Localiza-se à aproximadamente 5,5 km do centro do município, às margens do Rio Paraíba. Foi criado pela lei estadual n° 4234, de 19 de maio de 1981.1
O início da ocupação da área do atual Distrito Dois Riachos teve início em meados do século XVIII, através de “tropeiros” que cruzavam a região fazendo o caminho de Recife para Fortaleza e dentre os locais do descanso utilizados pelo caminho estão Do
is Riachos, e Campina Grande por exemplo, além de outros locais pelo Sertão paraibano e cearense. Estima-se que o núcleo de povoamento desenvolveu-se a partir de um curral que abrigava os animais das tropas de tropeiros que andavam pela região e que ficaria próximo ao atual largo da Igreja onde funciona nos dias atuais uma madeireira, dali os tropeiros após os descansos seguiam margeando o atual Rio Ingá (Riacho do Camurin) até a Serra da Borborema nas proximidades de Riachão do Bacamarte de onde partiam para Campina Grande. O povoamento de fato só se deu porém, depois da Criação da Sesmaria de Dois Riachos doada ao capitão Caetano Leitão de Vasconcelos em 14/04/1726 depois que as terras do vale do Paraíba começaram a ser ocupadas com a primeira sesmaria de Itabaiana a partir da localidade de Maracaípe em 1663. De posse das terras, o capitão Leitão de Vasconcelos deu início a colonização da região com criação bovina de sua propriedade e logo os primeiros moradores, responsáveis pela criação desses animais se fixaram onde atualmente é o largo da Igreja Nossa Senhora do Terço. Com a fixação de moradores e a catequização feita pelos Jesuítas em toda a região a partir da missão do Pilar, a população da localidade deu início a construção de um templo católico em honra a Nossa Senhora do Terço em meados de 1813, o referido templo veio a cair e apenas o altar ficou de pé, porém em 2004 devido à falta de conservação e a fortes chuvas este também veio a ir ao chão, de tudo resta apenas o cruzeiro que está na lateral da atual igreja da localidade. Para a construção da Igreja a Diocese de Parahyba, na época, teria recebido uma porção de terras do então proprietário, desde até a atual localização da Igreja contando mais 03 km ao sul (meia légua ou 1500 braças) desde a margem do Rio Paraíba e mais cerca de 1 km à Oeste, esta quantia veio a ser revertida com um acordo feito com o Sr Odilon Maroja que tinha na época suas terras limítrofes as da Igreja, com isso cerca de 4km foram retirados do terreno ficando a então paróquia de Nossa Senhora das Dores (Mogeiro - PB), com um terreno ao redor do templo que compreende mais ou menos 900 m². Assim sendo a Vila se constituiu como um aglomerado de casas compreendo o terreno da Igreja formando em uma linha paralela a mesma um agrupamento de residências, algumas outras casas na rua que dava acesso a quem vem de Salgado de São Félix e uma outra certa quantidade de casas distribuídas em ruas e travessas por trás da Igreja. O único ponto comercial existente na vila era uma mercearia localizada em frente ao atual Mercadinho Santo Antônio, na rua principal de Dois Riachos, que durante muito tempo supriu as necessidades de utensílios dos moradores da Vila e das redondezas. Após a ocupação de Dois Riachos teve início a colonização das margens do Rio Paraíba rumo ao oeste onde se fixaram algumas famílias para prática de agricultura e daí surgiram comunidades como Areal, Riacho dos Currais e “os” Muros. O Comércio e prestação de serviços se desenvolveram de forma melhor durante os anos 90, com a instalação de outros pontos comerciais pela comunidade. Na gestão do Sr Luís Apolinário do Anjos (Luizinho) como Prefeito de Salgado de São Félix teve início a construção de um conjunto habitacional na vila de Dois Riachos, na gestão do mesmo também foram construídos na comunidade um campo de futebol, uma Creche, Posto dos Correios, Posto de saúde, Biblioteca e um posto de telefone da Estatal TELPA (Telefonia da Paraíba), a comunidade ainda obteve na segunda gestão do mesmo, água encanada e conclusão da eletrificação além da construção da Caixa d’água para abastecimento da comunidade e do poço para captação de água. Há relatos da realização de uma festa no dia de Santos Reis (06 de janeiro) há mais de 200 anos, desde 1813. Essa Festa chamada pelos moradores da região de “festa de reis” acontece até os dias atuais nas proximidades da Igreja. Entre os anos de 1980 e meados de 2004 acontecia também com boa participação dos moradores de Dois Riachos e das redondezas as comemorações alusivas as festas Juninas. Atualmente ainda ocorrem algumas dessas manifestações, porém com pouca participação e empenho da comunidade. A comunidade de Dois Riachos teve grande respaldo junto a Arquidiocese da Paraíba durante os anos 1970 e 1980 pela atuação de um grupo de Jovens Católicos, que desenvolveu juntamente com seminaristas missionários atividades de evangelização junto aos moradores da comunidade, sua grande maioria agricultores, o grupo também realizou durante muitos anos a encenação de peças teatrais como a Paixão de Cristo e o musical Irmã Clara e Pai Francisco (que remonta a biografia de São Francisco de Assis). As peças eram encenadas na calçada da Igreja de Nossa Senhora do Terço e durante muitos anos atraia a população da comunidade e das redondezas, devido a esse trabalho a comunidade foi referenciada como “comunidade modelo” para a Arquidiocese durante o bispado de D. Folguedos típicos do folclore nordestino como o pastoril também aconteciam na comunidade, principalmente durante a “festa de reis” e o Natal. A festa de São Sebastião que também acontecia na comunidade em 19 de Janeiro já não ocorre mais e não há relatos de quando deixou de acontecer.