02/06/2026
A greve da Uerj, a universidade pública e o estado do Rio de Janeiro: migalhas para os servidores, manutenção do arcabouço fiscal e desmonte e sucateamento dos serviços públicos
A greve da Uerj completou dois meses de duração e parece se aproximar do seu fim. Primeiro, entraram em greve os docentes, depois os segmentos dos técnicos-administrativos e estudantes. Neste momento, todos os segmentos encontram-se em greve, mas a greve está longe de ser unificada e por uma única Uerj. A última greve da Uerj tinha sido há 10 anos atrás (2016), e foi de lá para cá que se deu o (des)governo de Claudio Castro (PL). Como já é sabido por todos, a greve da Uerj escancara o completo descaso com a educação pública, e, mais precisamente, com o ensino superior público do país, na figura das universidades públicas estaduais, mas também das federais, municipais e distritais. No quadrante de contrarreformas implantadas aqui no estado do Rio, mas concebidas e forjadas pela equipe econômica do Ministério da Fazenda do Governo Federal e do Arcabouço Fiscal de Fernando Haddad (PT), foram retirados dos servidores estaduais, importantes direitos previdenciários, triênios, entre outros, precarizando ainda mais as já esgarçadas relações de trabalho vivenciadas pelos servidores da Uerj e de todo o poder executivo do Rio de Janeiro. O espólio em questão não se concentra somente na retirada de direitos dos respectivos servidores, mas estende-se, também, a esfera de financiamento, e, portanto, orçamentária, da universidade, impedindo que a finalidade e o próprio funcionamento do ensino superior.
No que tange a pauta docente da greve, os professores cobram do governo: 1) o pagamento referente ao calote da recomposição salarial e de seus respectivos IPCAs, não efetuados e já há muito represados e insuficientes; 2) a construção de um adicional por desempenho que possa servir como um substitutivo da retirada dos triênios dos servidores da Uerj durante o segundo RRF, pauta que visa diminuir as disparidades internas da categoria; 3) a recomposição orçamentária da universidade, voltada ao cumprimento dos compromissos administrativos desta mesma, também historicamente insuficiente; 4) auxílios alimentação, saúde e educação nos contracheques; 5) um protocolo de intenções para investimentos do governo interino junto ao Propag (Programa de Refinanciamento das Dívidas dos Estados), o novo Programa Fiscal capitaneado pelo governo federal (PT). Assumindo, então, políticas cada vez mais regressivas, em detrimento de trabalhadores e trabalhadoras de todo o país, tanto os últimos governos federais como os estaduais, municipais e distritais, assentiram a rolagem de uma dívida que já foi paga há muito tempo em valores reais. Consideramos, todavia, esta política monetária draconiana como política de um capitalismo dependente-rentístico, portanto, benéfica para a manutenção da super exploração do trabalho, e não como um freio deste processo de endividamento, mas como dispositivos que a fundo impedem o desenvolvimento do país, assim como investimentos mais estruturais que caminhem no sentido da redução da dependência e do subdesenvolvimento do país.