O município de Vitória da Conquista se originou do Arraial da Conquista, este fundado nos fins do século XVIII pelo bandeirante João Gonçalves da Costa, que subjugou a população nativa e deu início ao Arraial com a construção das primeiras casas de taipa ao redor do local marcado para a construção da igreja. Em 1820, quando houve a instalação da Vila de Caitité, o Arraial da Conquista passou a ser seu distrito, recebendo o nome de Distrito da Vitória.
Foi somente em 1840, em virtude da Lei 124 de 19 de Maio, sancionada pelo então presidente da província da Bahia, Tomás Xavier Garcia d'Almeida, que o Distrito da Vitória foi desmembrado de Caitité, sendo elevado à condição de Vila, com a consequente instalação da sua Câmara Municipal no dia 09 de novembro do mesmo ano. A sessão de instalação da Imperial Vila da Vitória e de sua Câmara Municipal se deu numa das melhores residências da localidade na época - a casa do Cel. Teotônio Gomes Roseira. O prédio, tempos depois, foi adquirido pela prefeitura, passando a chamar-se “Paço Municipal”, onde veio a funcionar a Prefeitura, o Fórum e a Câmara Municipal.
Segundo apontamentos históricos, naquele dia histórico os vereadores proferiram o seguinte juramento: “Juro aos Santos Evangelhos desempenhar as obrigações de Vereador desta Imperial Vila da Vitória, de promover o quanto em mim couber os meios de sustentar a felicidade pública”.
Após a queda do Império e implantação da República em 1989, mais precisamente em junho de 1891, a Imperial Vila da Vitória passou a ser chamada de Cidade de Conquista, deixando de ser Vila, passando ao status de Cidade. Somente através do Decreto Estadual n° 141 de 31 de dezembro de 1943, que o município passou a denominar-se Vitória da Conquista.
O sobrado de Maneca Santos atualmente abriga a Câmara Municipal de Vitória da Conquista. O prédio foi adquirido no governo de José Fernandes Pedral Sampaio na década de 1960, para a instalação da Câmara e do Fórum, enquanto a prefeitura foi instalada no prédio do Quartel de Polícia.
O golpe político promovido por Getúlio Vargas em 1937 atingiu em cheio o município de Conquista, seu então prefeito Florentino Mendes de Andrade perdeu o cargo, sendo, Joaquim Fróis de Caires Castro, nomeado seu substituto no dia 20 de novembro de 1937. Com o golpe, houve a dissolução do Congresso Nacional e a Câmara Municipal de Vitória da Conquista, juntamente às demais Câmaras Municipais em todo o Brasil permaneceram em recesso de 1937 a 1946. Nesse ínterim, a investidura no poder executivo em todo o país se deu mediante nomeação, sem qualquer participação das Câmaras Municipais. Em 1938, em Conquista tivemos a nomeação de Luiz Regis Pacheco Pereira para o cargo de Prefeito, que governou o Município durante toda a vigência do Estado Novo. Em fins de outubro de 1945, Getúlio Vargas foi retirado da Presidência da República pelas Forças Armadas.
Ocorre que, com a Constituição de 1946, foi restabelecido o princípio federativo com a garantia de autonomia para os Estados e Municípios, prevalecendo a independência dos três Poderes da União. O Poder Legislativo voltou ao cenário político brasileiro e as eleições passam a ser diretas em todos os níveis, garantida, inclusive, a liberdade de organização partidária. Logo, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista retomou plenamente suas funções legislativa, administrativa e fiscalizadora.
A Ditadura Militar, que se instalou após o golpe de 1964, promoveu no dia seis de maio daquele ano, sob forte escolta policial e sem a presença do público, a realização de uma sessão extraordinária na Câmara de Vereadores, para cassar o mandato do prefeito José Fernandes Pedral Sampaio e suspender os seus direitos políticos. Na oportunidade, assumiu a chefia do Executivo, Orlando da Silva Leite (Presidente da Câmara).José Fernandes Pedral Sampaio
Além de cassar o mandato do Prefeito Pedral Sampaio, a Ditadura Militar marcou fortemente o Legislativo de Vitória da Conquista, quando, num cenário de perseguições, torturas e desaparecimentos, promoveu o assassinato do vereador Péricles Gusmão Régis, que, no dia 12 de maio daquele mesmo ano, após ter sido recolhido por soldados, foi encontrado morto no quarto sanitário do Quartel da Polícia Militar. Durante a Ditadura Militar, vários prefeitos tomaram posse.Péricles Gusmão Régis
Nas eleições de 1982, com a Ditadura Militar já no fim, mais uma vez Pedral Sampaio foi eleito, tendo ele tomado posse no dia 31 de janeiro de 1983 e governado até março de 1987, quando assumiu a pasta da Secretaria dos Transportes no Governo de Valdir Pires. Naquela oportunidade, o governo municipal ficou a cargo de Hélio Ribeiro, que governou de março de 1987 a agosto de 1988, época do retorno de Pedral.
O fato é que, somente com o fim da Ditadura Militar e a promulgação da Constituição Cidadã, Carta Magna de 1988, o povo brasileiro teve seus direitos restituídos e garantidos, voltando a haver liberdade para o povo e seus representes políticos.
Reconhecendo a importância do ex-prefeito, Pedral Sampaio, enquanto ícone da resistência contra a Ditadura Militar, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista, em audiência pública realizada no dia 11 de dezembro 2009, entregou ao ex-prefeito o Título de Cidadão Emérito.
Em 20 de agosto de 2013, também em audiência pública, a Câmara simbolicamente restituiu ao ex-prefeito Pedral Sampaio o mandato de Prefeito que lhe foi usurpado pela Ditadura Militar. Na mesma oportunidade prestou-se homenagem póstuma ao ex-vereador Péricles Gusmão Régis, foi instaurada a Comissão Municipal da Verdade, a fim de apurar violações de direitos humanos cometidas durante a Ditadura Militar, e, sancionada a lei 1.920/13 que instituiu o dia 06 de maio como o “Dia da Memória” em Vitória da conquista.
Assim, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista segue desenvolvendo um trabalho democrático enquanto órgão representante do povo, atuando de forma transparente no seu papel legislativo, administrativo e fiscalizador dos atos do poder Executivo.
Cumpre destacar que, desde sua criação, a Câmara Municipal vem desempenhando importante papel no decorrer da história política-social do Município de Vitória da Conquista, isso se faz notório seja na elaboração de importantes leis tais como a Lei n°61/64 que criou o primeiro departamento de Saúde Pública e Assistência Social no Município; Lei n° 101/76 que criou o primeiro Conselho Municipal de Educação; Lei n° 528/90, “Lei Orgânica do Município de Vitória da Conquista”; Lei n° 632/92 que criou o primeiro Regime Jurídico dos Servidores Públicos Municipais; Lei 691/92 que criou a Secretaria municipal do Meio ambiente; Resolução 48/2008, “Regimento Interno da Câmara Municipal de Vitória da Conquista”, dentre tantas outras leis, decretos e resoluções; seja quando acompanhou de perto a quebra do monopólio do sistema de transporte coletivo na cidade, já em meados de 1997.
Há de se considerar também a iniciativa feminina na participação política conquistense a qual se fez notar ainda na República Velha, quando, por exemplo, foi determinante para pôr fim à Guerra entre Meletes e Peduros, já que, não fosse a intercessão das ilustres senhoras Laudicéia Gusmão, Henriqueta Prates dos Santos, Eufrosina Freitas Trindade e Joana Angélica Santos, para que a luta cessasse, o saldo de mortos na guerra certamente teria sido bem maior. Em 1936, Jeny Fernandes de Oliveira Rosa, mais conhecida como Dona Zaza, foi a primeira mulher a assumir uma cadeira na Câmara Municipal. Em 1975, a Casa elegeu Ilza Vianna Matos, sua primeira presidente mulher. Em 1990 foi Carmen Lúcia, que elegeu-se suplente de vereador, chegando a assumir o cargo por várias vezes. Carmem Lúcia foi pioneira ao implantar a primeira Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (C**A) do município. O plenário da Câmara leva o seu nome, em homenagem ao trabalho desempenhado na Casa. Outras vereadoras também são exemplo da participação feminina no Poder Legislativo municipal, dentre elas: Lúcia Rocha, Irma Lemos, Lygia Matos, Nildma Ribeiro e Viviane Sampaio.