04/02/2016
Saída bicombustível na Bosch
[01.02.2016] / Por Marcelo Furtado / Revista Brasil Energia
O PROBLEMA
Para reduzir o impacto das tarifas no horário de ponta até seis vezes maiores, a unidade da fabricante de autopeças alemã Bosch, em Simões Filho (BA), conta com cinco geradores a diesel, com motores de 500 KVA cada, que são ligados, parcial ou integralmente, das 18 horas até as 21 horas todos os dias. Apesar de a medida minimizar em muito a conta de energia, o uso de diesel tem impacto ambiental e, nos últimos tempos, também financeiro, com a alta no preço do combustível.
A SOLUÇÃO
Quando o preço do diesel começou a subir em 2015, a empresa resolveu investir em uma tecnologia simples que permite usar o gás natural simultaneamente ao combustível líquido. Trata-se da implantação de um kit bicombustível, muito prática e sem intervenção nos motores, que permite adicionar até 70% de gás ao diesel.
RESULTADO
Em operação desde setembro de 2015, os motores com os kits passaram a operar com uma mistura de combustível que conta com mais de 50% de gás natural, a depender da carga da produção. Isso significa uma redução aproximada de 35% no custo total de combustíveis.
A fábrica de velas e componentes de ignição automotiva da alemã Bosch, em Simões Filho, na Bahia, quando adquiriu em meados de 2007 seus cinco geradores a diesel, de 500 KVA cada, não tinha em mente a operação em horários de ponta, época em que na região não havia diferenciação na tarifa. Pelo contrário, a motivação naquele momento era um desconto que a concessionária local dava a consumidores de médio e grande porte que investissem em alternativas de geração própria, sobretudo para uso em emergências.
E foi dessa maneira que tudo transcorreu nos primeiros anos de operação dos geradores, acionados durante os não muito incomuns apagões e apaguinhos na região.
Mas o tempo passou e a partir da última década o cenário de tarifação da energia mudou, resultando em valores para o horário de ponta até seis vezes maiores na Bahia, de R$ 1,43/kWh, em relação a R$ 0,24/kWh fora da ponta (sem ICMS). Isso teve a consequência lógica para a Bosch de direcionar os grupos geradores para a operação diária das 18 horas até as 21 horas.
Essa necessidade, apesar de ter resultado em economia considerável na conta de energia da fábrica – que consome 400 MWh/mês e tem demanda contratada de 950 kW –, fez também com que mais diesel fosse consumido, em uma média de 750 litros por dia. Esse custo extra afetava, como ônus, as metas de redução de emissões da empresa, em razão da alta carga poluente do diesel.
Durante um bom tempo a questão financeira pesou mais e a empresa aprendeu a conviver com o diesel durante as três horas do dia, assim como a grande maioria das empresas, condomínios e edificações comerciais que demandam geradores para horário de ponta ou para emergência.
No final de 2014, no entanto, a concessionária de gás da Bahia, a Bahiagás, já fornecedora do insumo para a Bosch empregar em seus fornos industriais, apresentou uma solução ainda incipiente no Brasil: os kits bicombustíveis, fornecidos por uma empresa instalada em Salvador, a MOG Energy Solutions, que representa a norte-americana Altronic. Trata-se de um conjunto simples de dispositivos que, adaptados ao gerador, sem necessidade de intervenção no motor, permite o uso de até 70% de gás natural misturado ao diesel.
Em 2015, a Bosch resolveu investir R$ 300 mil para fazer a adaptação nos cinco geradores, contratando a MOG para colocar os kits. A instalação, concluída em setembro, foi feita em quatro etapas. A primeira foi a colocação de um trem de gás na tubulação de entrada do gerador, que filtra, regula a pressão e faz a mistura gradual do gás natural na câmara de combustão. Depois, conectou-se nos dutos de admissão de ar, e antes do filtro de ar, os misturadores (mixers), que por sistema Venturi de sucção permitem que o gás entre com o ar dentro da turbina do motor diesel.
Além dessa intervenção principal, feita em poucos dias, são instalados sensores de controle e segurança para monitorar a temperatura dos gases de exaustão, a vibração do motor, a pressão de descarga dos turbocompressores, a entrada de ar na câmara de combustão e a perda de carga dos filtros de ar. Isso controla on-line a operação, por meio de painel de controle.
Depois que começou a operar com os kits, a Bosch notou uma substituição mínima de 50% do diesel, de acordo com o engenheiro responsável por utilidades, Marcelo Dorneles. Mas, segundo ele, para mensurar melhor, a empresa vai instalar medidor de gás e diesel em breve. Dorneles avalia que a operação com a mistura, que varia conforme a carga da produção, tem se mostrado normal, sem complicações.
O poder calorífico (PCI) dos dois combustíveis é praticamente igual, na faixa de 8.600 kcal/kg (gás natural) e de 8.500 kcal/kg do diesel. A vantagem imediata da mistura, porém, se dá na comparação do custo atual dos combustíveis. A Bosch hoje paga pelo gás natural da Bahiagás R$ 1,13/m3 e pelo diesel, R$ 2,72 por litro. O retorno sobre o investimento, com esses valores, é calculado em até dois anos. Com o bônus ambiental, a solução ganha ainda mais força, tendo em vista que o gás natural é muito mais limpo.
Fonte: http://brasilenergia.editorabrasilenergia.com/news/secoes/solucoes/2016/02/saida-bicombustivel-na-bosch-450215.html