08/08/2019
Reforma da Previdência: o apocalipse da classe trabalhadora
7 de agosto. Segundo turno da votação da reforma da previdência. 370 votos favoráveis e 124 contrários. O texto original foi aprovado e segue para votação no senado. O governo ofereceu 40 milhões de reais em emendas para deputados que se mostrassem favoráveis, ou seja, compra de votos. Uma farra de de 2,5 bilhões, patrocinada pelos cofres públicos.
Horas antes da votação, para garantir o resultado, foi enviado ao congresso um projeto de lei que abre crédito de 3 bilhões no orçamento. Isso facilita a liberação de emendas para estes mesmos parlamentares que votaram sim. Como resultado, cortes de investimentos em outras áreas. O desrespeito ao dinheiro público continua.
Dos R$ 1,2 trilhão que se pretende economizar com a reforma, 83% sairão de quem recebe até dois salários mínimos de aposentadoria, de quem trabalhará até morrer, da maior parte da população. Enquanto o governo oferece isenção fiscal às grande empresas e perdoa os devedores capazes de equilibrar as contas, o trabalhador sangra sob o chicote desta reforma descabida.
Nova política? Combate à corrupção? Fim da mamata? O que vemos são privilégios mantidos, o governo transformado em cabide de emprego familiar, entreguismo, ironias com trabalho infantil, perda de direitos conquistados pelos trabalhadores e escravidão regulamentada pelo Estado. O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravatura, e essa herança pode ser sentida até agora na gestão do atual (des)governo. Caminhamos a passos largos rumo ao passado.
Arte: Paulo Kalvo