22/10/2025
Em um ato de violação ao direito à moradia, a UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA quer despejar ao menos 14 familias da comunidade de São Lázaro, com apoio da Advocacia Geral da União, da Polícia Militar e da Polícia Federal.
A ordem de reintegração de posse chegou na comunidade da forma mais aterrorizante. No dia 13 de outubro, a UFBA mobilizou as forças de repressão do estado para intimidar a comunidade, ato que vai de encontro com o rótulo dado pela universidade ao local como sendo ponto de tráfico. Você não leu errado! Uma instituição pública de ensino criminaliza uma comunidade de moradores para justificar sua expulsão do território.
34 instituições, entre moradores, comerciantes, associações, coletivos de mulheres, instituições religiosas e da sociedade civil de Salvador, mas também de outros estados, assinaram juntas uma Nota de Repúdio Coletiva denunciando o covarde ataque da UFBA à comunidade e se colocando em defesa da regularização fundiária e o direito à moradia.
A pressão dos moradores, instituições da sociedade civil e da comunidade estudantil obrigou a UFBA recuar na decisão da ordem de despejo das famílias. No entanto, não podemos nos deixar enganar com o jogo de palavras juridicas que busca ludibriar a comunidade e negar efetiva participação no processo de reconhecimento e regularização fundiária das famílias.
A UFBA tem histórico de relação de reciprocidade com a comunidade de São Lázaro, seja por meio da presença dos estudantes e professores nos espaços de lazer e nas festas populares ou mesmo através de ações extensionistas e pesquisas de impacto social. A história mostra que a relação da UFBA com os moradores de São Lázaro pode ser pautada no respeito e, sobretudo, como instituição pública, atuando no fortalecimento da comunidade.
A comunidade de São Lázaro é formada por trabalhadores, na sua maioria negras e negros. No entanto, a ocupação dessa terreno remonta o início do século XVIII, portanto ainda no Brasil colônia, com a formação de um pequeno vilarejo usado para isolar os escravizados que chegavam sequestrado de África e, devido as condições desumanas, contraiam enfermidades contagiosas. (texto continua nos comentários)