12/06/2020
A pandemia do novo coronavírus, que teve seu início no Brasil no fim de fevereiro, deixou um rastro de mais de 40 mil mortos nos últimos três meses de transmissão da doença. Já foram mais de 800 mil casos confirmados, sendo incerto o quanto esses números poderão aumentar.
Em muitas cidades, os hospitais públicos estão lotados e, a medida de distanciamento social, indicada pelos órgãos de saúde e ciência como ef**az na redução do contágio, não pode ser adotada por milhares de brasileiros que não tiveram o suporte econômico e social do Estado para ter a quarentena como direito.
Há ainda outro elemento importante: dados do Ministério da Saúde apontam que a letalidade da Covid-19 é maior entre negros e negras, e, em São Paulo, são os bairros periféricos que registram mais mortes por coronavírus, o que revela que as desigualdades sociais e o racismo estrutural são agravantes da pandemia no país.
Em tempos de pandemia, a desigualdade social se alastra a diversos setores da sociedade, como na educação, em que milhares de estudantes vêm sendo afetados. Desde que o coronavírus se alojou no Brasil, ele trouxe muitas mudanças na vida dos estudantes, que precisaram se adaptar ao novo cenário de aulas online, o que traz muitas dificuldades. Algumas são:
• Aulas online (EaD) - Cerca de 38% das casas não têm acesso a internet / 58% das casas não têm computador (exclusão digital);
• Ensino básico - Pouco mais de 80% dos estudantes estudam na rede pública, onde o ensino é desigual e precário;
• Estrutura - Muitos jovens não têm lugar apropriado para se dedicarem aos estudos. Muitas casas possuem cômodos apertados, onde se divide o espaço com toda a família, com barulho, etc., dificultando a concentração;
• Saúde mental - No período da pandemia, transtornos mentais comuns (ansiedade, depressão, etc.) aumentaram drasticamente, devido a preocupações e incertezas desse período;
O modelo de ensino à distância que vem sendo adotado não é inclusivo, pois não considera todas as dificuldades dos estudantes. Sua eficácia f**a prejudicada, pois o governo fornece ensino a distância, mas não fornece meios de acesso.
Vimos também que houve resistência à alteração das datas do ENEM pelo Ministério da Educação, o que iria signif**ar o aumento ainda maior da desigualdade: estudantes de baixa renda não dispõem das mesmas ferramentas que os estudantes da rede privada, dificultando ainda mais atingir bons resultados.
Além disso, essa situação agrava a precarização do trabalho dos professores e professoras. Não foi passada nenhuma orientação, nem se garantiram ferramentas para que possam fazer seu trabalho da melhor forma possível, fazendo com que eles se desdobrem diante de toda essa sobrecarga.
E o que ainda pode ser feito?
• Enem - a suspensão do Enem até o fim da quarentena, para que os estudantes tenham um melhor preparo, que seja menos desigual;
• Reformulação da grade escolar – Reduzir o número de conteúdos da grade escolar e, assim, reduzir o numero de conteúdos do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM);
• Suporte para os professores - enquanto provisoriamente o EAD é utilizado, que ele seja respeitando os professores e professoras, garantindo o suporte necessário e levando em conta as limitações de acesso e estudo nesse período.
• Mudança do método de ensino, extinção do método tradicional – Fortalecimento do ensino presencial, com a valorização e melhor preparo dos professores; garantia de estrutura para as atividades na escola; criação de outros métodos de ensino, onde os alunos realmente aprendam;
• Adiamento dos vestibulares – O adiamento de vestibulares, até que medidas sejam adotadas, o que é fundamental para garantir um preparo dos alunos igualmente, independente da renda, assim todos podem realizar a prova partindo do mesmo princípio;
A elaboração deste texto surge com o objetivo de atingir ao máximo a camada de estudantes de classes baixas e periféricos, que estão historicamente em posição de desvantagem em relação a outros grupos sociais na tentativa de ingressar em uma universidade. O intuito principal é fazer com que estes estudantes, que sofrem diariamente com as desigualdades sociais, se posicionem contra este sistema opressor e excludente. E as melhores ferramentas para isto é o conhecimento e a união, pois o momento histórico em que estamos vivendo com a pandemia e a crise do capitalismo, se torna um momento perfeito para que os estudantes se mobilizem para lutar pela democratização do ensino.