23/03/2026
A APROVI manifesta sua profunda indignação diante do brutal assassinato de Dayse Barbosa Mattos, comandante da Guarda Municipal de Vitória, morta na madrugada desta segunda-feira. Sua trajetória, marcada pelo serviço público e pela liderança, foi interrompida de forma trágica. Dayse deixa uma filha de sete anos, mais uma vítima indireta de uma violência que segue devastando famílias.
Seu nome não pode ser reduzido a estatística. Deve ser lembrado como um marco, um chamado urgente à transformação coletiva. A responsabilidade é de toda a sociedade, embora a gravidade da naturalização do ódio e do controle sobre o corpo feminino exija, também, respostas firmes e estruturadas do Estado.
Não se trata de um fato isolado, mas de um padrão que insiste em se repetir ,e que revela falhas estruturais na forma como enfrentamos a violência.Estamos falhando quando atuamos apenas após a tragédia.Estamos falhando quando não enfrentamos as causas profundas desse fenômeno.
Há uma contradição evidente: seguimos investindo majoritariamente em respostas penais, enquanto negligenciamos a prevenção, especialmente no campo da saúde mental, da educação emocional e da discussão séria sobre masculinidades.
A violência também é construída no cotidiano, nos discursos de ódio, na normalização de conteúdos que reforçam a dominação e o desprezo pelas mulheres, na influência de narrativas extremistas e nas “piadas” que banalizam o desrespeito. O que parece pequeno, repetido ao longo do tempo, legitima o inaceitável.
É imprescindível que instituições públicas ,em especial as corporações, assumam seu papel nesse debate. Falar sobre masculinidades não é acessório: é parte central da prevenção da violência.
A violência não começa no ato extremo. Ela é construída ao longo do tempo, na cultura, nos silêncios e na ausência de políticas eficazes.O resultado é devastador: vidas interrompidas, crianças marcadas, famílias destruídas e um Estado que chega tarde demais.
Que a memória de Dayse Barbosa Mattos nos mova.Não basta lamentar.É preciso enfrentar as causas.