pelas matas, os caçadores pediam proteção à Senhora contra os perigos da serra.
• Preservação do Templo: Crê-se que grupos de caçadores terão sido responsáveis por importantes obras de reconstrução do santuário, unindo o espírito da caça à gratidão espiritual.
Esta ligação reforça o caráter único do Monte do Castelo: um lugar onde o sagrado se cruza com a natureza e as vivências ancestrais do povo Arcuense.