02/16/2023
Parece que a Globo escolheu um tema para esse BBB. Esperamos que a decisão de trazer metade do elenco de pessoas pretas seja permanente, que no programa de maior audiência do Brasil represente mais fidedignamente essa sociedade a partir de agora.
Temos visto cenas revolucionárias, finalmente na TV aberta, no horário nobre. Temos compreendido sobre diferentes tipos de cabelo, normalizado penteados, entendido a diferença dos tons de pele, e sentindo mesmo de casa o poder da ancestralidade. A luta contra o racismo finalmente chegou na Globo.
É de arrepiar perceber uma mulher preta só compreendendo que se é ali, ao vivo na TV com quase 30 anos.
Por outro lado seguimos vendo o racismo estrutural escancarado no julgamento dos participantes dentro da casa, e parece que também fora dela.
vem sendo julgado em excesso por estar jogando o mesmo jogo, diria até com mais ética que a maioria dos outros jogadores. Parece haver um exagero ao julgar Fred, homem preto, orgulhoso de sua cor de pele, libertador e relembrador do poder de sua raça, fortalecendo as vozes pretas da casa, em especial as femininas. Doutor, gay, assertivo, expansivo e ético, parece incomodar mais do que quem joga sujo de forma escancarado, mas é loiro de olhos azuis. A esses os erros cabem perdão e segundas chances, a Fred o paredão e as flechadas.
black diz algo fora de tom, usa palavras inadequadas, mas parece ser muito pior do que as palavras usadas por outras pessoas brancas.
Por duas semanas consecutivas 2 mulheres pretas fortes saíram no paredão.
direta, forte, vivida, assertiva, era “grossa”, a ela cabia palavras doces e femininas. O brasileiro não está acostumado a cultura de se dizer o que quer ou não de forma direta, parece termos a oportunidade de aprendermos sobre isso.
Essa é a reflexão, o espaço está sendo alcançado, mas temos um longo caminho para atingir o pensamento social em sua estrutura.