30/05/2014
Resgate Histórico: História da Escola Filomena Matarazzo
Em meio a conversas mantidas com pessoas das mais diferentes idades sobre as escolas de Ermelino Matarazzo, a E.E Condessa Filomena Matarazzo, ou simplesmente "Filomena", foi sem dúvida uma das mais citadas. Aliás, ao fazerem referência à escola, o faziam no masculino. Ao perguntarmos por que, disseram-nos que era costume, pois antes de ser a Escola, "o Filomena" era o colégio. Sendo assim, expressões do tipo: "Eu estudei no Filomena" ou "o Filomena era muito legal", tornaram-se comuns para nós.
As primeiras pessoas que conosco falaram sobre o Filomena foram Odair Miranda Filho, Luis Carvalho, mais conhecido como Ziza, e Gilson Fuscaldo. "A nossa vontade e insistência contribuíram para que a Escola Condessa Filomena Matarazzo se tornasse realidade. Quando a gente concluiu o ginásio, tivemos que fazer um Vestibulinho e fomos sorteados para estudar em Poá" afirma Odair. "Quando nós terminamos o ginásio aqui no Primeiro Grupo, o Colégio Condessa Filomena estava em construção na Av. Paranaguá, mas não ficou pronto a tempo", completa Gilson, Ziza entra na conversa e relata: "durante a construção do colégio, o ginásio de esporte desabou e ficou parado por alguns anos e a gente precisando de escola. Ai foi feito um barracão de madeira improvisado que não comportava todo mundo e nós tivemos que ir para Poá. Começamos, então, com os movimentos sociais, a reivindicar junto ao governo a retomada das obras do colégio. Nós chegamos a estudar um período aqui no Benedita de Rezende e em 1974 fomos para o Filomena", conclui Ziza. Desde então, a Escola Estadual Condessa Filomena Matarazzo vem atendendo à população Ermelinense.
Durantes esses encontros e bate-papos, tomamos conhecimento de diversos projetos desenvolvidos por professores e alunos da E. E. Condessa Filomena Matarazzo. Soubemos, por exemplo, que durante vários anos a escola foi palco de experimentações sobre novas formas de ensinar e aprender, além de buscar novas maneiras de participação no cotidiano da instituição. Graças ao apoio e incentivo da professora Célia Maria Benedicto Giglio, Diretora do Filomena entre 1993 e 2007, parceiras foram firmada com instituições nacionais e internacionais resultando em melhorias e avanços importantes para a escola, tais como: a reestruturação da biblioteca e a informatização do acervo; a retomada do Grêmio Oswald de Andrade pelos alunos e a revitalização do auditório. Além disso, a escola desenvolveu diversos projetos nas áreas de áudio e vídeo, além do Curso Livre de Turismo. "Foi um período de grandes avanços e conquistas", recorda Leda Camargo Neves Meza Sanches, professora do Filomena há 20 anos. A muito estabelecida entre alunos, professores e corpo diretivo da escola, foi o que proporcionou o desenvolvimento de tantos projetos, concluí.
Outras iniciativas tão importantes quanto essas foram tomadas pelos docentes e discentes do Filomena. O Projeto "Abuso de Substâncias", por exemplo, adaptação feita a partir do projeto desenvolvido por um escola Pública da cidade de Calabassas, no Estado americano da Califórnia, e levado a cabo pela comunidade escolar do Filomena, resultou na construção de um contrato de convívio na escola, que impedia o uso de dr**as em suas dependências, e na indicação da formação do grupo de apoio para ajudar as vítimas do abuso de substâncias. Com coragem e ousadia a comunidade escolar soube enfrentar o problema das dr**as.
Interessantíssimo mostrou-se o projeto desenvolvido na área cinematográfica. Em janeiro de 2001, por meio de uma parceria formada com o Projeto Integrar pela Educação da Fundação Kellogg’s, o Filomena dava inicio às atividades do CineFiló. Aliás, a denominação dada ao projeto revela a criatividade de seus idealizadores, fazendo alusão à palavra cinéfilo (alguém que ama o cinema) e ao primeiro nome da patrona da escola.
O projeto coordenado e orientado pelo Pedagogo Wagner Batista de Oliveira consistia de exibições aos finais de semana de diversos tipos de filme, tanto comerciais, quanto curtas educativos. As sessões, sempre gratuitas e apresentadas entre 16h00 e 19h00, objetivaram divertir as pessoas e contribuir na formação do comportamento de novos adeptos da linguagem cinematográfica.
Em 2002 foi formado, dentro da escola, o Núcleo de Cinema e Vídeo, como o intuito não só de sessar as programações dos filmes, mas, fundamentalmente, formar pessoas capazes de entender e fazer cinema, criar produções a partir de seus olhares e seus desejos, capacitar alunos e professores. Nesse período aconteceu a revitalização do espaço da Videoteca, que havia surgido em 1995, juntamente com a biblioteca.
Ainda em 2002, a partir do projeto Cinema Vídeo nas Escolas - cujo piloto foi implantando e desenvolvido no Filomena -, o acervo passou para 1.000 títulos, numa ação patrocinada pela Secretaria de Estado da Educação.
Diante de tantos projetos desenvolvidos pelos diretores, professores, alunos e colaboradores da Escola Estatual Condessa Filomena Matarazzo, não é difícil entender porque tantos ex-alunos se referem ao Filomena como "uma escola à frente do seu tempo".
Não poderíamos encerrar este relato sem antes agradecer à professora Leda, que com tanto carinho e atenção nos atendeu. Foi graças a ela que tivemos acesso a documentos importantíssimos para este obra. Documentos esses resgatados por alunos participantes da Gincana realizada para comemorar os 30 anos do Filomena, pois dentre as tarefas a serem cumpridas estava o resgate histórico da instituição. O 1º Livro Ata do Grupo Escolar Ermelino Matarazzo, datado em 1949, e do qual extraímos informações preciosas, foi um dos documentos descobertos durante a Gincana.
Que bom seria se mais atividades como essa fosse desenvolvidas pelas escolas. Resgatar e preservar a história, algo indispensável para que um povo não se esqueça de quem realmente é.
Fonte e apoio: Livro Cultura ZL