29/05/2026
Rejeição da Moção pela Transparência e Ética na Caparica e Trafaria
No passado dia 21 de abril de 2026, a Assembleia da União das Freguesias de Caparica e Trafaria reprovou a moção apresentada pelo grupo parlamentar do PPD/PSD. A iniciativa propunha a Implementação de um Código de Conduta e Ética específico e a Criação do Portal da Transparência. O documento contou com os votos favoráveis do PSD e do Chega, mas foi inviabilizado pelos votos contra do PS, do Bloco de Esquerda e da CDU.
Os Argumentos em Debate:
* A Bancada do PS: Justificou o voto contra alegando a suficiência dos normativos gerais existentes. Todavia, o Código de Conduta do Serviço Público reveste-se de um caráter genérico, não regulando os procedimentos específicos de abstenção e declaração de conflitos de interesses em sede de atribuição de subsídios locais a entidades cujos dirigentes sejam familiares diretos de eleitos. O artigo 16.º, n.º 1, alínea h) do Regime Jurídico das Autarquias Locais (Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro) confere competência material para propor regulamentos internos, legitimando a criação de normas éticas locais.
* A Bancada da CDU: Minimizou a relevância do documento, afirmando que o bom funcionamento das instituições não decorre da existência de um código de conduta. Esta posição contraria a doutrina de transparência administrativa ativa, que qualifica os referenciais éticos codificados como ferramentas essenciais para mitigar riscos de gestão e combater os índices de abstenção através do reforço da confiança pública.
O Enquadramento Legal:
A proposta do PSD visava densificar o princípio da transparência consagrado no artigo 7.º da Lei das Finanças Locais (Lei n.º 73/2013, de 3 de setembro). O Portal da Transparência pretendia garantir o acesso público e trimestral aos dados da execução orçamental detalhada, contratos celebrados e apoios nominalmente concedidos, superando os requisitos mínimos de publicidade legal previstos no artigo 79.º da referida lei.
A rejeição do documento obsta à simplificação do escrutínio público sobre a distribuição dos recursos financeiros da autarquia.