17/03/2014
PROFo: Belarmino
2a SÉRIE – ENSINO MÉDIO BIMESTRE: 1º
Amor: Sentimento mas Humano
1 – TODOS NECESSITAM DE AMOR
Somos diferentes de todos os seres existentes! Essa é a conclusão a que chega o ser humano através da sua tomada de conhecimento acerca de si mesmo como um ser capaz (dotado) de consciência e liberdade.
Por ser diferente o ser humano percebe-se como um “solitário” face à sua (in)possibilidades.
“(...) Essa consciência de si mesmo como entidade separada, a consciência de seu curto período de vida, do fato de haver nascido sem ser por vontade própria e de ter de morrer contra sua vontade, de ter de morrer antes daqueles que ama, ou estes antes dele, a consciência de sua solidão e separação, de sua impotência ante as forças da natureza e da sociedade (...)”. (FROMM, Erich. A arte de amar. Belo Horizonte: Itatiaia, 1976, p.28)
A solução para tal sentimento [solidão, angústia] é relacionar-se com os demais seres humanos (homens e mulheres) e com a natureza ao seu redor.
Dessa necessidade de união nasce o amor. O amor torna-se o meio buscado e desenvolvido pelo ser humano para vencer o isolamento e escapar da loucura. Sem amor o ser humano torna-se insensível, incapaz de encantar-se (admirar-se) com a vida e de envolver-se com os outros. Sem amor não há encontro (relacionamento), persiste o individualismo e a incapacidade de aproximação, de vinculação.
O que é o Amor?
Na mitologia grega o amor, Eros, é um desejo (ânsia) de qualquer coisa que não se tem e que se deseja ter. Filho de Póros (engenhosidade, artifício) e de Pénia (pobreza), Eros herdou de seus pais a inquietude de procurar sair da situação de pobreza (penúria) e a engenhosidade para alcançar aquilo que deseja.
Segundo Sócrates, no diálogo platônico O Banquete, o amor é o desejo (necessidade) em primeiro lugar, de alguma coisa, em segundo lugar, somente de coisas que lhe estejam faltando. O amor é capaz de desabrochar e de viver, morrer e ressuscitar em um mesmo dia. Dá e derrama e nunca está rico ou pobre.
Amar é estar sempre a caminho. Amor é um buscar incessante. O amor significa a procura do outro que nos completa. Eros leva o indivíduo a sair de si para que na relação com os outros possa realizar o
encontro (relacionamento) e, assim, realizar-se como ser.
Amar é preservar a identidade e a diferença do outro, sem perder a sua própria. É estar comprometido com a realização do outro, é querer sempre seu bem.
O amor é uma força de aproximação, união, envolvimento e responsabilidade. Essa força dinamiza a vivência entre as pessoas, derruba fronteiras, estabelece contatos.
A capacidade de amar pode expandir-se e atingir um envolvimento
e um compromisso universal com todos os seres vivos. Exemplo disso são os movimentos ecológicos, movimentos de ajuda e solidariedade entre povos e nações etc.
Formas de Amor
O amor é uma vivência que se manifesta de várias maneiras: amor materno, amor paterno, amor pela pátria, amor a si mesmo, amor erótico, amor a Deus, amizade, amor pela natureza etc.
AMOR ERÓTICO
É a forma de amor mais lembrada, pois essa forma de amar envolve o desejo, a busca de união e desenvolvimento a dois.
Do ponto de vista biológico, o amor erótico consiste na relação sexual e na procriação.
Ah, erotismo é a transformação da energia sexual, biológica, em energia psíquica, o que amplia consideravelmente toda a forma de prazer. (a libido) desde a relação sexual até comprar: roupas, sapatos etc.
O ser humano é ao mesmo tempo corpo e psiquismo (faculdades mentais). As solicitações do corpo expressam-se também de maneira psíquica através das artes, ciências, no trabalho, na política e no envolvimento prazeroso com as pessoas e com o mundo. “Amor” (Humanidade) Existencialismo de Heidegger e Jean Paul Sartre
O amor erótico se destaca porque pressupõe o retorno (devolução) do sentimento vivido: é um dar e receber que se manifesta no prazer da convivência com o outro tanto no plano físico quanto no psicológico.
Essa forma de amor quer exclusividade, porque os amantes pretendem ser únicos um para o outro, e querem reciprocidade, pois buscam alimentar um no outro o amor que sentem. Porém temos que perceber que quando, os filósofos tentam nos salientar sobre o existencialismo onde o homem tem sua existência e tem em suas mãos o poder da transformação humana. Sabemos que a escolha implica em se voltar para o “mundo” diferente desse que se resume em EU e Você. Ninguém falou que as escolhas em todos os âmbitos seria fácil. Como amar sem a “devolução”, podemos citar aqui o “Gentileza” andarilho do Rio de Janeiro que deixou sua marca na história, poderia ter sido um “coitado”, mas decidiu que por onde passasse entregaria uma flor para as pessoas e escrevia palavras de amizade e amor. Foi “objeto” de estudo da Universidade Federal do Rio, por causa do seu fenômeno e por onde passou. Ah! Tem uma música da Marisa Monte que homenageia seu legado de amor altruísta: dar sem receber. (Belarmino)
AMIZADE
É uma forma mais abrangente de amor. Os amigos partilham a vida com suas angústias e alegrias, que assinalam (marcam) a condição humana.
A empatia é a forma de comunicação que mais caracteriza a amizade. Na amizade a compreensão é maior que as exigências, as cobranças e as críticas, por isso, colocarem-se no lugar do outro minimiza os conflitos, os impulsos agressivos e apara arestas.
A amizade é um sentimento que deveria chegar ao íntimo (penetrar) todas as relações e estender-se à humanidade, porque os amigos se aceitam em suas limitações. O amor presente na amizade possibilita a solidariedade e a compaixão.
A principal característica da amizade é o compromisso com o outro.
ATIVIDADE 1
1) Releia os 4 (quatro) primeiros parágrafos e diga o que justifica a necessidade de o ser humano buscar o amor.
2) Explique a frase: “Sem amor o ser humano torna-se insensível, incapaz de encantar-se com a vida e de envolver-se com os outros”.
3) O que faz com que o ser humano perceba-se isolado no mundo e busque no amor a solução para esse isolamento?
4) Diante do que aqui foi tratado, elabore uma definição para o amor.
5) Explique a diferença entre “amor erótico” e “amizade”.
2 – A RELAÇÃO HOMEM-MULHER
“Necessito de ti porque te amo”
Erich Fromm
Em tudo que compõe a natureza percebe-se uma força de atração e repulsão, isto é, uma força de aproximação e afastamento.
Entre as plantas, a força atrativa se revela nas cores e perfumes das flores, preparando-se para a geração de frutos e sementes. Entre os animais, essa força se expressa em rituais, danças e disputas que culminam no acasalamento.
A função sexual nos animais é instintiva.
Nos seres humanos a função sexual se transforma em erotismo. Através do erotismo o ser humano abandona o puro instinto da e conquista de vez a sexualidade erótica. Mulher e homem posicionam-se como iguais: parceiros, companheiros que se enriquecem no convívio mútuo. Tornam-se iguais em humanidade e diferentes em relação ao s**o.
O relacionamento entre mulher e homem tem de ser um encontro de seres autônomos e independentes. A relação homem-mulher é um relacionamento suplementar, onde cada um dos membros busca a partir de si e da parceria com o outro o desenvolvimento máximo de suas potencialidades.
“(...) Assim, inteiros e juntos, começariam a viver sensações inéditas, extraordinárias, impossíveis de se viver sozinho (...).” (FREIRE, Roberto; BRITO, Fausto. Utopia e paixão. Rio de Janeiro: Rocco, 1988, p.100)
O papel masculino X O papel feminino
Apesar de o amor ser uma relação entre iguais, culturalmente tem-se manifestado quase sempre como dependência e dominação. Ao se assumir como macho, o homem cria a dominação; e a mulher, ao aceitar o machismo, cria a dependência.
A origem de tudo isso está na luta pela sobrevivência que homem e mulher enfrentaram desde os primeiros tempos.
Hoje, mulher e homem defrontam-se (deparam-se) com o desafio de equilibrar os aspectos masculino e feminino de suas personalidades. O equilíbrio é precário e não há fórmulas prontas capazes de garanti-lo. O machismo, representado pela dominação do homem e a submissão da mulher, impede uma relação autêntica. Por outro lado, o conflito dos papéis se***is e sociais, com a inserção da mulher no mercado de trabalho e na vida pública, exercendo as mais variadas funções, gerou um clima de competição com os homens, que passaram a vê-las como rivais.
Homens e mulheres ficaram extremamente exigentes uns com os outros. Querem dos companheiros novos papéis e modos de ser, aos quais
ainda não estão adaptados culturalmente. Por exemplo, a mulher espera que o homem seja ao mesmo tempo provedor, amigo, amante; que seja sensível, terno com ela e com os
filhos, bem-sucedido e agressivo na luta pela vida; o homem, por sua vez, espera que a mulher divida com ele as responsabilidades econômicas da família, ao mesmo tempo em que sonha com uma parceira disponível, submissa, amante fogosa (animada, calorosa) e esposa recatada (sensata, decente).
A ascensão da mulher como ser
autônomo confundiu o homem, provocando insegurança na identidade masculina: estava acostumado ao poder e à hegemonia, e de repente é solicitado a dividi-los com a mulher. Esta, por sua vez, acostumada à submissão, agora é obrigada a competir na luta por sua sobrevivência.
ATIVIDADE 2
1) Procure com suas próprias palavras explicar o que é o “erotismo” descrito no texto acima.
2) Segundo o texto, como deve ser o relacionamento entre “mulher e homem”?
3) Nos dias atuais, em que o mercado de trabalho e a vida social andam tão exigentes, qual é o principal desafio enfrentado por mulheres e homens?
4) Que problemas a ascensão da mulher ao mercado de trabalho tem trazido para a relação homem-mulher?
2 – O AMOR MANIPULADO SOCIALMENTE
“A sociedade neoliberal investe no amor erótico, porque nele encontra
excelente meio de atingir seu objetivo: vender.”
A sociedade neoliberal permite que a indústria da diversão e a propaganda explorem o amor erótico. O s**o, por seu potencial de sedução, tornou-se um produto de mercado. É hoje um instrumento com o qual se tenta manipular o desejo das pessoas. A mídia associa o desejo
sexual a objetos neutros, procurando erotizá-los. Por exemplo: a imagem de uma mulher atraente associada a um automóvel. Ao assim fazer, mostra o produto como necessário. Por esse método, as pessoas são induzidas a
perder o contato com suas necessidades reais: passam a desejar aquilo que ao mercado interessa vender. A mídia empenha-se em exercer um poder de controle sobre o próprio ato de desejar, contribuindo para o surgimento do ser humano hedonista (que busca o prazer individual), consumidor e acrítico.
O amor erótico é empobrecido ao ser limitado unicamente ao ato e aos órgãos se***is, como nos mostram todos os dias os mais variados meios de comunicação de massa.
A banalização do erótico
O apelo sexual está sempre presente na propaganda, na moda, nos clipes, nos filmes, nos outdoors, nas revistas, nas novelas...
A propaganda parece erotizar os objetos que ela divulga, ligando-os a imagens de homens e mulheres belos, ricos e sexualmente sedutores. A mídia cria e estabelece padrões para corpos,
rostos, roupas, comidas, gostos, utilizando-se de imagens e frases de efeito com apelo sexual. Tudo parece erotizado, mas é só aparência, porque se trata na verdade de uma deserotização do erótico, uma banalização do s**o,
desvinculando-o dos projetos e da afetividade de cada um.
A banalização do s**o produz um pseudo-erotismo que reduz a sexualidade ampla, erótica, envolvente, ao exercício sexual restrito, ao s**o ligado somente à genitália e ao corpo.
Esse empobrecimento do erotismo rouba do ser humano a capacidade de
envolvimento amoroso. As relações entre as pessoas tornam-se relações de uso e de troca. Nessa espécie de relação, comum na sociedade neoliberal, o lucro e o benefício pessoal sobrepõem-se à entrega, ao compromisso e à doação. As relações tornam-se, portanto, superficiais, impedindo o crescimento e o amadurecimento do indivíduo.
ATIVIDADE 3
1) De que forma e para que fins a sociedade, através da mídia, utiliza o “amor erótico” no dia a dia?
2) Da maneira que o “amor erótico” está sendo utilizado e manipulado diariamente, que espécie de ser humano está sendo formado? Faça um comentário sobre esse problema.
3) Explique a afirmação: “O amor erótico é empobrecido ao ser limitado unicamente ao ato e aos órgãos se***is (...)”.
4) Quais as formas utilizadas pela mídia que visam apenas tornar banal o erotismo característico do ser humano?
5) O que acaba por produzir essa banalização generalizada do “amor erótico”?
3 – FATORES QUE IMPOSSIBILITAM DO AMOR
O egoísmo
O egoísmo caracteriza-se como ausência de auto-estima. Aparentemente, o
indivíduo egoísta ama, sobretudo a si mesmo e autovaloriza-se ao extremo. O indivíduo egoísta aparenta ter uma boa dose de amor-próprio, mas, na verdade, trata-se de uma pessoa carente que busca retirar dos outros aquilo que lhe falta.
Por ser uma personalidade exploradora que “quer” tudo para si, o egoísta não desenvolve a amizade. O egoísta é incapaz de perceber a presença de outros “eus” com expectativas e projetos próprios, diferentes dos seus. Na relação a dois transforma o parceiro em objeto. O egoísta não sabe conviver de maneira sadia, pois torna os outros apêndices (anexos, acréscimos) de seus desejos.
O narcisismo
própria imagem.
O narcisismo caracteriza-se por ser um comportamento patológico gerado pelo reforço social do individualismo em nível de um egocentrismo infantil exacerbado (agravado).
O mito de Narciso
Em tempos idos, na Grécia, o rio Cefiso engravidou a ninfa Liríope. Meses depois, Liríope, apesar de não desejar a gravidez, deu à luz uma criança de beleza extraordinária. Por causa disso, Liríope consultou o adivinho Tirésias sobre o futuro de seu filho, e ele previu (vaticinou) que Narciso viveria, desde que nunca visse sua
Sob essa condição, ele cresceu e tornou-se um moço tão belo quanto o fora quando criança. Não havia quem não se apaixonasse por ele. Narciso, entretanto, permanecia indiferente.
Um dia, porém, estando sedento, Narciso aproximou-se das águas plácidas de um lago e, ao curvar-se para beber, viu sua imagem refletida no espelho das águas. Maravilhado com sua própria figura, apaixonou-se por si mesmo. Desesperadamente, passou a precisar do objeto de seu amor, viu que não conseguiria mais viver sem aquele ser deslumbrante. Sua vida reduziu-se à contemplação daquele jovem tão belo: desejava-o, queria possuí-
lo. Desvairado (alucinado), inclinando-se cada vez mais ao encontro do ser amado, mergulhou nos braços frios da morte.
Às margens do lago, nasceu uma entorpecedora flor: o narciso. Ela relembra para sempre o destino trágico daquele que, aparentemente apaixonado por si mesmo, era, na verdade, incapaz de amar.
A psicologia distingue duas formas de narcisismo: o narcisismo primário e o narcisismo secundário. No narcisismo primário, a criança nos primeiros meses de vida não se distingue do mundo exterior. A criança se percebe como unida à mãe: as duas são uma só. Unida com a mãe, sente-se um ser completo e feliz. Somente aos poucos é que vai percebendo que ela é uma pessoa e a mãe, outra.
Quando o rompimento do vínculo narcisista primário é rompido de modo brusco, a criança dá entrada no narcisismo secundário. A criança, e mais tarde o adulto, criará um ego idealizado que se confundirá com seu próprio eu. Irá imaginar-se poderosa, sem necessidade dos outros, e ficará envaidecida com sua pseudo-perfeição (falsa perfeição). Não poderá, então, interessar-se de verdade pelos outros, simplesmente os usará para o enaltecimento (exaltação,
engrandecimento) de suas “qualidades”.
O amor na sociedade narcísica
O narcisismo revela a incapacidade de relação amorosa autêntica. O narcisismo só se interessa por quem alimenta a imagem engrandecida e envaidecida que ele faz de si mesmo.
A sociedade contemporânea, individualista, sem espírito comunitário e dependente do consumo, desenvolve condições para que o narcisismo aflore (venha à tona). As propagandas investem nos indivíduos, alisando-lhes o ego e tratando-os como onipotentes e merecedores de ver todos os seus desejos satisfeitos.
A pessoa se sente engrandecida, à medida que adquire e possui coisas. Não admite mais as frustrações da vida, reagindo a elas de maneira infantil e destrutiva.
Na sociedade narcísica, quase não há lugar para valores como justiça, honestidade e integridade. Vigora a lei do mais esperto, que procura levar vantagens em tudo.
Os membros dessa sociedade comportam-se como se estivessem
constantemente diante das câmeras, dos holofotes, representando, buscando o melhor ângulo, exibindo o melhor sorriso, o melhor e o mais comercial de si; essa é uma outra característica da personalidade
narcísica: a necessidade constante da admiração alheia.
O desejo permanente da fama, sucesso e beleza levam os indivíduos a temer e rejeitar a velhice; por isso, a eterna juventude é glorificada e a velhice, execrada (detestada).
Na sociedade narcísica, as pessoas são vazias, incapazes de relações profundas e verdadeiras. O verbo da moda é “ficar”, “ficar com alguém” ao invés de namorar, amar.
ATIVIDADE 4
1) De acordo com o texto, qual a real necessidade de um indivíduo egoísta?
2) Analisando o que expõe o texto sobre o egoísmo, o que faz com que uma pessoa com personalidade egoísta não seja capaz de se relacionar com as demais pessoas?
3) Pela experiência que você já possui, e pelo que foi lido até aqui, o que é um “indivíduo narcisista”?
4) Releia o “Mito de Narciso” e justifique a seguinte frase: “Narciso, que aparentemente ama, na verdade, era incapaz de amar”.
5) Fale sobre o “narcisismo secundário”.
6) Escreva um pequeno texto procurando tecer um comentário crítico sobre como o amor está sendo tratado na sociedade narcísica em que vivemos.