09/09/2026
QUEM É CRIMINOSO, QUEM FALA OU QUEM MATA?!
Por: Rogério Martins
Caga lá para aqueles posts de malta Egídio Vaz, Dércio Alfazema, DJs Júniores e Floyd sei lá o quê. Anda cá ler isto. Vamos lá. Imagina, por exemplo, que o teu professor favorito é despedido da tua escola ou faculdade sem explicação nenhuma para vocês que são os seus alunos ou estudantes. Tu ficas revoltado e escreves no teu grupo de WhatsApp da turma uma mensagem a dizer: “amanhã ninguém entra na sala de aula, vamos fazer greve”. No dia seguinte alguns dos colegas seguem o teu apelo. Outros ficam em casa, por medo ou por solidariedade. E há um que, sem tu saberes nem quereres, aproveita a situação para partir uma janela. Se o pessoal da segurança da tua escola aparecer, quem deverá ser castigado? Só quem partiu a janela? Ou também tu, que nem lá estavas quando isso aconteceu?
É mais ou menos esta pergunta, só que muito mais grave e com muito mais gente envolvida, que está no centro do processo que a Procuradoria Geral da República moveu contra Venâncio Mondlane.
Para quem ainda não percebeu bem o que se passou, aqui vai o resumo. Em Outubro de 2024 Moçambique teve eleições gerais. Depois de muita batota feita pela CNE, dizem que Venâncio Mondlane ficou em segundo lugar. Venâncio não aceitou o resultado e disse que houve fraude eleitoral. Duas noites depois das eleições, o seu advogado, Elvino Dias, e um responsável do partido que o apoiava, Paulo Guambe, foram mortos a tiro numa emboscada em Maputo. Ninguém foi apanhado até hoje. Foi depois desse duplo homicídio (e de um outro atentado contra si numa conferência de imprensa) que Venâncio começou a chamar as pessoas para a rua, primeiro para greves e manifestações, depois para uma campanha longa de protestos que durou meses.
O que se seguiu foi um dos períodos mais violentos da história recente do país. A polícia disparou balas de verdade, à queima roupa e com sangue frio, contra manifestantes em várias cidades e localidades do país. Organizações