09/08/2024
Uma nênia para Ricardo Amadasi
Hoje, 09 de agosto de 2024, após dias de calor intenso fora de estação, o dia fez-se cinza, na exata tonalidade da tristeza. Na manhã de hoje, Ricardo Amadasi, um luminoso artista e ser humano excepcional, não acordou. Partiu serenamente, deixando um legado artístico grandioso que, infelizmente, não obteve o reconhecimento pleno que merecia.
Há duas horas que me encontro aqui, olhando o vazio do cinza, tentando escrever algo sobre a morte daquele que, em vida, tanto foi motivo de vários de meus textos ao longo de mais de três décadas quando, parceiros, engendramos encontros, conversas, catálogos, entrevistas, arte e poesia. Hoje, as palavras saem trôpegas, sem brilho.
Não, não irei ao seu funeral e nem mesmo sei onde será velado seu corpo, assim como não o vi nos últimos anos do fim. A decrepitude física dos seres humanos me deprime e, por um impulso que não consigo vencer, covarde e inconscientemente, vou me afastando/despedindo daqueles a quem muito amei e admirei.
Foi assim com Amadasi. A última vez que nos vimos foi em 2019, na livraria Alpharrabio, por ocasião do lançamento do livro de Julio Tavares sobre sua obra. Encontrava-se abatido e sem o antigo vigor físico nem o brilho intelectual. Ali, sem que eu soubesse, houve uma despedida silenciosa e profunda.
Suas obras (duas na minha residência e duas na livraria Alpharrabio) substituirão sua presença física, a lembrar, a lembrar... Foi uma grande honra ser sua contemporânea, ter vivido no mesmo espaço de tempo e lugar.
Algumas fotos que encontrei no meu desorganizado arquivo de imagens em momentos marcantes de nossa convivência artística.