Quase todo dia uma citação do Piotr Kropotkin

Quase todo dia uma citação do Piotr Kropotkin O intuito desta página é compartilhar trechos dos livros do autor Piotr Kropotkin, e espalhar a palavra do comunismo libertário. Sejam muito bem vindos.

"Poucas pessoas sabem, mas o Dia do Trabalhador é uma data de origem anarquista. Sua história possui três anos important...
01/05/2022

"Poucas pessoas sabem, mas o Dia do Trabalhador é uma data de origem anarquista. Sua história possui três anos importantes: 1868, 1886 e 1889. Aqui iremos rapidamente explicar como eles se relacionam e criam essa data.

Em 1868, Mikhail Bakunin e outros revolucionários fundam a Aliança da Democracia Socialista, a primeira organização anarquista. Sua estratégia era fortalecer as organizações sindicais de trabalhadoras e trabalhadores para lutarem contra a exploração dos patrões – estão lançadas as bases para o que será chamado de Sindicalismo Revolucionário.

Em 1886, trabalhadores inspirados pelas ideias do anarquismo e do sindicalismo revolucionário, convocam uma grande GREVE GERAL em várias cidades dos Estados Unidos. Eles pediam a redução de jornada de trabalho para 8 horas diárias, e a data escolhida foi Primeiro de Maio. Na cidade de Chicago, o ato aconteceu sem grandes episódios de violência, mas as manifestações seguiram nos dias seguintes, sendo violentamente reprimidas pela polícia: mais de 100 pessoas perderam a vida. Oito trabalhadores anarquistas foram presos, acusados de liderarem as mobilizações - cinco deles foram condenados à morte.

Em 1889, por conta do episódio de Chicago, a Internacional Socialista passa a adotar o Primeiro de Maio como Dia Internacional da Classe Trabalhadora. Desde então, essa data é marcada por greves e manifestações do mundo todo, contra os governos e os patrões.

Não podemos permitir que suas origens sejam apagadas, transformadas em um simples feriado ou dia de festa. Sua história é socialista e anarquista, e é de luta contra o sistema capitalista!"

Dica de leitura:
OASL: "O Anarquismo, o Massacre de Haymarket e os Mártires de Chicago", 2013 - http://anarkismo.net/article/25449

Texto da Organização Anarquista Socialismo Libertário - OASL

Uma nova forma de posse requer uma nova forma de distribuição dos víveres. Uma forma nova de produção não poderia manter...
21/03/2022

Uma nova forma de posse requer uma nova forma de distribuição dos víveres. Uma forma nova de produção não poderia manter a antiga forma hegemônica de consumo, como não poderia moldar-se às formas antigas de organização política. O salário nasceu da apropriação pessoal do solo e dos instrumentos para a produção por parte de alguns. Era a condição necessária para o desenvolvimento da produção capitalista; morrerá com ela, ainda que se trate de disfarçá-la sob a forma de «bônus de trabalho». A posse comum dos instrumentos de trabalho trará consigo necessariamente o goze em comum dos frutos do labor comum. Não nos cansaremos de fazer questão desse ponto: a reorganização da indústria sobre novas bases não poderá pôr anos de miséria ao serviço dos teóricos do salário.
Não há duas maneiras diferentes de fazê-lo com equidade, senão uma só, que responde aos sentimentos de justiça e é realmente prática: o sistema adotado já pelos municípios agrários em Europa. Fixai-vos que não importa que município rural. Se possui um morro, na abundância de lenha miúda, cada qual tem direito a pegar quanta precise, sem mais conserto do que a opinião pública de seus convizinhos. Quanto à lenha grossa, como toda é pouca, recorre-se ao racionamento provisório. Numa palavra, sem taxa o que abunde; a ração o que precise medir e repartir. Assim o povo das grandes cidades se verá na necessidade de associar-se e organizar a distribuição de todos os víveres, procedendo do simples ao composto, para satisfazer as necessidades de todos os envolvidos.
É preciso que as grandes cidades também cultivem a terra, como o fazem as cidades rurais. Há que vir parar ao que a biologia chamaria a «integração das funções». Depois de ter dividido o trabalho, é preciso integrar: tal é a marcha seguida por toda a natureza. Ao redor das grandes cidades existem os parques e jardins dos senhores, milhões de hectares que só esperam o trabalho inteligente do cultivador para rodear regiões de planícies férteis e produtivas. Assim, dedique-se outra parte da cidade a produzir as coisas que lhe faltam ao camponês, em lugar de fazer futilidades pro burguês. Que as máquinas de costurar de Paris façam vestidos de trabalho e uniformes para os lavradores, em vez de equipes de noiva. Que a fábrica construa máquinas agrícolas, pás e arados, em vez de esperar a que os ingleses nos os vendam em troca de nosso vinho. Envie da cidade aos campos, não comissários com faixas vermelhas ou multicolores para comunicar ao lavrador o decreto de que entregue suas provisões a tal lugar absolutamente estranho, senão que os faça visitar por amigos, por irmãos, para dizer-lhes: «Trazei-nos vosso excedente, e pegai em nossos armazéns todo o excedente e manufaturas que vos plazca.» E então afluirán de todas partes os víveres. O camponês guardará o que precise para consumir, mas enviará o resto aos trabalhadores das cidades, nas quais –por vez primeira no curso da história– verá irmãos e não exploradores. Isso provará que pela primeira vez em sua vida, o proletariado terá trabalhado para satisfazer suas necessidades.
Tenho aqui a última palavra da agricultura moderna. A terra dá o que lhe pedem; só se trata de pedir com inteligência. A combinação da agricultura com a indústria, o homem agricultor e industrial ao mesmo tempo: a isto nos conduzirá necessariamente o município comunista, se se lança com valentia pelo caminho da expropriação.

Livro: A conquista do pão

"Pouco mais ou menos assim raciocinam as cabeças ocas da burguesia quando nos dizem: «¡Ah, a expropriação! Compreendido....
16/03/2022

"Pouco mais ou menos assim raciocinam as cabeças ocas da burguesia quando nos dizem:
«¡Ah, a expropriação! Compreendido. Tiram vocês a todos os sobretudos, põem-nos num montão, e cada qual se acerca a pegar um». O que precisamos não é pôr num montão os sobretudos para distribuí-los depois, e isso que os que tiritam de frio ainda encontrariam em isso alguma vantagem. O que precisamos é organizar-nos de tal forma, que cada ser humano, ao vir ao mundo, possa estar seguro de aprender um trabalho produtivo, em primeiro termo acostumar-se a ele, e depois poder ocupar-se desse trabalho sem pedir permissão ao proprietário e ao estado; sem pagar aos acaparadores da terra e das máquinas a parte do sobretudo que produza. O dia em que o trabalhador do campo possa arar a terra sem pagar a metade do que produz; o dia em que as máquinas necessárias para preparar o solo para as grandes colheitas estejam à livre disposição de todos os cultivadores; o dia em que os obreiros do ateliê produzam em coletividades e não para o monopólio, os trabalhadores não irão já esfarrapados, e não terá mais exploradores. Ninguém terá já necessidade de vender sua força de trabalho por um salário que só representa uma parte do total do que produz.
Não queremos despojar a ninguém de seu sobretudo, se não devolver aos trabalhadores tudo o que hoje permite explorá-los por meio de privações."

Livro: A conquista do pão

"O trabalhador, com o nome de livre contratação, aceita obrigações feudais, porque não encontraria condições mais aceitá...
14/03/2022

"O trabalhador, com o nome de livre contratação, aceita obrigações feudais, porque não encontraria condições mais aceitáveis em nenhuma parte. Como tudo é propriedade de algum amo, tem que ceder ou morrer-se de fome. De tal estado de coisas resulta que toda nossa produção é um contrasentido. Ao negócio não lhe comovem as necessidades da saciedade; seu único objetivo é aumentar os benefícios do negociante. Centenas de altos fornos, milhares de manufaturas permanecem regularmente inativos; outros não trabalham mais do que a metade do tempo, e em cada nação há sempre uma população de uns dois milhões de indivíduos que pedem trabalho e não o encontram. Milhões de homens seriam felizes com transformar os espaços incultos ou mau cultivados em campos cobertos de ricas mieses. Mas esses valentes obreiros têm que seguir parados porque os possuidores da terra, da mina, da fábrica, preferem dedicar os capitais ao acúmulo. Ainda se gasta mais trabalho inutilmente para forçar ao consumidor a que compre o que não lhe faz falta ou impor-lhe com reclamos um articulo de má qualidade; além para produzir substâncias alimentícias nocivas em absoluto para o consumidor, mas proveitosas para o fabricante e o expendedor. O que se desperdiça desta maneira bastaria para duplicar a produção útil, ou para criar manufaturas e fábricas que bem cedo inundaria os armazéns com todas as provisões de que carecem dois terços da nação.
Sabemos que os produtores, que mal formam o terço dos habitantes nos países civilizados, produzem já o suficiente para que exista certo bem-estar no lar de cada família. Sabemos, ademais, que se todos quantos dominam hoje os frutos do trabalho alheio se vissem obrigados a ocupar seus lazeres em trabalhos úteis, nossa riqueza cresceria em proporção múltipla do número de braços produtores. E em fim, sabemos que, na contramão da teoria do pontífice da ciência burguesa (Malthus), o homem acrecienta sua força produtiva com muita mais rapidez do que ele mesmo se multiplica. Mas, para que o bem-estar chegue a ser uma realidade, é preciso que o imenso capital deixe de ser considerado como uma propriedade privada, do que o acaparador disponha a seu desejo. É mister que o rico instrumento da produção seja propriedade comum, a fim de que a coletividade saque dele os maiores benefícios para todos. Impõe-se a expropriação. O bem-estar de todos como fim; a expropriação como meio.
Tomar posse, em nome do povo sublevado, dos celeiros de trigo, dos armazéns atestados de roupa e das casas desocupadas. Não esbanjar nada, organizar-se em seguida para encher os esvaziamentos, defrontar a todas as necessidades, satisfazê-las todas; produzir, não já para dar benefícios, seja a quem for, senão para fazer que viva e se desenvolva a sociedade. Basta dessas fórmulas ambíguas, como o «direito ao trabalho», tenhamos o valor de reconhecer o direito ao bem-estar: O bem-estar para todos."

Livro: A conquista do pão

"Somos ricos. Por que há, pois, essa miséria em torno nosso? Os socialistas o disseram e repetido até a saciedade. Porqu...
10/03/2022

"Somos ricos. Por que há, pois, essa miséria em torno nosso? Os socialistas o disseram e repetido até a saciedade. Porque tudo o que é necessário para a produção foi monopolizado por alguns no decorrer desta longa história de saques, êxodos, guerras, ignorância e opressão em que a humanidade viveu antes de aprender a dominar as forças da natureza.
Taláronse os bosques de antanho, se desecaron os pântanos, saneou-se o clima. Os rios se fizeram navegáveis e de fácil acesso. O solo, que em outros tempos só produzia grosseiras ervas, fornece hoje ricas mieses. Plantas silvestres que antes não davam senão um fruto áspero ou umas raízes não comestíveis, foram transformadas por reiterados cultivos em saborosas hortaliças, em árvores carregadas de frutas extraordinárias. Milhares de caminhos com base de pedra e férreos carriis sulcam a terra, furam as montanhas; nos abruptos desfiladeiros assobia a locomotiva. Cada hectare de solo que lavramos, foi regada com o suor de muitas raças; cada caminho tem uma história de servidão, de trabalho do povo. Milhões de seres humanos trabalharam para criar esta realidade social da que hoje nos gloriamos. Outros milhões, disseminados por todos os âmbitos do balão, trabalham para sustentá-la. Sem eles, não ficariam mais do que entulhos dela dentro de cinquenta anos. Até o pensamento, até a invenção, são fatos coletivos, produto do passado e do presente. Milhares de inventores prepararam o invento de cada uma dessas máquinas, nas quais admira o homem seu gênio. Milhares de escritores, poetas e sábios trabalharam para elaborar o saber, extinguir o erro e criar essa atmosfera de pensamento científico, sem a qual não tivesse podido aparecer nenhuma das maravilhas de nosso século. Mas esses milhares de filósofos, poetas, sábios e inventores, não falam sido também inspirados pelo labor dos séculos anteriores? Não foram durante sua vida alimentados e sustentados, assim no físico como no moral por legiões de trabalhadores e artesãos de todas classes? Não adquiriram sua força impulsiva no que lhes rodeava? Ainda mais: cada nova invenção é uma síntese resultante de mil inventos anteriores no imenso campo da mecânica e da indústria. Ciência e indústria, saber e aplicação, descoberta e realização prática que conduz a novas invenções, trabalho cerebral e trabalho manual, idéia e labor dos braços: tudo se enlaça. Cada descoberta, cada progresso, cada aumento da riqueza da humanidade, tem sua origem no conjunto do trabalho manual e cerebral, passado e presente.
Então, que direito assiste a ninguém para apropriar-se a menor partícula produtiva desse imenso tudo e dizer: Isto é apenas meu e não nosso?"

Livro: A conquista do pão

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