12/05/2026
Nos últimos três meses enquanto eu preparava o lançamento da minha obra "Águia Negra, Lukembo e Kieza" eu acabei tendo contacto com alguns manuscritos meus que tiveram início mas sem fim e alguns que já foram escritos por completo, por onde deparei com um ensaio crítico que eu escrevi sobre a pornografia em Áfrika, isto é, em 2022 após ter contacto com a obra do professor Elavoko "Coisas Que Não Se Dizem" que apresenta também essa temática.
A verdade é que, o obsceno em Áfrika é um tema ainda muito exclusivo para ser abordado em obras académicas, uma vez que exige estudos, balanços ou equilíbrio entre as culturas diferentes. Mas feliz ou infelizmente o meu material não foi criado com base em uma grande percentagem de factos científicos, embora eu traga nele dados, a metodologia não é "tão, exigente" quanto um científico.
Então, a forma como a pornografia tem sido discutida em Áfrika leva-nos a um conflito entre a moral, tradições locais e capitalismo digital que são de certeza as principais maneiras de olhar para essa problemática. Olhar no choque entre a modernidade e o tradicional.
Em diversas culturas afrikanas, a exposição do corpo está inserida em sistemas culturais que lhe atribuem signif**ados sociais e espirituais, assim como identitário, logo, é comum que nalgumas culturas o corpo funcione como superfície simbólica por onde inscrevem-se os valores colectivos. Para essas sociedades a exposição corporal é associada a rituais, estatuto social ou pertença comunitária, não sendo necessariamente carregada de conotação sexual. O que de certa forma evidencia que a nudez em Áfrika é culturalmente regulada adoptada de signif**ados específicos, causando um choque com a ideia universal que considera o corpo exposto como natureza do erótico, enquanto que para algumas culturas afrikanas é um elemento de comunicação social e não exactamente um objecto de consumo como tem sido muitas vezes verif**ado.
Embora o obsceno envolva exposição corporal, as análises são feitas com base nas intenções ou contexto histórico. A maneira como ocorrem essas exposições, tal como disse antes, para algumas culturas afrikanas essa exposição resulta como forma de expressão identitária, cá em Angola, temos ainda a presença de comunidade que vivem valorizando essa expressão "a tribo mumuíla" onde as mulheres são vistas comummente sem uso de vestes para cobrir os seus peitos e, é nesse lado onde envolvemos a pornografia com base a visão da neurociência e psicologia, que relacionam essas exposições a instintos neuropsicológicos. Diferente das exposições que muitas vezes tem se verif**ado fora de um contexto cultural com fins de excitação ou aliciar olhares.
Enfim, é tanta coisa que precisa ser analisada nessa complexidade que desafia o sagrado do explícito. Mas, uma verdade é que a Áfrika não conhecia a pornografia no sentido de busca de excitação e educação sexual ou satisfação de desejos até ter contacto excessivo com esses materiais que tiveram um impacto global no mundo digital, mas atualmente a Áfrika chega a ser um continente que muito consome esses conteúdos, principalmente os menores de idade.
Txt.: Rosa Ambriz