19/09/2020
Setembro Amarelo: Saúde Mental requer mais atenção durante a pandemia
Na nossa cultura é comum as pessoas recorrerem atendimento à saúde quando se trata dos aspectos físicos (do corpo). Porém, quando o assunto é saúde mental, há resistência, preconceito e relutância que costumam ser maiores ao procurar atendimento especializado. Dia 10 de Setembro é o Dia Mundial de prevenção ao suicídio e durante todo o mês é divulgada a campanha Setembro Amarelo. Uma campanha para conscientização da importância da saúde mental e prevenção de suicídio.
Nesse ano, a preocupação acerca desse tema é ainda maior, pois com a chegada da pandemia de covid-19 houve uma intensificação das tensões, medos e conflitos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o medo do Covid-19 afeta negativamente a saúde mental de milhões de pessoas. A pandemia provocou crises de stress, intensificadas pelo medo da contaminação, pela possível perda de entes queridos e pelo isolamento social repentino.
É inerente ao ser humano apresentar vários sentimentos (alegria, tristeza, medo, entre outros) no decorrer da vida, porém é preciso um equilíbrio. A questão é como enfrentar e lidar com os conflitos internos e externos. Ainda existem muitas dúvidas de como identificar que alguém próximo precisa de ajuda e como e onde buscar essa ajuda. Entrevistamos um psiquiatra, uma psicóloga e uma médica para desvendar os tabus relacionados ao suicídio.
- Quais expressões de ideias ou intenções suicidas?
“É importante esclarecer que a pessoa não tem necessariamente como objetivo a morte, mas sim o fim da aflição pela qual está passando, tentar se livrar da dor, do sofrimento intenso e insuportável. Pode afetar indivíduos de diferentes origens, idades, classes sociais, países e entre outros. A pessoa, pode manifestar e dar alguns sinais que precisa de atenção e ajuda. São eles: “vou deixar vocês em paz”, “quero dormir e nunca mais acordar”, “é inútil tentar fazer algo para mudar”, “quero me matar, não estou aguentando”, entre outros. Não julgue, não condene, não opine, não banalize o que a pessoa tem dito. Incentive a procurar ajuda profissional, caso perceba que há risco iminente, procure imediatamente ajuda dos profissionais a área da saúde e não deixe a pessoa sozinha”, diz Dra. Virgínia.
- A espiritualidade realmente influencia no tratamento psicológico?
“O corpo, a mente e o espírito são elementos que compõem a saúde segundo a própria OMS. O reconhecimento que o Espírito existe fora do corpo já é assunto de Faculdades Médicas. A Medicina do futuro nos reserva ainda muitas descobertas, talvez uma delas seja o tratamento do Espírito tendo como consequência o tratamento do corpo físico. Isso já tem sido evidenciado por alguns estudos. Pacientes que alegam ter crenças religiosas, independentemente de quais, evoluem melhor do que aqueles que negam ter qualquer vínculo com religiões. A taxa de suicídios em indivíduos que admitem crenças religiosas é estatisticamente menor. Pacientes oncológicos também têm melhor evolução. Enfim, hoje a medicina amplia seus horizontes, e parece que a Espiritualidade, isto é, o cultivo de bons sentimentos, como o perdão e o bem-querer; o fato de não sentir inveja, não odiar, não guardar ressentimentos, é tudo muito positivo para saúde do indivíduo”, esclarece a clínica médica, Dra. Daniela Falqueto.
- Diante de uma pessoa sob risco de suicídio, o que se deve fazer?
“É importante que não haja julgamentos, conselhos e opiniões. Essa pessoa deve ajudá-lo e encoraja-lo a procurar ajuda profissional de psicólogos e psiquiatras. Naqueles casos em que o suicídio passa a ser uma possibilidade iminente o paciente e/ou acompanhante deve buscar um serviço de Pronto Atendimento. Na eventual impossibilidade destes serviços, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito através do número de telefone 188”, finaliza Dr. Cláudio.