A Chapa ‘Unidade Na Luta’ nasceu de uma sensação compartilhada por diferentes estudantes, entre calouras/os e veteranas/os do curso de História - UFES, de que a participação no movimento e ambiente estudantis de nosso curso ainda se faz impermanente. Não obstante a todas as inovações políticas obtidas nos últimos semestres letivos, o perfil de graduandas/os em História segue transitando entre as c
ondições de: ‘não se achar capaz de compreender o processo por ter acabado de chegar’ e; o ‘não conseguir participar do mesmo porque está se formando’. Tamanho esvaziamento — apontamento grave de se dizer — não é fenômeno nosso, estritamente. A democracia segue, ampla e seriamente, sendo desafiada e/ou desencorajada em nosso País: o que nossa história diz a esse respeito? É preciso, e possível, modificar essa lógica e ressignificar nossa atitude. É competência do Movimento Estudantil promover a inclusão de todas e todos os estudantes — independente da participação, posição ou histórico dentro do próprio processo —, entender e atender suas demandas; ouvir e repercutir suas vozes. Em outras palavras, ainda que integrem ou não um coletivo, grupo ou partido político, a presença das/os estudantes é primordial para a discussão e legitimação das decisões do nosso curso. Percebemos que o Centro Acadêmico Livre de História – CALHIS – tem existido para além das reuniões, graças aos notáveis esforços de muitas/os que constroem o curso cotidianamente. Queremos ampliar essa presença; fazer com que o centro acadêmico caminhe ao lado das/os estudantes, que organize uma agenda em que consiga debater a produção de conhecimento em nosso Departamento, a carreira historiadora, sobretudo no que toca docência. Acreditamos que somente um movimento presente e agregador, será capaz de se mostrar propositivo, gerando avanços a vivência estudantil. Para que o CALHIS seja lugar de interação e mobilização, é preciso estar presente, principalmente, no dia-a-dia estudantil. A participação e construção do curso virá de todas/os, não só de um pequeno círculo que delibera em isolamento. Abrir-se a multiplicidade das/os estudantes e ouvir as opiniões dissonantes é exercitar uma democracia efetiva, capaz de construir espaço e demandas estudantis que transponham assembleias e reuniões. Nesse sentido, ressalta-se a diferença entre e o que é a Entidade CALHIS e o que é a Gestão. A primeira precisa conservar sua autonomia, ao passo que cultiva a autossuficiência política por parte do corpo discente, ainda que a última apresente seus pontos de vista. É compromisso nosso corroborar a importância do diálogo entre estudantes e o centro acadêmico. Essa postura implica em utilizarmos de fato esta ferramenta tão nobre que nós, diferente de todas as outras graduações, somos únicas/os a se especializar: o conhecimento histórico. Para além de ser habilitados a falar atrás de nossas mesas intelectuais, podemos ser presença política, sobretudo pedagógica. Isso se começa retomando os espaços e pautas do nosso curso. Enquanto estudantes de História, precisamos com insistência problematizar nossos meios e práticas para podermos qualificar nossos debates e ações. Algumas questões que tocam ao nosso curso talvez não estejam sendo debatidas satisfatoriamente. É preciso que o CALHIS aumente sua rede de comunicação com os estudantes e com as entidades que, por exemplo, ocupam o CCHN, para que um melhor aproveitamento do ambiente universitário seja feito por todas/os. Graduandas/os do período noturno frequentemente se sentem mal e às vezes nada representados pelas instituições estudantis, pois a maioria só tem tempo de participar da aula em si e, a menos que se abstenha de sala, perde os debates e deliberações que ocorrem. Precisamos construir meios de participação abertos e preocupados com essa condição, pois uma representação legítima se faz com a inclusão de todas/os estudantes. Rodas de conversa, reuniões amplamente divulgadas, ouvidoria e plebiscitos internos, são ótimas iniciativas. Uma comunicação assertiva entre nós e o corpo docente poderá facilmente coadunar nossos encontros ordinários ao calendário letivo. Para garantirmos a participação do corpo de estudantes de História e, por conseguinte, um movimento mais democrático, frente a tempos antidemocráticos, faz-se crucial a luta contra as opressões. Combater o machismo é abrir espaço para mais mulheres participarem da vida estudantil; aprofundar-se nas discussões sobre políticas afirmativas de acesso/permanência na Universidade, é combater o racismo e estar ao lado da juventude negra a quem são negados os espaços nesta sociedade violenta e segregadora; do mesmo modo, combater a homofobia é possibilitar a expressão de todo e qualquer tipo de sexualidade, para além de quem se enquadra na heteronormatividade. Por isso, apoiaremos veementemente os coletivos feministas, os núcleos do movimento negro, e a organização de coletivos LGBTQ, tendo o diálogo com tais entidades como prioridade. A interação imparcial com o Departamento e o Colegiado se faz fundamental para apresentar e avançar em diversas demandas, como estabelecer olhares atentos e críticos a acontecimentos importantes como a recente alteração da grade curricular aprovada recentemente. A defesa das questões estudantis, serão cotidianamente estimuladas na figura das/os Representantes Discentes. Além de organizar atividades políticas e acadêmicas, avaliamos que o centro acadêmico deve ter maior envolvimento no apoio a iniciativas de estudantes que se propõem a pensar em espaços de socialização e manifestação. A promoção de debates, apresentações artísticas, dentre outras atividades culturais, valorizam a descontração e interação, ao passo que garantem a ocupação dos espaços estudantis pelas/os estudantes. Consideramos fundamental que o CALHIS desenvolva atividades sobre a formação historiadora num sentido amplo. Debater a função de historiador/a e como isto se insere na sociedade nesta conjuntura, não nos permite esquecer da Medida Provisória nº 746 perpetrada pelo governo golpista instalado em nosso País, um ataque frontal à docência. A unidade na luta acontece quando direcionamos nossas frentes à denúncia contra o desmonte do ensino público. Em coesão de vozes, nos colocamos a disposição para construir um movimento estudantil libertador.