19/11/2020
Junte-se a nós!
ALFOMARES, O NOSSO VERDE EM PERIGO
Texto de Ana Paula Armando Netto
Quem já se deparou com este enorme portão no final da Rua da Fraternidade por vezes não imagina a história que se desvenda por traz destes muros.
Pois bem, trata-se de um terreno de 80 mil metros quadrados, que pertenceu a Don Alfonso Martín Escudeiro, espanhol, que mantinha além da mata nativa, que ainda hoje abriga inúmeras espécies de animais, uma belíssima residência rodeada de jardins assinados por Burle Max.
Com o falecimento do proprietário em 1990, sua herdeira vendeu o bem à uma incorporadora. Esta receosa com a movimentação das associações do bairro para promover o tombamento da residência e dos jardins, tratou de demolir a casa e soterrar os jardins na calada da noite.
Não demorou muito para um projeto de construção de um condomínio de casas de luxo ser aprovado, ao custo das arvores centenárias que lá estão, da mata nativa que deveria ser protegida, dos cursos de água que lá se encontra e dos animais que lá se abrigam.
Diante de tal atrocidade a associação do bairro amparada por seus advogados e visando proteger o resquício de verde que sobreviveu ao expansionismo imobiliário, propôs ação judicial visando anular o processo administrativo que culminou nas autorizações necessárias para tal atrocidade.
Como forma de minimizar os evidentes danos ao meio ambiente, à cidade e à população, a construtora firmou um termo de compensação ambiental pelo qual se compromete a destinar pequena parcela do terreno para a criação de um parque, mantendo parte da mata, plantio de mudas e doação de mudas para o Viverio Manequinho Lopes.
Não é preciso muito esforço para vislumbrar que o que chamam de Termo de Compensação Ambiental, além de ser ínfimo perto dos danos ambientais provocados pela implementação do empreendimento, culmina em grande chamariz para as vendas das unidades a serem disponibilizadas.
No processo judicial foi realizada perícia que todos os danos irreparáveis ao meio ambiente e à região que serão verificados com a implementação do referido condomínio. A Juiza, diante da prova produzida no processo, proferiu decisão pela nulidade do processo administrativo que culminou nas licenças para a obra.
A construtora recorreu da decisão e por maioria de votos, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo reformou a sentença para reconhecer a validade do processo administrativo e das licenças concedidas e com isso autorizar a concretização da implementação do condomínio em detrimento do meio ambiente, dos animais que ali habitam e de toda a coletividade que se beneficia da preservação de espaços como este.
Apesar de haver recurso da associação do bairro para tentar novo julgamento justo, fato é que a construtora entende que já pode iniciar as obras e com isso a derrubada da nossa mata. Em 16/11/2020 nos deparamos com a movimentação de caminhões e placas com as indicações da documentação da obra, portanto, o risco é iminente.
Diante do que foi narrado, convido à todos que se sentiram tocados por esta narrativa que juntem-se a nós nessa luta pela preservação deste espaço. Como ajudar? Divulgue para a sua rede, tente apoio de quem possa nos dar voz, demonstre a sua indignação, queremos a atenção do Poder Público e da mídia para que possamos ser ouvidos! Toda ajuda é bem-vinda.
RESUMO:
Nosso verde está em risco! Depois de anos lutando em um processo judicial, a nossa associação do bairro perdeu uma batalha de todos... O Jardim Alfomares, um terreno com 80 mil metros quadrados será transformado em mais um condomínio de luxo, sacrificando o pouco de verde que ainda resta em nossa cidade, o resquício de mata atlântica preservada e os animais que se abrigam na região.
Perdemos a batalha mas não vamos nos entregar. Contamos com a ajuda de todos para sermos ouvidos pelo Poder Público e pela mídia numa tentativa de obstar essa empreitada que visa somente o lucro em detrimento do nosso direito à preservação ambiental.
Divulgue a nossa luta e juntos vamos!