16/10/2024
CONCURSO EM MACAÉ/RJ:
ANULAÇÃO DAS QUESTÕES POR CONTEÚDO MACHISTA NÃO REPARA A OFENSA MORAL E PSICOLÓGICA SOFRIDA PELAS MULHERES
O MML vem manifestar seu mais veemente repúdio ao Concurso Público da Prefeitura de Macaé/RJ, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas - FGV, realizado no domingo, dia 13/10, pelo conteúdo machista e de estímulo à violência contra a mulher contido em questões que, após revolta na população e discussão nas redes, foram anuladas do exame de língua portuguesa para cargos de professor, segundo a imprensa. Além disso, rumores indicam que também há outras questões de conteúdo questionável que estão sendo averiguadas mas que ainda não vieram a público.
A 1ª. Questão do Módulo 1 da Prova de Língua Portuguesa pedia para que o candidato assinale a resposta que ''não contém uma crítica ao fato de a mulher falar demais''. Entre as opções, estão frases como: ''A língua da mulher não cala nem depois de cortada'' e ''Há mil invenções para fazer as mulheres falarem, e nem uma só para as fazer calar''. A outra questão pretendia que o inscrito identificasse sentenças de comparação. Algumas das respostas eram: ''A mulher é como um defeito de natureza'' e ''as mulheres são como robôs: têm no cérebro uma célula de menos e, no coração, uma célula a mais''.
As questões de conteúdo machista e com estímulos de violência contra a mulher por si só constituem uma grave ofensa moral e psicológica às mulheres em geral, mas às candidatas em especial, com conseqüências concretas e imediatas no concurso, pois foram ultrajadas desde da prova o que, por óbvio, comprometeu a necessária concentração que exige um concurso deixando-as em clara situação de desvantagem havendo relatos de que candidatas deixaram a prova em revolta.
A anulação das questões denunciadas não solucionam esse grave ataque sofrido pelas mulheres e pelas candidatas em especial pois maculam o concurso de conjunto. Dessa forma, exigimos da Prefeitura de Macaé/RJ a anulação do Concurso Público, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas – FGV, que deve arcar com todos os gastos de realização de um novo certame.
Tal medida se impõe a fim de reparar minimamente a grave ofensa sofrida pelas mulheres e as candidatas, em especial, além do caráter pedagógico para toda sociedade a fim de combater o machismo, que coloca a mulher em permanente desvantagem na sociedade, e o feminicídio que assolam o nosso país.
Em um ano, no país houve um aumento em 17% de casos de feminicídio. No Estado do Rio de Janeiro aumentou 95% em violência contra mulher em quatro anos. Macaé no último dossiê do Estado teve 388 casos de violência física, 452 casos de violência psicológica e 112 casos de violência sexual.
A verdade é que, tanto a prefeitura de Macaé, como a Fundação Getúlio Vargas, através da prova, não só desprezam as mulheres como também estimulam a misoginia e a violência contra as mesmas que não podem ser aceitas.
É evidente que o governo de Walberth é marcado pelo machismo quando em atitude ditatorial, através da violência institucional contra as educadoras, impôs nesse ano uma recomposição salarial pífia, debochando assim, não só da situação econômica, mas também da sobrecarga de trabalho e das péssimas condições de trabalho.
Enquanto isso, br**ca com dinheiro público com métodos obscuros junto com a Câmara dos Vereadores que reajustou seus salários em mais de 15 mil reais. Um escândalo!
A combinação da crise do capitalismo e da falta de investimentos na Educação alimenta a crescente da violência contra a mulher. Com o arcabouço fiscal o ataque aos direitos das mulheres foi maior e a evidência está no corte de verbas do Ministério. Está na ordem do dia destruir este sistema econômico podre que é o capitalismo e construir o socialismo para que acabe de vez com o machismo e qualquer estímulo de violência contra as trabalhadoras.
Neste sentido, o MML exige não só a anulação das questões, mas exigimos da Prefeitura de Macaé/RJ a anulação do Concurso Público elaborado pela Fundação Getúlio Vargas – FGV, que deve arcar com todos os gastos, de realização de um novo certame, como também indenização às mulheres macaenses.
Basta de machismo e violência contra a mulher!
Basta de opressão e exploração!