24/06/2026
O passado domingo trouxe consigo o dia mais longo e a noite mais breve, como se o tempo, por um instante, hesitasse.
Chamamos-lhe solstício. Do latim, “sol que não se mexe”. Mas o que verdadeiramente se detém não é o Sol, somos nós, suspensos na luz, entre o ouro dos campos e o silêncio das serras, a tentar perceber o que passa e o que f**a.
Todos os anos acontece. E todos os anos é diferente.
Na freguesia de Alvoco da Serra, entre o peso antigo das montanhas e a memória das aldeias, o verão começou assim, não apenas com o calor, mas com pessoas. Com vozes. Com mãos que organizam, preparam, constroem sem ruído, como quem sabe que o essencial não precisa de se anunciar.
As associações das nossas aldeias estiveram lá. Estiveram sempre lá. Como uma espécie de respiração contínua desta terra, discreta, persistente, indispensável.
Talvez os romanos, quando chamavam "vere" ao bom tempo, não falassem apenas do tempo. Talvez falassem deste encontro, desta proximidade, desta forma de pertencermos uns aos outros sem precisarmos de explicar demasiado.
A Junta de Freguesia de Alvoco da Serra agradece, mas a palavra agradecimento é curta, f**a aquém. Porque o que aconteceu não cabe bem em palavras. Foi mais como uma luz demorada ao fim da tarde, que não se apressa a desaparecer.
E nós, ali, dentro dela.
LAVEB, SDROV, Recreativa Sras, Lafas Alvoco da Serra, Associação Cultural Recreativa e Social do Aguincho , Centro Cultural e Recreativo de Vasco Esteves de Cima