01/05/2026
MENSAGEM POR OCASIÃO DO DIA INTERNACIONAL DO TRABALHADOR
Caros Moçambicanos e moçambicanas,
Trabalhadoras e trabalhadores do nosso Moçambique,
O 1º de Maio não é feriado de festa. É dia de memória e de luta. Nasceu do sangue dos operários de Chicago, em 1886, que tombaram a exigir as 8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas de lazer. Desde então, esta data tornou-se símbolo universal da resistência de quem vive do seu suor contra a exploração, a injustiça e o esquecimento. Honrar o 1º de Maio é honrar essa história. É recusar que o trabalhador de hoje seja tratado como o escravo de ontem.
Neste 1º de Maio de 2026, curvamo-nos perante vós com profundo respeito e admiração. Vós sois o motor silencioso que mantém Moçambique de pé. Sois o professor que educa sem giz, o enfermeiro que salva vidas sem luvas, o camponês que lavra a terra sem tractor, o mineiro, o varredor de rua, o motorista de chapa, a vendedeira do mercado. É do vosso suor, muitas vezes ignorado, que brota a riqueza desta nação. A RENAMO e o seu presidente vos saúda e reconhece em vós a verdadeira força transformadora da sociedade.
Porém, não podemos celebrar esta data com hipocrisia. A verdade é que o trabalhador moçambicano chega a este 1º de Maio mais pobre, mais cansado e mais desprotegido. Os aumentos salariais anunciados este ano são um insulto à dignidade de quem trabalha. Subidas de 300, 400 meticais quando o s**o de arroz duplicou, quando o óleo, o peixe e o transporte asfixiam o bolso. Estes reajustes ínfimos estão, há anos, longe de cobrir a cesta básica de uma família. Como pode um pai explicar ao filho que, mesmo trabalhando de sol a sol, o salário já não compra comida para o mês inteiro? Isto não é aumento. É esmola oficial.
A situação agrava-se porque o custo de vida disparou e o Estado virou as costas. A inflação devora os salários, os impostos sufocam as pequenas iniciativas, e o emprego formal é miragem para milhões de jovens. Onde estão os prometidos postos de trabalho? Onde está a política salarial justa que recompense o mérito e o esforço? O Governo prefere gastar milhões em luxo e cerimónias enquanto o funcionário público paga do seu bolso a caneta para trabalhar, o professor compra giz para dar aulas e o enfermeiro e o médico compram luvas e outro material para assistir o doente. Esta é a realidade que o trabalhador enfrenta todos os dias, sem microfones nem câmaras para o defender.
A RENAMO não pode calar-se perante a precarização crescente da vida laboral. Falamos dos milhares de trabalhadores sem contrato, sem segurança social, sem direito a férias nem protecção na doença. Falamos das mulheres que são a espinha dorsal da economia informal e continuam sem reconhecimento. Falamos dos jovens formados que têm como única saída a mota-táxi ou a emigração para a África do Sul, onde muitos encontram a xenofobia e a morte. Um país que não valoriza quem trabalha está a condenar o seu próprio futuro.
Por isso, nesta data de reflexão e luta, a RENAMO reafirma o seu compromisso inabalável com a classe trabalhadora. Defendemos um reajuste salarial anual indexado ao custo real da cesta básica e à inflação. Exigimos o fim dos atrasos salariais na função pública e nas autarquias. Lutamos por uma inspecção do trabalho forte, que combata a exploração e o trabalho infantil. Queremos crédito bonificado para o trabalhador investir, habitação condigna e um sistema de saúde que não mate quem já dá a vida pelo país. O trabalhador não quer favor. Quer justiça. Viva o trabalhador moçambicano!
Viva o 1º de Maio!
A Vitória é Certa!
Maputo, 1 de Maio de 2026
Ossufo Momade
Presidente da RENAMO