13/10/2025
AUTÁRQUICAS 2025 - RESULTADOS ELEITORAIS
Em ALENQUER a conversa fiada não passou e o PS venceu as eleições.
Não era fácil, atendendo à transição de protagonistas sobretudo na Câmara Municipal e ao contexto político marcado pelas mais recentes eleições legislativas nas quais o PS saiu muito fragilizado, segurar a liderança da governação do concelho com a mesma base de apoio que as anteriores eleições autárquicas foram garantindo aos socialistas alenquerenses.
O quadro desenhado pelos opositores apresentava uma derrota sem apelo nem agravo do Partido Socialista e anunciava-se uma jornada histórica com discurso épico e retórica triunfante “no próximo domingo Alenquer fará História!”.
Os alenquerenses, na sua globalidade, foram classif**ados durante a campanha eleitoral de tudo e mais alguma coisa e o facto de terem optado por expressar a sua confiança no PS ao longo de 50 anos foi catalogado de seguidismo ou de incapacidade de ...verem aquilo que estava à vista de todos, Alenquer estaria num caos, num atraso estrutural e só não via quem não quisesse ver. O PS era, para os autores desse discurso arrogante e quase insultuoso, uma casta.
Agora, que a sorte não lhes sorriu, e que as contam saíram furadas, ou seja, a maioria dos alenquerenses percebeu o engodo dos viajantes iluminados, aparecem como forcados, de peito erguido a exigir que sejam cumpridas as ditas promessas e que as medidas adiantadas pelo PS sejam concretizadas.
Deveriam em primeiro lugar olhar para o que lhes aconteceu e compreender porque é que as “favas contadas” afinal não tiveram o desfecho desejado.
O PSD e os seus pequenos satélites contavam com a ajuda da candidatura de Tiago Pedro para lhes oferecer de bandeja a Câmara Municipal através da divisão dos votos do PS por via desta iniciativa pouco madura do ex-vereador socialista. Mas a votação para a Assembleia Municipal revela que os eleitores que votaram na candidatura apresentada como independente tinham opções políticas bem diferentes em relação ao PS já que dos 14,50% para a CM, 4,89% foram para o PSD, 3,25% para o Chega, 2,88% para o P*P e apenas 2,53% para o PS. Assim os votantes em Tiago Pedro foram eleitores com opções maioritariamente de direita.
A operação TODOS falhou, essa é a conclusão que se pode tirar dos seus promotores e as afirmações produzidas tais como “A eleição de Francisco Guerra e Filipe Rogeiro, como vereadores da coligação TODOS, será o garante de que o PS de João Nicolau não tem por onde se furtar a tudo aquilo que disse que ia cumprir, para retirar o concelho de Alenquer desta inércia e atraso que nos envergonham” só revela o sentido quase messiânica que pretendem associar a esta derrota. Perdem, mas querem aparentar que venceram dado o papel que pretendem desempenhar no futuro.
Não perceberam que foi porque foram cumpridas, no essencial, as propostas e as medidas que foram apresentadas em 2021 que o PS ganhou as eleições de ontem. A menos que considerem que as opções dos eleitores de Alenquer estão sempre erradas. Não, não são precisos vigilantes, guarda-freios ou guardas-florestais em cima de torres de madeira para vigiarem a ação do PS. O Partido Socialista costuma realizar essas operações de avaliação participada com as populações locais. O que estará em causa será apenas e só o funcionamento democrático dos órgãos de poder local, cada um com o seu papel.
João Nicolau e o PS acabam de receber um voto de confiança da maioria dos alenquerenses, está na altura de passarmos a coisas sérias e tratarmos dos interesses, necessidades e prioridades da população local.
Carlos Ribeiro - 13 out. 2025