09/08/2024
O Prêmio Arthur Bispo do Rosário é destinado a artistas e fazedores de arte usuários de serviços de saúde mental do Estado de São Paulo, mostrando a invenção que emerge do campo sensível que estas obras presentificam, a vastidão de propostas e metodologias inovadoras que empreendem e que forçam os limites da arte institucionalizada e da cidadania cultural.
O sergipano Arthur Bispo do Rosário (1911-1989) foi internado no dia 25 de janeiro de 1939 na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Viveu cinco décadas trancafiado. Negro, solteiro, de naturalidade desconhecida, sem parentes, sem profissão e com antecedentes criminais, foi diagnosticado com esquizofrenia paranóide.
Na Colônia, produzia mantos e estandartes, bordados e miniaturas recobertos por fio azul, que obtinha desfiando o uniforme usado pelas pessoas institucionalizadas. No início dos anos 60, morou isolado no sótão e desenvolveu grande parte de sua produção. Durante os 25 anos ininterruptos que passou sem sair do manicômio, produziu 804 obras.
A obra e a história deste artista são inspiração para a realização do Prêmio Arthur Bispo do Rosário, que desde 1999 promove o fomento e a difusão de obras de arte realizadas por pessoas que vivem ou já viveram situações de intenso sofrimento psíquico, no intuito de mostrar o que está ao lado da história da arte e reiterar a função da arte postulada por Mário Pedrosa: de nos colocar diante do mundo como que pela primeira vez.
Fonte: CRP e Sindicato dos Psicólogos