04/09/2026
revista solaris - edição setembro/26
Alquimia e Caminho do Guerreiro
O trabalho prático do alquimista, chamado magistério, destinava-se a encontrar esta substância extraordinária, a Pedra Filosofal, que tinha a propriedade de transmutar em ouro qualquer metal em fusão.
É interessante notar que os alquimistas não trabalhavam em grupos; sempre eram solitários. O seu contato com as pessoas acontecia através de livros, embora escritos em linguagem absolutamente simbólica.
Conforme Roger Bacon (1211–1294), alquimista e monge britânico, “a alquimia é a ciência que ensina a preparar um certo medicamento ou elixir, o qual sendo projetado sobre metais imperfeitos lhes comunica a perfeição no momento mesmo de projeção”.
Ninguém sabe com exatidão as suas origens. Esse conhecimento, cujas localidades mais antigas remontam à China, ao Egito, ao Oriente Médio e à Grécia, foi legado pelos alquimistas às gerações futuras por meio de uma literatura específica, desenhos simbólicos, arquitetura, poesias, além do manuseio diário de palavras de origem alquímica.
Em todo caso, convencionalmente Hermes (que foi um deus ou um grande Mestre, conhecido no Antigo Egito como deus Toth) é considerado o pai da arte alquímica. O seu nome ficou imortalizado como arte hermética, e, quando no nosso cotidiano queremos ressalvar a necessidade de vácuo em algum recipiente, falamos “hermeticamente fechado”.
Os alquimistas normalmente eram divididos em três categorias: adeptos, alquimistas e sopradores.
Os sopradores, desconhecendo a simbologia dos nomes, colocavam qualquer coisa em seus cadinhos ou em suas retortas. Os seus laboratórios eram complexos e ineficientes. Em sua ignorância, eles queriam substituir a lenta ação do tempo pelo ardor de seus fogareiros; então, com frequência, uma explosão terminava a experiência e a existência do aprendiz de feiticeiro. Situação que se assemelha às empresas que nascem e morrem rapidamente quando entram em contato com o mundo real. Os sopradores tinham objetivos materiais claros; queriam chegar a produzir bastante ouro e conseguir prestígio e poder. Podem ser comparados às pessoas que trabalham para ganhar muito dinheiro e utilizam todos os meios para isso.
Os alquimistas podem ser considerados investigadores independentes. O seu conhecimento era muito amplo, embora bastante teórico. Eles sabiam que a transmutação era perfeitamente possível por intermédio de químicas ordinárias – sem a utilização de energias nucleares fantásticas que foram liberadas pela física moderna –, e pretendiam experimentá-la na prática. Com o intuito de imitar a Natureza em sua lenta evolução, os alquimistas faziam intermináveis operações, cuja duração ia de alguns meses a alguns anos.
Alquimistas como Paracelso enriqueceram muito a nomenclatura química com novas e importantes denominações, mas essas não passavam de experiências secundárias, sem ligação direta com o magistério filosofal.
O verdadeiro adepto sabia com exatidão quais os corpos naturais que lhe eram necessários para a elaboração da Pedra; por conseguinte, não tinha, a não ser raramente, a necessidade de se entregar a pesquisas puramente químicas.
Existe uma relação entre alquimistas e lendários guerreiros e guerreiras. A condição de guerreiro não significa entrar em guerra com os outros. A chave do espírito guerreiro é não ter medo de si próprio e encontrar uma força interior capaz de lançar luz sobre a sociedade humana.
Essa luz não esconde nada e permite resolver problemas complexos de convivência entre os povos. Uma sociedade de guerreiros e guerreiras é uma sociedade iluminada.
Em muitas regiões do mundo circulavam histórias sobre o reino lendário chamado Shambala ou Agartha, que foi fonte de sabedoria humana. Conforme essas lendas, era um lugar de paz e prosperidade, governado por soberanos sábios e compassivos.
É uma imagem de um reino que representa o ideal de convivência entre as pessoas sem recorrer a uma atitude religiosa específica. Os ensinamentos de tradições antigas fundamentam-se na premissa de que existe uma sabedoria humana básica capaz de resolver os problemas do mundo. Trata-se da condição de pessoas guerreiras. Rei Davi e Rei Artur podem ser citados como exemplos de guerreiros.
O caminho do guerreiro está aberto a qualquer pessoa. É o caminho do destemor e reflete o potencial humano de superar a própria limitação. Alguns dizem que o ser humano já nasce pronto, com um destino traçado, porém isso não é verdade. A mudança é possível.
Vamos entender melhor como viabilizá-la. É importante constatar que a mudança não ocorre nas condições habituais em que a pessoa se encontra, em dado momento. Normalmente ela começa com um forte desejo, embora ele nem sempre se revele como finalidade com muita clareza. A pessoa sente um grande impulso para ingressar num novo caminho, diferente da vida monótona que leva.
Ela sabe claramente que algo deve ser feito, mas não consegue ainda. Surge o conflito entre a necessidade de mudar e a impossibilidade de superar a inércia, que muitas vezes é confundida com a preguiça.
É esse o momento exato para trilhar o Caminho do Guerreiro. O principal objetivo desse caminho é acessar um bem disponível a cada um de nós. Trata-se da Força de Superação, capaz de estabelecer um hábito baseado em uma mudança efetuada e introduzida na vida do guerreiro.
A busca da Força de Superação pode ser comparada à busca da Pedra Filosofal, que podia transmutar em ouro qualquer metal em fusão e servia de base de transformação definitiva do ser humano.
O trabalho com o Caminho do Guerreiro foi desenvolvido por mim e é ensinado no Instituto Solaris faz mais de dez anos. Ele se mostra cada vez mais atual e relevante. É dividido em três etapas: Libertação, Escolha e Liberdade.
A dedicação às três etapas pode ser comparada com os sopradores, alquimistas e adeptos.
A Libertação, a primeira etapa, é muito importante, pois sem ela o caminho não pode ser iniciado. Aqui o importante é o despertar da vontade para se libertar de situações que provocam insatisfação e sofrimento, o que envolve uma decisão de risco, pois não existe nenhuma pista de como se fazer isso. É um salto no escuro, movido muito mais pela insatisfação da vida como ela está. Mas a decisão de lutar contra a condição de apatia em relação à sua situação existencial deve ser tomada.
Os sopradores eram obcecados em encontrar segredos alquímicos, querendo resolver tudo o mais rápido possível.
A primeira etapa tira a ilusão de um caminho fácil, não envolve nenhuma mudança interna. A pessoa acha que tudo é culpa dos outros, portanto, para ela, o deseja de vencer já é suficiente para a vitória.
O Caminho do Guerreiro nunca pode ser iniciado com baixa vibração, ou seja, com a que vivemos o nosso cotidiano, sentindo cansaço e desânimo. Precisamos de um reforço energético.
A Escolha, a segunda etapa do Caminho do Guerreiro, consiste em buscar ajuda de alguém competente, capaz de orientar a resolução do problema, que se torna existencial, pois atrapalha, e muito, a vida da pessoa.
Esse estágio pode ser comparado aos alquimistas, aos buscadores de avanços técnicos, novos remédios e tratamentos. A procura de um profissional, que pode ajudar com sua competência, novamente não resolve o problema, que é individual e não cabe nos parâmetros do “remédio”.
Essa etapa normalmente transforma o problema em doença crônica, que, em vez de curada, é controlada; há uma manutenção relativamente satisfatória da vida com uso de “remédios”.
Somente a terceira etapa, chamada Liberdade, chega à solução definitiva pelo encontro com a Força de Superação. Essa força faz com que a pessoa supere o problema que se apresentou com tanta força.
A confirmação da verdadeira causa do infortúnio pode surgir no encontro com verdadeiros “vilões” carmáticos, que podem estar ligados a traumas emocionais – como derrotas sofridas injustamente, traições, mudanças inesperadas, a perda de um emprego, um rompimento familiar, um divórcio ou a perda de um ente querido –, ou com qualquer situação ocorrida no passado e não aceita pela pessoa.
O enfrentamento desperta a Força de Superação, que reforça a certeza de superar definitivamente o obstáculo que realmente lhe aprisionou. A pessoa desapega-se em definitivo do problema, que desaparece por falta de energia vital.
Ela passa a viver com liberdade e energia suficientes para enxergar novas possibilidades em sua existência. A elevação energética da Força de Superação mostra que “nunca mais!” pode se tornar uma expressão real e verdadeira.
Sofia Mountian
Criadora da Teoria da Abrangência, fundadora do Instituto Solaris, presidente da ONG Solaris e uma das sócias da Plênita Consultoria. Sofia escreve mensalmente na Revista Solaris.
Fonte: revista solaris edição nº 9 ano 2026
O trabalho prático do alquimista, chamado magistério, destinava-se a encontrar esta substância extraordinária, a Pedra Filosofal, que tinha a propriedade de transmutar em ouro qualquer metal em fusão.