16/10/2023
Como diria o Chaves: era melhor ter ido ver o filme do Pelé!
Porque a semana do Educador de São Vicente, do ponto de vista formativo, mais uma vez deixou a desejar.
Pra começo de conversa, bem questionável o mérito de alguns palestrantes que, por ética, melhor nem mencionar.
Alguns abordaram temas sem pertinência alguma com a Educação, outros até eram interessantes, mas estavam deslocados por área de atuação ou nível de ensino da maioria dos espectadores.
E dentre os palestrantes bons, a maioria teve o tempo de apresentação severamente encurtado porque seu prefeito e dona secretária roubaram a cena, usando o palco para fazer seus merchans políticos recheados de falácias e fantasias.
Além disso, muitas das experiências narradas por alguns palestrantes são aplicadas em colégios particulares, em regiões do país com bons níveis de desenvolvimento humano e renda per capita, em condições materiais didático-pedagógicas que nem de muito longe se assemelham às condições com que lidamos na rede municipal de São Vicente.
Com certeza, há profissionais da área da Educação, das mais diversas Licenciaturas, que dariam formações de verdade, bem mais realistas e agregadoras de conhecimento, a preço de passagem, alimentação e estadia.
Já esses medalhões que a Prefeitura contratou pra glamourizar seu espetáculo, quanto devem ter custado?
Quanto deve ter custado também o aluguel de um clube particular com vista pra praia, piscina, e salão de shows que, definitivamente, não são o ambiente e a estrutura mais apropriados para o que deveria ser um encontro formativo.
As formações precisam ser específicas e divididas por áreas de ensino, e realizadas em escolas ou então em auditórios públicos.
São Vicente dispõe de auditórios na Câmara Municipal, na Prefeitura, da Secretaria de Cultura, auditórios de instituições estaduais que o governador poderia fornecer na “broderagem” pro prefeito que chorou no seu colo.
Mas prevaleceu a marca registrada de uma gestão que se preocupa acima de tudo com o marketing e com a promoção da imagem.
Que decreta estado de emergência no município para tentar justificar cortes de investimento, enquanto desperdiça com eventos nababescos e supérfluos, visando apenas produzir conteúdo publicitário e divulgar falácias sobre supostos grandes feitos da gestão.
Quando deveriam estar investindo em melhorias estruturais de verdade nas escolas, com SALÁRIO DIGNO para os professores da rede que acumulam 50% de defasagem salarial.
Melhoria estrutural é aparelhar todas as escolas com acesso à internet e com câmeras.
Melhoria estrutural é acabar com as terceirizações, abrir concursos e nomear milhares de inspetores, controladores de acesso, auxiliares de limpeza e manutenção, merendeiras, secretárias, PROFESSORES DE APOIO PARA ALUNOS DE INCLUSÃO.
Melhoria estrutural se faz com valorização salarial e com formação acadêmica qualificada e continuada dos professores, com investimentos em estrutura e recurso nas escolas, com material humano qualificado, bem remunerado e em número adequado para dar conta de suas funções no ambiente escolar.
E NADA DISSO tem sido o PROPÓSITO de uma gestão marcada por precarização dos servidores e dos serviços públicos, rebaixamento salarial, sobrecarga de trabalho, acúmulo de funções, assédios, terceirizações e tudo mais que é de praxe numa receita de gestão neoliberal como a de Kayo Amado e Nivea Marsili.