25/05/2026
O Sindjor-PI manifesta preocupação diante das movimentações de setores patronais da comunicação que buscam aproveitar o debate nacional sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho para questionar e enfraquecer a jornada especial dos jornalistas.
A jornada de 5 horas diárias da categoria, prevista na legislação trabalhista, não é um privilégio. Trata-se de uma conquista histórica construída a partir das características específicas do exercício profissional do jornalismo, atividade marcada por intensa pressão psicológica, prazos permanentes, elevado esforço intelectual, exposição cotidiana a situações de conflito, violência e sofrimento humano, além do trabalho em horários irregulares, noturnos, finais de semana e feriados.
Ao longo das últimas décadas as transformações tecnológicas ampliaram significativamente as exigências sobre a categoria. Hoje, um mesmo profissional frequentemente acumula funções de apuração, redação, fotografia, gravação, edição, publicação e monitoramento de múltiplas plataformas digitais, em uma rotina cada vez mais acelerada e desgastante.
Diversos estudos apontam o crescimento dos índices de ansiedade, depressão, síndrome de burnout e outros adoecimentos relacionados ao trabalho entre profissionais da imprensa. Nesse contexto, a jornada especial permanece como um importante mecanismo de proteção à saúde física e mental dos jornalistas e, consequentemente, à qualidade da informação produzida para a sociedade.
O Sindjor-PI reforça o posicionamento da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ): a discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil não pode servir de pretexto para a retirada de direitos históricos da categoria. Reduzir a escala de trabalho deve significar mais qualidade de vida para os trabalhadores, e não mais precarização das relações de trabalho.