A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo durante os seus 70 anos acumulou um histórico de lutas pela democracia, pelas liberdades individuais, pela justiça social e contra os abusos do terrorismo de Estado, praticado principalmente no período do Regime Militar. Sendo, portanto, uma referência para a esquerda brasileira.
2017 é o ano que marca os 40 anos do confronto entre os estudantes e
as forças militares que invadiram a PUC-SP na noite de 22 de setembro de 1977. Os policiais perseguiram os alunos e alunas, dando cacetadas e jogando bombas que expeliam gás. Cerca de 700 estudantes foram conduzidos em ônibus da Prefeitura ao Batalhão Tobias de Aguiar e alguns foram conduzidos ao DEOPS. Em paralelo ao ocorrido em 1977, no dia 21 de março de 2016, após mais de 30 anos do processo de redemocratização, a PUC-SP foi vítima, novamente, da descabida violência do aparato repressor do Estado. A Polícia Militar de SP jogou bombas de gás na Rua Ministro Godói e agrediu alunas e alunos, professoras e professores, que se expressavam, pacificamente, contra a realização de um ato em favor do Golpe. Este evento evidenciou como as marcas do período ditatorial persistem, expressando-se, principalmente, na truculência policial. Truculência esta, que faz parte do cotidiano das periferias do país. Durante o ano de 2016, nós, integrantes do comitê “PUC Contra o Golpe”, honramos com a história da nossa Universidade, marcando a PUC-SP como um polo de resistência contra as ameaças à democracia do País. Desde o começo deste processo, nós nos posicionamos contra o avanço do conservadorismo e contra a tomada do poder abrupta e ilegal através do golpe institucional contra um governo democraticamente eleito. Nós, junto com alunos e alunas, professores e professoras, mobilizamos diversos atos na Universidade e ações diretas, que concretizaram, mais uma vez, a PUC-SP como uma referência na luta pela Democracia do país. Após o Golpe de 2016, o governo golpista de Michel Temer, com o objetivo de concretizar o projeto neoliberal para o Brasil, busca impor suas reformas, como a PEC 55, a Previdenciária, a Trabalhista, a Terceirização, que atingem concretamente na vida das mulheres, LGBTs, da população negra e na retirada de direitos da população. Nós, enquanto juventude, que desde sempre esteve lutando contra o crescimento do conservadorismo, em meio a tantos retrocessos, temos o compromisso de construir um intenso período de resistência pelo país. O QUE É A UNE? QUAIS AS CONQUISTAS PARA OS ESTUDANTES? A luta dos/as estudantes por mudanças no Brasil percorreu a história do nosso país. Desde o período colonial aos dias atuais - a luta pela Independência, pela Abolição da escravidão e em defesa da República - os/as estudantes e a juventude significaram um importante polo de movimentação social e de luta. A UNE, entidade nacional de representação dos/as estudantes é fruto de um processo histórico que começa a apontar para a necessidade de um instrumento nacional de organização desse setor. Nasce assim a UNE, em 1937. Desde sua criação, a entidade esteve presente e protagonizou diversas lutas e momentos históricos decisivos para o nosso país, como a resistência contra o nazi-fascismo, a campanha “O Petróleo é Nosso!” em defesa da Petrobrás, a luta contra a Ditadura Militar, as Diretas Já, a campanha pelo Fora Collor, o passe livre para os estudantes, os 10% do PIB para a Educação, significando um importante polo aglutinador dos/as estudantes, se movimentando por mudanças profundas na sociedade brasileira. A experiência demonstra que os/as estudantes são um termômetro das ruas e dinamizam a movimentação da juventude tanto nas universidades. No atual cenário, de supressão da democracia; perseguição de movimentos sociais, como o MTST; prisões políticas, como a de Rafael Braga, único preso das manifestações de 2013; e de corte de direitos, com as Reformas do Governo Temer, recupera-se a importância do papel político do movimento estudantil.
É hora de nós, estudantes, ocuparmos os espaços da política nacional para fazermos a resistência contra tantos retrocessos e tanta repressão. A história nos conta a importância da luta estudantil para conquistar direitos e garantias. É hora de honrarmos a história da UNE, de tantos e de tantas estudantes que lutaram pela democracia e por nossos direitos. Com a disposição da juventude, temos muito a conquistar! EM DEFESA DOS NOSSOS DIREITOS
-Defesa da filantropia e contra o desmonte da PUC-SP
-Defesa e luta pela ampliação do passe-livre estudantil
-Aplicação do PNE e das políticas de assistência estudantil nas Universidades privadas
-Contra o aumento abusivo das mensalidades
-Contra os retrocessos da PEC 55, mais qualidade no ensino e ampliação de bolsas de pesquisa e extensão na PUC
-Defesa do ProUni e do FIES
-Defesa da livre organização dos estudantes e dos movimentos sociais
-Por uma Universidade livre das opressões: contra o machismo, o racismo e a LGBTfobia
-Contra o desmonte do Estado nacional
-Derrotar a agenda de retrocessos do Governo Temer e as Reformas Trabalhista e da Previdência
-O povo tem que decidir: Diretas Já!