06/01/2019
Polícia Civil autua seguranças de fazenda por homicídio consumado e tentativas após confronto agrário em Colniza
A Polícia Judiciária Civil de Colniza realizou a autuação em flagrante de quatro seguranças de uma propriedade rural em que uma pessoa morreu e nove f**aram feridas após confronto agrário, na manhã de sábado (05).
Detidos pela Polícia Militar, os funcionários foram interrogados durante a madrugada de domingo (06) e afirmaram que reagiram a invasão da propriedade realizada por posseiros supostamente armados.
Em depoimento, alguns dos feridos declaram que nenhum dos posseiros portava arma de fogo. Além disso, de acordo com o delegado à frente da investigação, Alexandre da Silva Nazareth “os elementos de informação produzidos pela perícia, até o momento, nos levam a acreditar que não houve confronto armado, pois só foram encontradas cápsulas de armas de mesmo calibre dos seguranças da propriedade”.
Foram apreendidas quatro armas de fogo, sendo uma espingarda calibre 12, duas pistolas 380, e um revólver, calibre 38.
Os suspeitos foram autuados em flagrante por um homicídio consumado e nove tentativas de homicídio.
A vítima fatal do confronto foi identif**ada como Elizeu Queres de Jesus, 38, e veio a óbito ainda no local, após ser atingida por diversos disparos de arma de fogo.
O auto de prisão dos suspeitos foi comunicado ao Judiciário na manhã deste domingo (06). Os presos foram conduzidos à Cadeia Pública de Colniza.
O confronto agrário entre posseiros e seguranças da Fazenda Bauru (antiga Magali) ocorreu no início da manhã de sábado (05).
A força-tarefa desenvolvida para apurar o ocorrido reuniu a Polícia Civil (por meio da Delegacia de Colniza e Gerencia de Operações Especiais – GOE), Polícia Militar (do município e também Força Tática de Juína), Perícia Oficial e Identif**ação Técnica (Politec) de Cuiabá e Instituto Médico Legal (IML), também da Capital, além do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
fonte:
http://www.noticiaexata.com.br/policia/id-819618/policia_civil_autua_segurancas_de_fazenda_por_homicidio_consumado_e_tentativas_apos_confronto_agrario_em_colniza
Colniza, Mato Grosso - a mesma cidade em que houve uma chacina que vitimou 9 posseiros a tiros e golpes de facão em abril de 2017 - é palco de mais um conflito agrário com ao menos um trabalhador rural morto e 9 feridos.
Trabalhador Rural é assassinado em conflito por terra em Colniza (MT) | Comissão Pastoral da Terra | 05/01/2019
Essa é a primeira morte registrada pela CPT em 2019 por conflitos agrários. O ataque deixou ainda nove feridos, sendo três em estado grave. (CPT Mato Grosso)
O trabalhador rural identif**ado até o momento como Eliseu Queres, foi assassinado na madrugada de hoje, 5, dentro da Fazenda Agropecuária Bauru, conhecida como Fazenda Magali, no município de Colniza, Mato Grosso. O Conflito deixou outras nove pessoas feridas, três delas em estado grave.
Esse é o primeiro assassinato registrado pela CPT, em 2019, por conflitos no Campo. Uma tragédia anunciada e denunciada pelo Fórum de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso (FDHT-MT) e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) no estado, no dia 1 de novembro de 2018. Em nota as entidades alertavam para o eminente conflito na região onde 200 famílias reivindicam o direito à terra e viviam sob a mira de cerca de 30 pistoleiros.
“Das quase 200 famílias que lá estão sob a mira dos pistoleiros na Fazenda Agropecuária Bauru, algumas são posseiras, outras compraram o direito de estar na terra, e já moram em seus lotes há algum tempo. Produzem e criam animais. São pessoas que apostaram no sonho de construir uma vida com o suor do trabalho. Não podemos deixar que mais um massacre aconteça, que mais uma violência aconteça a estas pessoas que já nasceram vulneráveis e que, por sua condição de pobreza, já nasceram em estado de exceção.” Alertaram as entidades em nota.
De acordo com testemunhas do conflito que ocorreu nesta madrugada, o ataque aconteceu no momento em que algumas pessoas que ocupam a área da fazenda pegavam água na beira do rio Traíra, que é próximo ao acampamento onde estão as famílias. A CPT e o (FDHT-MT) estão acompanhando o caso que indica que pode agravar ainda mais os conflitos na região.
Conflitos
Nos últimos três anos a violência no campo aumentou drasticamente no Brasil, após o golpe político-parlamentar-midiático de 2016, com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. A cada cinco dias uma pessoa é assassinada por conflitos agrários, segundo relatório Conflitos no Campo, publicado pela CPT. Em 2017, o número de assassinatos registrados foi o maior, desde 2003, com 71 trabalhadores e trabalhadoras rurais mortos.
Colniza
A Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) divulgou um estudo, em 2004, que apontava Colniza como a cidade mais violenta do Brasil. A cidade, que f**a distante 1,2 mil quilômetros de Cuiabá, chegou a registrar 165,3 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes – o mais alto índice de homicídios do Brasil. O motivo das mortes? Conflitos gerados por questões agrárias, exploração de madeira e minérios.
No dia 19 de abril de 2017, nove trabalhadores rurais foram brutalmente assassinados no Projeto de Assentamento Taquaruçu do Norte, em Colniza. Muitos foram surpreendidos enquanto trabalhavam na terra ou dentro de seus barracos. Foram mortos a tiros e por golpes de facão. De acordo com a perícia houve tortura. Vários corpos estavam amarrados e dois foram degolados.
Os assassinatos marcaram o início de uma série de massacres no campo em 2017. Dos 71 assassinatos registrados pela CPT, em 2017, 28 ocorreram em massacres. Devido ao grande número de assassinatos a pastoral tornou público os registros de massacres no campo dos últimos 32 anos.
https://www.cptnacional.org.br/publicacoes-2/destaque/4583-colniza-mt-trabalhador-rural-e-assassinado-em-conflitos-por-terra