HISTÓRICO DA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA ZEFERINA BEIRU
Inaugurada simbolicamente nos dias 28 e 29 de novembro de 2015, a Biblioteca Comunitária Zeferina Beiru já encontrava-se em construção desde meados de 2013, quando foram iniciadas as reformas do prédio e a arrecadação de livros para compor o nosso acervo. O prédio que hoje abriga a Biblioteca, o Centro Comunitário do Arenoso, teria sido construíd
o no final da década de 80 para abrigar um cinema comunitário. Passado o período de funcionamento do cinema, o prédio abrigou outras iniciativas dos próprios moradores: uma associação desportiva e uma escola infantil (onde alguns membros atuais da Biblioteca chegaram a estudar). O prédio esteve abandonado por cerca de 6 anos, até que Diego Lima, morador da localidade, começou a mobilizar-se em torno da sua ocupação. Para tal, buscou articulações com vizinhos, amigos e movimentos sociais dos quais já havia se aproximado. De início, os mutirões realizados aos fins de semana eram dedicados à manutenção predial, foram necessários os consertos das tubulações e também da parte elétrica do prédio, para depois partirmos para a reforma do banheiro e da cozinha, a colocação das portas, a limpeza da área externa e, por fim, da triagem e organização do acervo de livros da Biblioteca.
À esta altura, com o prédio já reformado, verificou-se um potencial ainda maior nas suas dependências: a área externa viria a abrigar uma horta comunitária, que serviria à aplicação das pedagogingas, ao resgate da prática ancestral da agroecologia e ao fomento da autonomia financeira da Biblioteca e dos moradores. Já a parte superior do prédio, tornamos numa quadra onde são realizadas as atividades esportivas e eventos culturais da nossa programação. A Biblioteca Comunitária Zeferina Beiru é apenas mais um capítulo da história de resistência do Cabula. Localizada em terras ancestrais, onde outrora o nigeriano Beiru teria consolidado o Quilombo que levou o seu nome, a Biblioteca compromete-se a reagir às tentativas do poder público de alterar o nome do bairro de Beiru (em homenagem ao nosso ancestral quilombola) para Tancredo Neves (um político branco sem nenhuma identificação com o bairro). A Biblioteca também carrega em seu nome o legado de Zeferina, angolana que teria fundado o Quilombo do Orobu, que abarcaria terras que atualmente pertencem aos bairros do Cabula, São Caetano, Cajazeiras e Subúrbio Ferroviário. Reinaugurando estes laços quilombolas, a Biblioteca atua em rede, articulando-se com outras organizações comunitárias como o JACA e o curso pré-vestibular Quilombo do Orobu (de Cajazeiras), e com o coletivo de arte popular A Pombagem (que conta com membros dos bairros de São Caetano e Fazenda Grande).