A Biblioteca Municipal de Alcanena resulta da adaptação de um antigo celeiro/palheiro da Casa Agrícola, integrado num conjunto de barracões pertencentes ao Sr. Joaquim Carlos Reis e Silva, do ano de 1903, de acordo com a inscrição que ainda hoje se pode ler na fachada do actual edifício. A construção contava ainda com um poço e uma eira, onde se malhava o trigo e outros cereais. Do poço e demais p
equenas edificações em volta, resta a recordação. Assim, apenas foi recuperado o corpo principal da estrutura existente. Deste modo, a recuperação consistiu em ligar os dois corpos do celeiro com uma galeria superior, onde outrora existira um pátio interior. Quanto aos materiais utilizados, a preferência foi para o ferro, harmonizado com madeira de faia e vidro. Desta escolha, resultou, não só uma obra plena de luz, que entra sem cerimónia pelas amplas janelas, mas também um interessante contraste entre a transparência e o peso real das portas, que, afinal desvendam espaços. Relativamente às opções arquitectónicas dos interiores, salienta-se um pequeno mas agradável espaço completado com um balcão, da extremidade do qual se desenrola um ampla escadaria em madeira, estabelecendo a ligação entre o piso térreo e o superior. No que diz respeito à posse do imóvel, após a morte do proprietário, supra mencionado, passou por herança, para as suas filhas Maria Cândida e Maria de Lourdes. Esta viria a ligar-se à história da biblioteca, mais uma vez, devido ao matrimónio com o Senhor Doutor Carlos Nunes Ferreira. Deste casal nasceram onze filhos, que, por sua vez herdaram o que é hoje a Biblioteca Municipal de Alcanena. Posteriormente, no ano civil de 1981, a Câmara Municipal tornou-se proprietária da referida construção. O Cônjuge de Maria de Lourdes vem a propósito dado que o seu nome foi adoptado, em jeito de homenagem, pela Biblioteca Municipal. Vejamos porquê:
O médico Carlos Nunes Ferreira, de formação coimbrã, veio a Alcanena para ocupar uma vaga para médico municipal, enquanto aguardava a nomeação para assistente da Universidade de Lisboa. No entanto ligou-se definitivamente à Vila, para onde o acaso o enviou, por laços de casamento e empenhamento nas causas sociais do Concelho. Assim, no exercício da Medicina, introduz técnicas inovadoras e revela grande habilidade em partos; o que faz nascer uma ligação emocional com as gentes do Concelho. Curiosa é a semelhança entre este médico e o personagem criado por Júlio Diniz, o sempre prestável João Semana, quase unindo realidade e ficção. Mas não é só como médico que Nunes Ferreira é recordado como benemérito:
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Curtumes e a Fundação do Entreposto foram por si incentivados e apoiados. Criou ainda a assistência aos Tuberculosos e o Dispensário Materno-Infantil. A sua acção foi igualmente determinante não só na construção do Bairro Operário na Chã, mas também, na criação do Miradouro e, anos mais tarde, na instalação do Ensino Secundário em Alcanena.