O que é o Movimento Política Solidária
“Para construir história duradoura não bastam os ‘melhores’, se requer as mais vastas e numerosas energias nacionais e populares.” (Antônio Gramsci). Somos um grupo forte e heterogêneo composto por cidadãos e cidadãs que carregam em comum, além da amizade, as seguintes características: idealistas, solidários, conscientes, sonhadores, lutadores, fortes, polít
icos, persistentes, trabalhadores, inovadores e socialistas. Sujeitos de transformação, protagonistas de nossos destinos políticos e com objetivos comuns, formamos um grupo que busca a transformação da politicagem em Política, que visa fortalecer a participação e a construção coletiva com ações efetivas. Atuando em sintonia com as necessidades da sociedade, buscamos o avanço na perspectiva de uma construção solidária. Somos capazes e carregamos o compromisso de aperfeiçoar a nossa prática tanto na vida pessoal, quanto na social e política. A partir de uma pesquisa sobre os estudos desenvolvidos a respeito das relações humanas na nossa sociedade, verificamos que os textos atuais de antropologia observam em geral que, nas sociedades primitivas igualitárias, os direitos aos recursos naturais e os recursos produzidos coletivamente eram comuns; a propriedade limitava-se a objetos estritamente pessoais. O status porventura existente não era herdado, mas correspondia diretamente à sabedoria, à capacidade e à generosidade comprovadas. Os dirigentes, escolhidos por consenso, eram apenas “primeiros entre iguais” num processo de tomada de decisões essencialmente coletivo. Com o advento da propriedade privada tudo se modificou, os direitos sobre os recursos naturais e sobre os bens produzidos pela coletividade passaram a ser propriedade de poucos, o trabalho coletivo passou a ser apropriado por um restrito grupo privilegiado de pessoas. As relações de poder desenvolvidas a partir dessa situação tornaram-se fontes de privilégios e de aprofundamento das desigualdades entre os seres humanos. Uma importante questão em debate no atual momento histórico é: qual a estratégia política mais eficaz para alcançar a igualdade? Qualquer que seja, existe uma premissa que foi defendida por nossos líderes históricos, como Gramsci, Rosa Luxemburgo e muitos outros, que seria o empoderamento das classes populares. Sem a participação e a energia física, moral e intelectual das grandes massas pobres, não seremos capazes de avançar na construção de uma sociedade justa e solidária. Os modelos de movimento social, baseados em dirigentes que não se submetem ao controle democrático das massas populares fracassaram em todas as experiências históricas ditas libertárias. Outro elemento importante a ser destacado refere-se ao método tradicional de fazer política, incorporado por boa parte de nossas lideranças. Se os processos não são coletivos e a práxis política torna-se uma iniciativa individualizada de um líder, este é tentado a utilizar de expedientes manipuladores para perpetuar sua situação de poder de permanência de privilégios. O livro: As 48 Leis do Poder: Manual das artes da dissimulação, escrito por Robert Greene e Joost Elffers, fez muito sucesso entre alguns líderes de esquerda na atualidade. Os autores asseveram que “O mundo é como um imenso e dissimulado cassino e todos nós fazemos parte dele. Quanto mais rápido você descobrir as regras do jogo, maiores serão as suas chances de sucesso.” Eles mostram como agiram personalidades que estiveram disputando poder no decorrer da história, além de oferecer 48 estratégias para o leitor atingir espaços do poder. Afirmam que em As 48 leis do poder, o leitor aprende a manipular pessoas e situações para alcançar seus objetivos. “Para conquistar o poder, temos de parecer justos e decentes. Por conseguinte precisamos ser sutis — agradáveis, porém astutos, democráticos, mas não totalmente honestos.” Eles fazem referência a Maquiavel: “O homem que tenta ser bom o tempo todo está fadado à ruína entre os inúmeros outros que não são bons. Por conseguinte, o príncipe que desejar manter a sua autoridade deve aprender a não ser bom, e usar esse conhecimento, ou abster-se de usá-lo, segundo a necessidade”. Entendemos, ao contrário, que é necessário o desenvolvimento de relações humanas cada vez mais sólidas. Nesse caso, conforme aponta Alexander Lowen, “se acreditarmos que os seres humanos são criaturas naturalmente más, egoístas, desonestas e destrutivas, então nosso único recurso é o poder da polícia ou do exército, para controle do comportamento. Estas atitudes podem parecer extremas, mas poderemos ser levados a toma-las senão tivermos fé na vida. A fé implica acreditar na própria natureza e, por extensão, acreditar na natureza dos outros. Uma pessoa com fé acredita em si mesma para fazer o que é certo e acredita nas outras. Uma pessoa sem fé não acredita em ninguém. Se cada um ver o outro como um adversário, surge um ressentimento que aliena ainda mais as duas pessoas, cujos interesses deveriam ser comuns”. Ainda, segundo Lowen, “existem forças complexas que agem nas grandes aventuras do espírito humano. Os fatores espirituais possuem grande ênfase no crescimento e no declínio das civilizações. ‘Haviam perdido a fé nas tradições de sua própria civilização’. O declínio não é técnico, mas espiritual. O poder contribui para a perda do potencial criativo das pessoas. Essa interpretação é possível diante da seguinte frase: temos visto, na verdade, que quando na história de uma sociedade, uma minoria criativa degenera em minoria dominante, que tenta manter à força uma posição que deixou de merecer, esta mudança no caráter do elemento governante, provoca por outro lado a separação do proletariado, que não mais admira e imita o seu governante e se revolta contra sua servidão”. Ralfh Miliband afirma, “que um movimento revolucionário sério, nas circunstâncias do capitalismo avançado, tem que ser o tipo de partido «hegemônico» de que falava Gramsci, o que significa que ele deve ser capaz de «criar uma unidade, não apenas de objetivos econômicos e políticos, mas também uma unidade intelectual e moral, colocando todos os problemas que surgem não ao nível corporativo, mas ao nível «universal», e «concretamente coordenados com os interesses gerais dos grupos subordinados». Mas o funcionamento de semelhante partido só é possível em condições de livre debate e democracia interna, de estruturas flexíveis e responsáveis”. O Movimento Política Solidária, por conseguinte, tem como missão mobilizar, fortalecer e constituir um coletivo de cidadãs e cidadãos para desenvolver um projeto com o objetivo de resgatar o verdadeiro significado da política: o ato de servir. Contribuir na transformação da forma de fazer política e disseminar a ideologia progressista com identidade de classe, a partir das bases, observando os princípios morais e os valores éticos. E assim, participar da continuidade da mudança do nosso país através da política solidária e do fortalecimento da democracia, promovendo a justiça, valorizando a cultura e praticando o bem em busca da felicidade. Não pretendemos ser uma nova tendência, mas um movimento de cidadãs e cidadãos conscientes e atuantes, participando da política partidária e dos diversos movimentos sociais, para elevar o sentido de fazer política: da arte de enganar ao ato de servir. Como Participar? Para participar do Movimento é necessário que a pessoa desenvolva, ou tenha interesse de desenvolver, uma ação concreta no sentido de contribuir para o desenvolvimento de ações solidárias na sociedade. Entendemos como solidárias todas as iniciativas desenvolvidas para melhorar a vida das pessoas, promovendo relações humanas fraternas, promovendo relações sólidas, no sentido de ampliar a igualdade, a justiça e a liberdade na sociedade. Coordenação do Movimento Política Solidária
Adenildo Sena, Antônio Edgard, Daniella Dutra, Fernanda Simões, Flávia Carvalho, Gustavo Kalid, José Aurélio, José Maria, José Ricardo, Monica Santana, Norma Matos e Paula Brito.