A Comissão Central de Caça proclamou ao 23 de Abril de 1932, através do Diploma Legislativo N. 4183, á Reserva Parcial de Caça do Gilé com uma área de cerca de 5,000 km2. Sucessivamente, ao 23 de Julho de 1960, através do Diploma Legislativo N. 1996, a área da Reserva foi reduzida aos actuais 2,800 km2 e foi estabelecida uma área de Regime de Vigilância Especial de cerca de 1,800 km2 numa área a n
orte dos seus limites actuais. No dia 20 de Maio 2020, o Conselho de Ministros recategorizou Reserva Gilé ao status de Parque Nacional, tornando-se Parque Nacional do Gilé, PNAG (Categoria II do Sistema de Categorias de Unidades de Conservação da IUCN). O Parque foi inicialmente estabelecido como área de caça, mas também como área de protecção de espécies tais quais o elefante e o rinoceronte preto, o qual, infelizmente, foi erradicado na área já desde 1973. Actualmente, a área de coservação do Parque Nacional do Gilé corresponde a uma área de cerca de 4600 km2:
- Parque Nacional do Gilé – 2800 km2,
- Coutada de Mulela – 1100 km2,
- Zona Tampão – 700 km2. O complexo do PNAG, coração do Parque, Coutada e a sua Zona Tampão, abrigam principalmente uma floresta de miombo notável, alternada por várias áreas abertas de savana. Uma vegetação ribeirinha intacta decorre nos bancos dos numerosos cursos de água. Considerando a cobertura da copa e a composição de espécies são identificados seis tipos diferentes de cobertura vegetal: 1) matagal aberto; 2) floresta aberta de baixa altitude; 3) floresta fechada de baixa altitude; 4) formação herbácea arborizada; 5) formação herbácea; 6) Arbustos baixos. Um total de 253 espécies de plantas foi registado mostrando a grande diversidade e o bom estado de conservação da vegetação.
É importante sublinhar que não há povoação humana a viver permanentemente dentro dos limites do PNAG, representando uma situação única em Moçambique. A Reserva Nacional de Gilé alberga tipicamente uma variedade de mamíferos, entre os quais o leão, o leopardo, o elefante africano, o hipopótamo, duas espécies de cabritos, chango, cudo, imbabala e palapala. Actualmente são registadas 67 espécies de mamíferos; porem, esta lista ainda não é completa, considerando especialmente a dificuldade de identificarão de vários micro-mamíferos, tais como pequenos roedores e musaranho-elefante. Um programa de reintrodução e repovoamento de várias espécies, búfalos (77), bois-cavalos (20) e zebras (15), foi realizado com sucesso em 2012 e 2013. Juntamente a actividades de fiscalização mais apropriadas e efectivas, o PNAG assegura a recuperação das populações de várias espécies. Recentemente a presença do gondonga foi confirmada por especialistas da Fundação IGF, uma vez que outras espécies são infelizmente erradicadas, entre os quais as principais são o rinoceronte preto (desde a década de ’70), a zebra e o boi-cavalo. Um total de 210 espécies de pássaros foi registado no PNAG. Tal como pare os mamíferos, a lista de conferência de pássaros ainda está incompleta, considerando principalmente as espécies mais pequenas e elusivas. As ameaças principais para a biodiversidade na Reserva Nacional de Gilé e na sua Zona Tampão são representadas por actividades extractivas ilegais por parte das populações locais, assim como por agentes externos. Os caçadores furtivos representam a ameaça principal á fauna local. As comunidades locais ainda são dependentes, em grande medida, de uma vasta gama de recursos biológicos, entre os quais a caça representa um dos maiores. As populações locais são também responsáveis pela grande numero de queimadas descontroladas que anualmente ocorrem na área e que representam um perigo grave pela vegetação. A limpeza de terras para fins agrícolas representa por fim a outra ameaça representada pelas populações locais, especialmente na Zona Tampão mas também ao longo dos rios que constituem os limites do Parque. A explorarão comercial de madeira e a explorarão de produtos mineiros, na Zona Tampão, representa, da mesma forma, ameaças severas á preservação dos ecossistemas.