19/12/2019
LIXEIRA MUNICIPAL DO MAIO:
UM ATENTADO À SAÚDE PÚBLICA
Lixo, lixo, cada vez mais lixo e de toda a espécie. É este o cenário da Lixeira Municipal do Maio que se situa a escassos quilómetros do centro da Cidade do Porto Inglês e próxima à estrada que dá acesso à Figueira e à Vila do Barreiro. Um autêntico atentado à saúde pública à céu aberto, sem fim à vista, pelo menos para os próximos anos.
Quem nunca visitou este local não faz a mínima ideia do cenário dantesco que aí vai encontrar quando lá puser os pés. Prepare-se para as coisas que o vão receber. Desde máquinas de lavar roupas, fogões, frigoríficos, televisores, colchões, papéis, roupas, ferros velhos, sem contar ainda com uma grande quantidade de garrafas e uma infinidade de outros objetos. Enfim, um cenário horrível e lamentável para uma ilha que se apregoa de ser "a mais limpa do país".
A responsabilidade, toda ela, deve ser imputada à Câmara Municipal do Maio, enquanto principal e única responsável pela recolha de resíduos urbanos e seu depósito nesta lixeira à céu aberto.
Isto é prova irrefutável de que, durante anos, a edilidade não teve de forma ef**az uma política de saneamento básico do meio e do tratamento dos resíduos urbanos. Quando se sentiu obrigada a tomar medidas, limitou-se apenas a focar a sua atenção na criação de condições locais mínimas para que a população pudesse depositar o lixo e, posteriormente, a Câmara proceder à sua recolha para a lixeira mas sem o devido tratamento.
É precisamente a partir deste ponto que não houve um seguimento adequado, no sentido de tratar convenientemente esses resíduos, como mandam, aliás, as regras do saneamento básico de qualquer município do país.
Temos que ser realistas e admitir que nesta ilha não existe uma lixeira municipal no seu verdadeiro sentido do termo. Existe sim, um espaço que se designou chamar-se de "Lixeira Municipal", criado e gerido pela Câmara Municipal, para onde os seus camiões de recolha se dirigem para fazer a descarga de toda a espécie de resíduos urbanos.
Uma Lixeira Municipal pressupõe ser um local devidamente equipado para receber todo e qualquer tipo de lixos e tratá-los de forma correta de modo a não pôr em perigo a saúde pública e nem o meio ambiente, facto que não acontece no caso concreto do nosso Município.
A nossa esperança reside no Plano Operacional para a Gestão dos Resíduos que foi aprovado na última sessão municipal ocorrida na semana passada. Trata-se de um plano governamental apoiado por vários parceiros internacionais e tem por finalidade a "proteção do ambiente e desenvolvimento do país, com uma perspetiva sistémica dos diversos aspetos ligados à gestão dos recursos naturais".
O Plano visa ainda "dotar a ilha, até 2035, de um sector dos resíduos plenamente infra-estruturado e financiado para um correto tratamento e valorização de todos os fluxos de resíduos".
Contudo, a pergunta que não podemos deixar de fazer é que até a implementação deste Plano vamos continuar a assistir de braços cruzados a esta agressão ambiental por parte da Câmara Municipal, com todos os riscos para à nossa saúde e à saúde dos nossos animais?
Estamos seguros de que o problema do lixo será mais uma pesada herança que o coletivo chefiado pelo Dr. Miguel Rosa irá deixar aos maienses.