14/11/2025
Um grito pelo que esta por vir
14 de novembro de 2025
É consensual que o planeta está sendo destruído; em franca aceleração. O aumento assustador da temperatura média do planeta é um sinal inequívoco de que o apocalipse climático está próximo. A meta limite de 1,5 graus celsius estabelecida para 2050 já caiu em 2024 - um assombro. Climatologistas do mundo inteiro são unânimes ao afirmar que 1,7 graus de aumento já é o suficiente para causar desastres climáticos de larga escala até pouco tempo atrás impensáveis. Perguntados sobre a hipótese de um aquecimento de 2 graus, todos concordam em afirmar que a vida no planeta seria insustentável.
Diante de um cenário absolutamente aterrador, é curioso que a imprensa e os meios de comunicação em geral não alertem para a iminência do caos. Não se trata mais de uma distopia, um desequilíbrio distante relegado aos polos do planeta com a fauna em perigo de ursos, pinguins e afins. O que há 30 anos era matéria prima para roteiros de ficção científica do cinema, hoje é uma brutal realidade, um fantasma presente que por enquanto (e por falta de alertas) ainda não foi devidamente percebido. O tempo para debates e metas estabelecidas já passou. A humanidade precisa neste exato momento partir para a ação.
A 30.a Conferência da Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, realizada em Belém do Pará, reuniu diversos chefes de estado entre outras autoridades mundiais esta semana no intuito de alertar a comunidade internacional sobre a urgência de se tomar atitudes antes de que o clima do planeta seja dragado por um caminho sem volta. Sem dúvida ou discussões, a Conferência tem seus méritos e seus objetivos são os mais nobres possíveis. A ONU acerta em promovê-la, mesmo que para apenas alertar os países para aplicação de políticas de sustentabilidade e proteção do clima. Entretanto, é pouco.
Não por culpa da ONU, ensaio de uma espécie de governo mundial. Mas por conta da ausência de países determinantes para que a curva do aquecimento global seja freada. A ausência dos Estados Unidos na COP30 esvazia qualquer tipo de debate sobre o meio ambiente. Eles são os maiores responsáveis pela emissão de gases tóxicos na atmosfera e certamente seriam fundamentais nas políticas (urgentes) a serem implementadas para “esfriar” o planeta a médio prazo. Os Estados Unidos dão a entender que este problema não é deles e que não se importam em poluir a atmosfera sem o menor pudor.
Além dos americanos, é importante imputar a culpa pelo desastre climático à civilização e ao capital. A produção e acúmulo de riquezas, adornados pelo chamado progresso e tecnologia são os principais responsáveis pelo atual estado de coisas. O Século XX é uma prova incontestável do regime de culpa destes acusados, desde a queima do carvão às turbinas da aviação moderna. A indústria, a pecuária extensiva, o extrativismo, entre outros, agrediram ao largo de 100 anos a saúde atmosférica. É impossível não reconhecer os culpados.
Pelo menos, pela primeira vez, a COP30 deu voz aos povos indígenas, aos povos primitivos. Estes sim, antes da chegada da civilização, viviam harmoniosamente com a natureza, faziam parte dela. Nunca foram egoístas ao ponto de se sentirem mais importantes. Pelo contrário, entendiam que a floresta e o mundo eram essenciais, travavam uma relação da ordem do divino. Qualquer atitude deles, apesar da violência de algumas, são justificáveis. É uma reação, um grito, pelo que está por vir.
EC14112025