Senador Modestino Gonçalves
Pouco se sabe de fatos históricos dos primitivos habitantes desta cidade. Contam os historiadores do município que o seu povoamento teve origem com uma expedição realizada a mando do rei de Portugal, com a missão de procurar riquezas e escravizar índios na região, ou melhor, civilizar índios. Isso se deu no século XVIII. Coube ao Bandeirante Antônio Magalhães de Barros, no ano de 1725, a descoberta do Sítio a margem direita do Rio Araçuaí, onde se desenvolveu o arraial, hoje cidade de Senador Modestino Gonçalves, cujo o nome é uma homenagem que o governo mineiro fez ao Senador da República, Modestino Gonçalves. Desde o inicio da formação do povoado, os primeiros habitantes dedicaram-se a agricultura, provavelmente motivados pela grande fertilidade da terra, produzindo gêneros de primeira necessidade para seu sustento e abastecimento dos núcleos mineradores mais próximos, principalmente do Arraial do Tejuco, que era um florescente centro consumidor. Assim é que se foi organizando, desenvolvendo e firmando o núcleo de povoação nascente. Joaquim Felício dos Santos, em seu livro de Memórias do Distrito Diamantino, cita que em 1734 já floresciam importantes povoações, dentre elas “ Araçuaí “, assim denominada em decorrências das proximidades com o Rio Araçuaí, que banha o município. Em 1774, o Arraial de Mercês de Araçuaí se desenvolvia, produzindo boa parte daquilo que era consumido em Diamantina. Confirma isso a citação feita por Saint-Hilaire, em 1817: “ Quase todas as casas de Mercês de Araçuaí pertencem a lavradores. Que aí só vêm aos domingos e dias de festas, durante a semana, dias de trabalho, o povoado f**a deserto.” Em 1843, foi o povoado elevado a freguesia, pela Lei n° 1143, recebendo o titulo de “ Nossa Senhora das Mercês do Araçuaí”, por causa da Padroeira do lugar, devoção essa que, segundo moradores antigos, foi trazida de Portugal pela esposa do Bandeirante Antônio Magalhães de Barro, receosa de um confronto entre os índios da bandeira e o índios da região. O local onde se construiu a primeira capela era chamado de “ Queijame “, hoje com a denominação de Pirôco. A igreja Nossa Senhora das Mercês que foi demolida, era uma construção remanescente do Período Colonial. Em 1891, a povoação foi elevada a categoria Vila, com o nome de Mercês de Araçuaí. Depois de 32 anos, recebeu a denominação de Calabar, porque o primeiro chefe politico, Júlio Elias Garzedim, também conhecido como Júlio Turco, era proprietário da Fazenda Calabar, localizada nos arredores da Vila e que ainda existe. Segundo Historiadores, Júlio Turco alterou quase toda a toponímia antiga Mineira, preocupado em destruir toda a denominação de origem religiosa contrária á fé que professava. Pelo Decreto-Lei 148, de 17/12/38, a denominação foi novamente alterada para Mercês de Diamantina, distrito pertencente a Diamantina. Senador Modestino Gonçalves tornou-se cidade e município autônomo pela Lei N° 2764, de 30/12/1962. A instalação se deu no dia 1° de março de 1963, com a atual denominação, sob a administração do intendente Sóter Pádua, diamantinense, nomeado pelo governo do estado de Minas Gerais. Inicialmente, organizou a Prefeitura, mas a sua gestão durou apenas 6 meses, pois ainda em 1963 houve a primeira eleição para prefeito, sendo eleitos Raimundo de Oliveira Canuto, tendo como Vice-Prefeito Alfeu de Araújo Moreira.