30/11/2022
Falsificações na Perícia Grafotécnica.
Falsificação sem imitação - Com disfarce ou Sem Disfarce.
A falsificação sem imitação ocorre nos casos em que a vítima perde ou tem seus documentos furtados. O falsário só possui o nome da vítima desconhecendo seus padrões gráficos da vítima, então, o falsário escreve o nome da vítima com o seu próprio grafismo. Esse tipo de falsificação é facilmente identificado com uma simples análise onde será possível observar que a peça questionada possui gênese conflitante em reação a assinatura padrão.
Falsificação de Memória.
A falsificação de memória é aquela em que o falsário memoriza determinada escrita ou assinatura de sua vítima, procurando reproduzi-la sem os padrões gráficos no momento da falsificação. No entanto a memória só guardará os aspectos gerais do grafismo, gestos mais aparentes, como as letras iniciais e traços ornamentais que arrematam as assinaturas, mas não o conjunto todo.
Falsificação por imitação servil ou modelo a vista.
Aos ensinamentos de Falat (2003) a imitação servil é a falsificação com o modelo à vista realizada por cópia de um padrão disponível. Durante a cópia o falsário é sujeito a pausar sua escrita para olhar o modelo novamente, o que resulta em paradas no traçado. Por mais que a peça questionada apresente uma semelhança formal, será evidente na escrita o traçado moroso, tremores, indecisões e gênese conflitante.
Falsificação por decalque ou sobreposição.
Podem ser feitas de modo direto ou indireto.
No decalque direto, a fraude é realizada por transparência diretamente no papel, sem qualquer esboço prévio.
No decalque indireto, a fraude é realizada indiretamente, através de esboço feito à ponta seca por carbono (ex.: papel-carbono), transferindo o traçado da assinatura ao documento para depois recobrir o esboço com o instrumento escrevente” (D’ÁLMEIDA, 2015).
Falsificação por imitação livre ou exercitada.
O fraudador passa por rigoroso treinamento com o propósito de reproduzir o padrão gráfico da vítima sem utilizar o recurso da consulta. O grafismo empregado passa a ser executado sem interrupções, indecisões, retomadas do lançamento, tremores porém, não consegue reproduzir a gênese da vítima por ser privativa de cada punho. É com base no exame pormenorizado da gênese que o conferente descobre a fraude.
Del Picchia Filho, José - Tratado de Documentoscopia da Falsidade Documental
https://bit.ly/Grafotecnica-Elizabete