29/05/2026
𝐐𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐚 𝐀𝐮𝐫𝐨𝐫𝐚 𝐒𝐮𝐬𝐬𝐮𝐫𝐫𝐚 𝐀𝐧𝐚𝐦𝐚𝐥𝐚𝐥𝐚
Por: Solomon Mondlane
E se a dor de ontem pudesse se tornar o combustível de amanhã? E se o grito de uma terra ferida pudesse se transformar numa canção de pertença? Esta é a história de um povo que se recusou a esquecer, que se recusou a deixar que a noite engolisse a promessa. Isto é para Moçambique. Isto é para a Anamola.
O vento ainda carrega os ecos. Carrega o som dos tiros de guerras que não escolhemos, o som de mães chamando nomes que nunca voltaram para casa. Desde a luta pela independência até aos anos de fogo que se seguiram, esta terra conheceu sangue no seu solo. Conheceu o silêncio imposto pelo medo, e o silêncio escolhido pela dor. 𝐄 𝐚𝐢𝐧𝐝𝐚 𝐚𝐬𝐬𝐢𝐦 𝐞𝐮 𝐩𝐞𝐫𝐠𝐮𝐧𝐭𝐨-𝐭𝐞, 𝐪𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐮𝐦𝐚 𝐚́𝐫𝐯𝐨𝐫𝐞 𝐞́ 𝐜𝐨𝐫𝐭𝐚𝐝𝐚, 𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐫𝐚𝐢𝐳 𝐝𝐞𝐢𝐱𝐚 𝐝𝐞 𝐬𝐨𝐧𝐡𝐚𝐫 𝐜𝐨𝐦 𝐨 𝐯𝐞𝐫𝐝𝐞? Não. A raiz espera. A raiz lembra.
𝐄𝐬𝐭𝐞 𝐩𝐚í𝐬 𝐞́ 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨.
Diz outra vez até que soe verdadeiro nos teus ossos.
Este país é nosso. Não daqueles que o venderam em sussurros e o assinaram em salas escuras. Não daqueles que construíram palácios sobre a fome. Nosso. Para o camponês em Nampula, para o pescador em Inhambane, para a estudante em Maputo que estuda à luz de vela e ainda ousa sonhar.
𝐒𝐚𝐥𝐯𝐞𝐦 𝐌𝐨𝐜̧𝐚𝐦𝐛𝐢𝐪𝐮𝐞.
Um apelo, uma oração, um comando.
Como salvamos uma terra que sangra de feridas antigas e traições novas?
Salvamo-la lembrando.
Lembramos Samora Machel, que falou de unidade e morreu quando o céu caiu sobre ele cedo demais. Lembramos Eduardo Mondlane, cuja visão foi interrompida mas cujas ideias ainda caminham entre nós. Lembramos José Chicuarra Massinga, e os incontáveis sem nome que regaram este solo com sacrifício. Eles se revolvem nos túmulos quando a mentira se torna política e a esperança é taxada na fronteira.
𝐌𝐚𝐬 𝐞𝐬𝐜𝐮𝐭𝐚.
Nem mesmo os túmulos conseguem segurar uma promessa para sempre.
A Anamola formou-se há pouco tempo, nascida da urgência de um povo que já não podia esperar mais. Em 2024 Venâncio Mondlane entrou nas eleições como candidato independente, em parceria com a PODEMOS, numa aliança que deveria levar a voz do povo. Mas a PODEMOS traiu-o. As promessas foram quebradas, o mandato foi roubado, e a verdade foi trancada fora da sala onde as decisões são tomadas. Desde então Venâncio tem sido perseguido e caçado. Perseguem os seus passos, invadem o seu caminho, tentam fazer o país esquecer que ele alguma vez falou. Mas há algo que eles não entendem, podem matar um homem, mas não podem matar o sonho.
Daquele acto de desafio e traição, algo mudou. 𝐀 𝐀𝐧𝐚𝐦𝐨𝐥𝐚 𝐞𝐫𝐠𝐮𝐞𝐮-𝐬𝐞 𝐧𝐚̃𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐮𝐦 𝐞𝐝𝐢𝐟𝐢́𝐜𝐢𝐨, 𝐧𝐚̃𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐮𝐦 𝐭𝐢́𝐭𝐮𝐥𝐨, 𝐦𝐚𝐬 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐮𝐦𝐚 𝐩𝐫𝐨𝐦𝐞𝐬𝐬𝐚 𝐝𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐨 𝐩𝐨𝐯𝐨 𝐯𝐨𝐥𝐭𝐚𝐫𝐢𝐚 𝐚 𝐟𝐚𝐥𝐚𝐫 𝐩𝐨𝐫 𝐬𝐢 𝐦𝐞𝐬𝐦𝐨. Agora, enquanto a Anamola se prepara para a sua primeira Convenção Eletiva, essa promessa ganha forma. Reunimo-nos não por poder, mas por propósito. Reunimo-nos com um sonho, um sonho por um futuro melhor, onde a justiça não se vende, onde a juventude não é silenciada, e onde cada moçambicano possa dizer com orgulho: 𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐚 𝐞́ 𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚.
Depois vieram as ruas de 2024.
Os jovens, os trabalhadores, as mães levantaram-se e disseram basta. E alguns não voltaram.
Mano S***a, correste com fogo no peito e agora descansas com fogo no nosso.
A ti e aos outros cujos nomes guardamos como chama sagrada—nós vemos-vos. Choramos-vos. Não deixaremos que a vossa queda seja uma nota de rodapé.
𝐄 𝐩𝐞𝐫𝐠𝐮𝐧𝐭𝐨-𝐭𝐞 𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐩𝐞𝐝𝐞 𝐮𝐦 𝐦𝐚́𝐫𝐭𝐢𝐫 𝐚𝐨𝐬 𝐯𝐢𝐯𝐨𝐬?
Que vivam melhor. Que lutem com mais inteligência. Que construam aquilo por que morreram.
“O bem e o mal crescem ambos com juros compostos.” É por isso que devemos escolher o bem agora, enquanto ainda é pequeno o suficiente para caber nas nossas mãos. “𝐎 𝐚𝐫𝐜𝐨 𝐝𝐨 𝐮𝐧𝐢𝐯𝐞𝐫𝐬𝐨 𝐦𝐨𝐫𝐚𝐥 𝐞́ 𝐥𝐨𝐧𝐠𝐨, 𝐦𝐚𝐬 𝐢𝐧𝐜𝐥𝐢𝐧𝐚-𝐬𝐞 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐚 𝐣𝐮𝐬𝐭𝐢𝐜̧𝐚.” Apenas se o puxarmos
𝐈𝐦𝐚𝐠𝐢𝐧𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐢𝐠𝐨.
Imagina um Moçambique onde o porto trabalha para o povo, não apenas para os poderosos. Onde uma reclamação é respondida com respeito, não com ameaça. Onde o professor recebe a tempo, e a enfermeira tem luvas, e a primeira pergunta de uma criança na escola não é “por que não há água?”.
Imagina tribunais que servem a verdade, não o medo. Estradas que ligam aldeias, não apenas contratos. Uma política que debate ideias, não estômagos.
𝐄𝐬𝐭𝐞 𝐞́ 𝐨 𝐬𝐨𝐧𝐡𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐀𝐧𝐚𝐦𝐨𝐥𝐚 𝐜𝐚𝐫𝐫𝐞𝐠𝐚.
𝐍𝐚̃𝐨 𝐮𝐦 𝐬𝐨𝐧𝐡𝐨 𝐝𝐞 𝐯𝐢𝐧𝐠𝐚𝐧𝐜̧𝐚, 𝐦𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐫𝐞𝐩𝐚𝐫𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨.
𝐍𝐚̃𝐨 𝐮𝐦 𝐬𝐨𝐧𝐡𝐨 𝐝𝐞 𝐞𝐱𝐜𝐥𝐮𝐬𝐚̃𝐨, 𝐦𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐩𝐞𝐫𝐭𝐞𝐧𝐜̧𝐚.
𝐄𝐬𝐭𝐞 𝐩𝐚í𝐬 𝐞́ 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨.
Por isso vamos limpá-lo, ensiná-lo, curá-lo.
Salvem Moçambique.
Não apenas com slogans, mas com mãos que constroem e corações que se recusam a ficar insensíveis.
Anamalala.
Vai ficar bem. Está a ficar bem. Porque um povo que lembra como dizer “basta” é um povo pronto para dizer “bem-vindo” a um novo dia.
𝐀 𝐧𝐨𝐢𝐭𝐞 𝐟𝐨𝐢 𝐥𝐨𝐧𝐠𝐚. 𝐀𝐬 𝐜𝐢𝐜𝐚𝐭𝐫𝐢𝐳𝐞𝐬 𝐬𝐚̃𝐨 𝐫𝐞𝐚𝐢𝐬.
𝐌𝐚𝐬 𝐚 𝐚𝐮𝐫𝐨𝐫𝐚 𝐧𝐚̃𝐨 𝐩𝐞𝐝𝐞 𝐩𝐞𝐫𝐦𝐢𝐬𝐬𝐚̃𝐨. 𝐄𝐥𝐚 𝐜𝐡𝐞𝐠𝐚.
𝐄 𝐪𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐜𝐡𝐞𝐠𝐚𝐫, 𝐯𝐚𝐢 𝐞𝐧𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐚𝐫-𝐧𝐨𝐬 𝐚𝐜𝐨𝐫𝐝𝐚𝐝𝐨𝐬, 𝐜𝐡𝐚𝐦𝐚𝐧𝐝𝐨-𝐧𝐨𝐬 𝐮𝐧𝐬 𝐚𝐨𝐬 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐧𝐨𝐦𝐞, 𝐩𝐫𝐨𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨𝐜𝐮𝐩𝐚𝐫 𝐨 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨 𝐥𝐮𝐠𝐚𝐫 𝐧𝐚 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐚 𝐩𝐫𝐨𝐦𝐞𝐭𝐢𝐝𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞 𝐦𝐞𝐫𝐞𝐜𝐞𝐦𝐨𝐬.