25/05/2026
【Sala da Yumi】
“Quanto de renda mensal é necessário para viver uma aposentadoria tranquila no Japão?”
Recebi perguntas de pessoas, relacionadas ao título deste artigo que leram a postagem neste Facebook, do artigo do dia 6 de março “O problema da aposentadoria dos idosos estrangeiros”.
Antes de entrar no assunto principal, gostaria de apresentar algumas das perguntas que recebi de vocês. Informo também que obtive a autorização das próprias pessoas para publicar esses relatos.
Pergunta número 1 (Pessoa de nacionalidade brasileira na faixa dos 60 anos)
“Atualmente já tenho mais de 65 anos. No Brasil, existe casos que mesmo pessoas com menos de 60 anos podem receber aposentadoria se tiverem contribuído para a previdência social por mais de 35 anos. Porém, no Japão, como o meu período de contribuição para a aposentadoria é curto, ainda hoje acordo cedo todos os dias e trabalho com afinco. Ainda tenho saúde, mas gostaria de saber com antecedência quanto de renda seria necessário para conseguir viver e pagar cuidados de enfermagem/ cuidadores (Kaigo) caso eu fique doente no futuro”.
Pergunta de número 2 (Pessoa de nacionalidade peruana na faixa de 40 anos)
“Depois de ler este artigo, comecei a refletir profundamente sobre essa questão. Meus pais, que atualmente estão na faixa dos 70 anos, ainda trabalham. Porém, não tenho condições de sustentar os meus pais, pois estou financeiramente no meu limite, por causa das despesas com a educação dos meus dois filhos que nasceram e estão crescendo aqui no Japão.
A aposentadoria deles, somada, é de apenas 110 mil ienes por mês, por isso eles continuam trabalhando até hoje. No entanto, acredito que, quando chegarem aos 80 ou 90 anos, será difícil eles continuarem trabalhando como o fazem agora.
Fico preocupado pensando em como poderei ajudá-los no futuro. Por isso, gostaria de saber quanto de renda mínima seria necessário por mês, para que um casal de idosos que já não conseguem mais trabalhar consigam viver”.
Primeiramente, gostaria de expresser a minha sincera gratidão por todas as perguntas enviadas por vocês.
No artigo anterior, “O problema da aposentadoria dos idosos estrangeiros”, talvez tenha causado certa preocupação em algumas pessoas. No entanto, é também um tema inevitável, trata-se de uma questão importante que, daqui para frente, nós, como comunidade estrangeira, precisaremos enfrentar e pensarmos juntos.
Então, ao pesquisar sobre a pergunta “Quanto de renda mensal é necessário para viver uma aposentadoria tranquila no Japão?”, encontrei muitas informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, pela Agência de Serviços Financeiros, além de bancos e instituições financeiras. Porém, a realidade é que a maior parte desse material está disponível apenas em japonês.
Segundo dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, o valor mensal necessário para que um casal de idosos com mais de 65 anos consigam viver é estimado em aproximadamente entre 250 mil e 280 mil ienes. Além disso, afirma-se que , para ter uma vida com mais conforto, podendo aproveitar refeições fora de casa, hobbies e viagens, seriam necessário cerca de 370 mil ienes por mês.
Esses valores mensais incluem não apenas os gastos com alimentação, mas também despesas como o seguro de saúde e o seguro de cuidados de enfermagem para idosos. Isso porque, no Japão, viver sem estar inscrito em algum tipo de seguro não é algo realmente viável (indispensável).
Na verdade, entre os próprios japoneses, há pessoas que conseguem manter uma vida estável quando envelhecem graças à aposentadoria e às economias acumuladas. Por outro lado, também existem pessoas que apenas a aposentadoria não é suficiente para se sustentarem no dia a dia, passando por dificuldades financeiras.
Nesse contexto, em 2019 a Agência de Serviços Financeiros do Japão levantou a chamada “Questão dos 20 milhões de ienes para a aposentadoria” . A ideia era que, mesmo no caso de um casal idoso comum, existiria a possibilidade de a aposentadoria pública não ser suficiente para cobrir os custos de vida. Por isso, estimou-se que seria necessário ter cerca de 20 milhões de ienes em poupança além da pensão, considerando aproximadamente 30 anos de vida após os 65 anos. No entanto, atualmente, entre os idosos japoneses vêm crescendo dúvidas como: “Será que 20 milhões de ienes realmente são suficientes?” e até “Mesmo com esse valor, ainda não faltaria dinheiro?”.
Essa questão, independentemente da nacionalidade, é um desafio comum para todas as pessoas, que não possuem poupança suficiente ou cujo valor da aposentadoria é baixo. Até agora, na sociedade japonesa, houve uma época em que muitos idosos conseguiam viver com relativa tranquilidade mesmo sem continuar trabalhando. Porém, daqui para frente, essa situação pode mudar, e a sociedade provavelmente caminhe para um modelo em que continuar trabalhando se torne algo praticamente indispensável.
Além disso, como existe a possibilidade de que a renda da aposentadoria e as economias acumuladas até agora não sejam suficientes para garantir uma vida confortável na aposentadoria, o governo japonês vem promovendo, nos últimos anos, sistemas de formação de patrimônio (investimentos), como o iDeCo e o NISA, para a população.
No entanto, antes de começar a investir, o mais importante é, antes de tudo, estar devidamente inscrito no sistema básico de aposentadoria pública (como a aposentadoria nacional “Kokumin Nenkin” ou a aposentadoria dos trabalhadores “Kousei Nenkin” e outras). Depois disso, o ideal é analisar a própria situação financeira futura e, caso haja margem disponível, considerar investimentos.
No entanto, dentro das comunidades estrangeiras, também existem casos em que influenciadores digitais ou pessoas mais experientes, que possuem certo conhecimento sobre o sistema japonês, divulgam pela internet informações do tipo: “Em vez de contribuir para a aposentadoria pública, é melhor investir por conta própria, porque o retorno é maior”.
Esse tipo de divulgação talvez não seja feito necessariamente com má intenção. No entanto, existe um ponto muito importante que gostaría que todos entendessem. Ou seja, se você não se inscrever no sistema público de previdência, nem influenciadores nem ninguém se responsabilizará por essa escolha. Isso pode afetar não apenas a sua vida financeira no futuro, mas, em alguns casos, também a renovação do seu visto de residência (visto).
Além disso, se aumentar o número de “estrangeiros que não se inscrevem no sistema público de previdência”, existe o risco de que a sociedade japonesa passe a ter a impressão de que “Essas pessoas vivem no Japão sem contribuir adequadamente para a sociedade”. Como consequência, muitos estrangeiros que participam corretamente do sistema e cumprem suas responsabilidades podem acabar enfrentando críticas mais duras.
O Japão é uma das sociedades com maior envelhecimento populacional do mundo. Por outro lado, no Brasil e em outros países da América do Sul, a proporção de jovens é frequentemente maior do que a de idosos.
Porém, o lugar onde estamos vivendo agora é o Japão. Por isso, ao enfrentarmos a situação atual do Japão, será necessário que a sociedade como um todo considere novas formas de trabalho e sistemas de apoio mútuo para a população idosa.
Além disso, como comunidade estrangeira, também devemos encarar essa realidade seriamente como um desafio e tomar medidas proativas. Compreender corretamente o sistema, preparar-se para o futuro individualmente, ao mesmo tempo, fortalecer a capacidade de apoio mútuo dentro da comunidade, provavelmente tornará-se cada vez mais importante daqui para frente.