26/04/2026
Publicamos a intervenção do representante do Movimento ALTERNATIVAcom, Pedro Grave, na Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal de Abrantes, do 25 de abril.
"Boa tarde a todos quantos nos ouvem, no dia do aniversário da conquista da Liberdade e do inicio do caminho da nossa Democracia.
52 anos se passaram, mas ainda que mal passámos a barreira de mais tempo em Democracia do que em ditadura, e a qualidade da Democracia estremece, sofre ataques continuados, a ponto que há cada vez mais quem diga que antes era melhor. Alguns ainda nem eram nascidos, muitos nem os seus pais eram… é preciso lembrá-los que os seus avós foram presos ou mal-tratados, apenas porque havia quem podia fazer isso com o patrocínio do estado. Aí alguns ficam a pensar, algo parece não bater certo, outros encolhem os ombros e continuam a veicular o que absorvem do superficial digital.
Realmente, se houver Democracia e Liberdade, mas sem comida, sem casa, sem saúde, sem educação, sem justiça...pois que sentido terá? Podemos dizer quase tudo, fazer quase tudo, mas as necessidades básicas não estão garantidas? É mais que certo que a Democracia e a Liberdade vão começar a perder peso quando no outro prato da balança estiverem as necessidades mais básicas.
Quando Allende foi eleito democraticamente no Chile, os poderes e os poderosos que perderam iniciaram uma política de estrangulamento económico, com a ajuda dos Estados Unidos, esses eternos paladinos da Democracia e da Liberdade, de modo a criar uma crise artificial que fizesse as pessoas revoltarem-se ou em ultima instância, que desse uma desculpa para depor o governo legitimo pela força, o que veio a acontecer.
Há mais exemplos destes na história, mais do que deveria ser possível, mas é um facto que há meios de controlar ou influenciar as massas, basta haver vontade, dinheiro e poder. E o problema não está nos meios, está nas massas. É que as pessoas e os seus comportamentos são bastante previsíveis, objecto de tantos estudos, exaustivos e universalmente acessíveis.
E a História, que serve para entendermos como devemos evitar males conhecidos, infelizmente também serve para mostrar como as pessoas podem ser influenciadas. Portanto, entre os que querem influenciar e os que querem ser livres para escolher, dependendo de quem tem mais conhecimento, assim será mais fácil influenciar ou escolher.
A liberdade, a verdade, podem ser ilusórias. Quem tiver o poder de controlar as opções, influencia as escolhas ainda antes de as fazermos, precisamos de conhecimento crítico para perceber as armadilhas. E informação não é sinónimo de conhecimento, vejamos, é como entregar um bisturi a uma pessoa qualquer, sem que a pessoa tenha conhecimentos para operar, tem na mão a ferramenta certa, sabe que serve para cortar um paciente, mas não sabe como nem onde, até pode ter visto uns vídeos, mas isso não o transforma num cirurgião. E do outro lado, alguém a observar, pode ficar convencido que aquela pessoa pode operar, apenas por ter os signos certos, por exemplo, se vestir uma bata de médico e colocar uma máscara cirúrgica, ganha logo ascendente positivo, credibilidade e confiança, o que não teria se aparecesse de fato de treino com um bisturi na mão, onde podia ser confundido com um malfeitor. Há informação, mas falta o conhecimento para perceber o embuste. Este é um exemplo extremo, mas serve para mostrar o mecanismo.
Portanto, o conhecimento e a informação não são a mesma coisa. A informação é algo rápido e superficial, volátil, facilmente manipulável e acessível, enquanto o conhecimento é profundo, estrutural, alicerçado em factos, experiência e não em opiniões. A informação chega impelida, empurrada, basta ligar um dispositivo de comunicação qualquer. O conhecimento dá algum trabalho, é preciso tempo, pesquisa, vontade. E depois outra característica do comportamento humano, aproveitada pelos algoritmos programados por outros humanos, mas refinados pela desumanidade das máquinas, faz com que as pessoas aceitem e divulguem mais a informação que valida as suas opiniões, em vez de avaliar o contraditório e procurar os factos, a verdade.
Assim, de modo a tentar garantir a manutenção da Liberdade, da Democracia, temos de ser mais exigentes com a qualidade das decisões sobre as nossas vidas, de procurar saber mais, não se fiquem só por ouvir discursos, incluindo o meu, perguntem sempre o que querem saber, prefiram a ciência e os factos em vez do obscuro. Se não estiverem satisfeitos com quem decide, nem com as opções que se oferecem, avancem para mudar, para melhorar o que está mal, mas façam-no pelas razões certas, pela comunidade, pelo bem comum, pelo futuro dos vossos filhos e netos, nunca pelo medo da mudança, pela aquisição de privilégios ou do poder pelo poder. Disso basta, o caminho que nos trouxe aqui está, infelizmente, cheio de maus exemplos que ajudaram a minar a Democracia.
Tenho esperança que consigamos melhorar o estado da Democracia e da Liberdade, mas, se algum dia o estado em que a que isto chegar for tão mau que seja preciso outra revolução, fazemos!! Não podemos é esperar tanto tempo, nem que outros façam por nós. Liberdade também é ter nas mãos o próprio destino e comandar as nossa palavras e acções para chegarmos onde e como queremos estar.
Viva a Liberdade, Viva a Democracia, Viva Abril!"
Pelo Movimento ALTERNATIVAcom
Pedro Grave