Núcleo Mercedes Lima, cidade de São Paulo, do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro. Ana Lima Carmo nasceu na cidade de Quixadá, no Ceará, no dia 13 de abril de 1915. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela antiga Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro). Ao chegar à Bahia, em 1944, participou de uma das primeiras invasões da cidade, a Corta Braço. Entre o
s anos de 1944 e 1947, trabalhou nos periódicos O Momento e Seiva, ambos editados em Salvador. Em 2 de Julho de 1945, filiou-se ao PCB, pelas mãos do grande líder comunista Carlos Marighella. Ativista do movimento feminino, foi fundadora da União Democrática de Mulheres da Bahia, em 1945, onde atuou até 1964, quando se exilou. Também participou da fundação da Federação de Mulheres do Brasil – organização ligada ao PCB; da Liga Feminina do Estado da Guanabara, criada em 1959; e do Comitê Feminino Pró-Democracia. Teve papel ativo na criação do jornal Momento Feminino, editado por cerca de 10 anos, a partir de 1947, pelo movimento de mulheres comunistas. Colaborava, então, com jornais cariocas como Correio da Manhã e Imprensa Popular. Participou ativamente da Comissão Feminina de Intercâmbio e Amizade e da Liga de Defesa Nacional Contra o Fascismo. De 1959 a 1963, foi cronista da Rádio Mayrink Veiga. No ano seguinte, assumiu o cargo de redatora da revista Mulheres do Mundo Inteiro, editada em francês, alemão, espanhol, árabe, inglês e russo. Assinava seus artigos com o pseudônimo de Ana Montenegro, nome que depois adotou definitivamente. Dentro do PCB, participou da Frente Nacionalista Feminista desde meados dos anos 50 até o golpe militar de 1964. Com a ascensão dos militares ao poder, foi à primeira mulher brasileira a ser exilada, passando a residir no México, de onde seguiu para a Europa. Durante o exílio, trabalhou em organismos internacionais, como a ONU e a UNESCO, tendo participado de congressos, conferênciais e seminários pelo mundo. Foi redatora da Revista Mulheres do Mundo Inteiro, órgão da Federação Democrática Internacional de Mulheres. De 1964 a 1979, foi membro da Comissão da América Latina da FDIM. Com a redemocratização do país, em 1979, Ana Montenegro voltou do exílio, vindo morar em Salvador. Reintegrou-se à luta feminista e, como ativa militante, foi convidada a participar do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, gestão 1985/1989. Por sua atuação política, Ana recebeu os títulos de Cidadã de Salvador e de Cidadã Baiana. A Câmara dos Deputados lhe conferiu o título de Mulher Cidadã e, em 2002, recebeu o Prêmio Nacional dos Direitos Humanos do Governo Federal. Foi indicada, juntamente com outras 51 brasileiras, para integrar a lista das “1000 mulheres para o Prêmio Nobel da Paz 2005”. Ana Montenegro faleceu no dia 30 de março de 2006, aos 90 anos, de falência múltipla dos órgãos. Boa parte de seu arquivo particular está no Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA.