27/05/2026
O Oeste continua à espera.
Anunciaram. Prometeram. Tiraram fotografias. Fizeram cerimónias. Falaram em milhões.
Mas a verdade é esta: o Hospital do Oeste continua sem sair do papel.
Há anos que as populações dos concelhos do Oeste, entre o distrito de Lisboa e Leiria, vivem com serviços hospitalares sobrecarregados, profissionais exaustos e unidades sem capacidade para responder às necessidades de uma região que cresce todos os anos.
Em 2023 anunciaram o Bombarral como localização escolhida. Em 2024 colocaram verbas no Orçamento do Estado. Em 2025 voltaram a incluir o projeto no programa do Governo. E em 2026 continuamos a ouvir falar em “avaliações”, “reanálises” e “decisões futuras”.
O problema em Portugal já não é a falta de estudos.
É a falta de coragem política.
Nem o próprio mapa de abrangência do Hospital do Oeste é hoje claro.
Concelhos como Alenquer chegaram a ser incluídos na visão regional do projeto, participaram no debate, apoiaram soluções… e acabaram afastados da área oficial de influência.
Décadas depois, continuamos entre estudos, alterações e indefinições.
E a realidade no terreno agrava-se.
Alenquer é hoje um dos exemplos mais claros do esquecimento progressivo na área da saúde.
O concelho perdeu recentemente o acesso às consultas de obstetrícia no Hospital de Vila Franca de Xira, obrigando as nossas grávidas a percorrerem mais de 50 km para acompanhamento médico.
Num território que já vive com limitações de resposta, isto não é um detalhe, é um retrocesso sério na proximidade dos cuidados de saúde materna.
Ao mesmo tempo, Alenquer foi afastado da lógica inicial do Hospital do Oeste e continua a ser empurrado para fora das soluções estruturais da região. Entre decisões administrativas e reorganizações sucessivas, o resultado é sempre o mesmo: menos resposta pública e mais distância dos cuidados essenciais.
Enquanto Lisboa decide, o Oeste espera.
Enquanto os governos mudam, os problemas mantêm-se.
E enquanto se empurram decisões para a frente, as populações sentem na prática o custo da inércia política.
Não é apenas o Hospital do Oeste que não avança.
É um território inteiro que vai sendo progressivamente esquecido.
E quando o Estado falha, alguém ocupa esse espaço.
O resultado é claro: os portugueses pagam impostos para um Serviço Nacional de Saúde que não responde, e acabam forçados a procurar alternativas privadas ou a percorrer dezenas de quilómetros para cuidados básicos.
Não podemos aceitar que o acesso à saúde dependa do código postal.
O Oeste não precisa de mais promessas eleitorais.
Precisa de obra feita.
Precisa de compromisso.
Precisa de respeito pelas pessoas que aqui vivem, trabalham e descontam uma vida inteira.
Chegou o momento de exigir calendário, transparência e execução.
O Oeste merece mais.
E os portugueses também.
Carlos Sequeira
Vereador do CHEGA Alenquer