22/04/2026
[REPRESENTAÇÃO DISCENTE PRIMAVERA ARCADAS - NOTA DE REPÚDIO]
A Representação Discente da Faculdade de Direito da USP repudia veementemente as recentes falas divulgadas, em grupos do WhatsApp, que atacam os moradores da Casa do Estudante.
Não se trata de desconhecimento inocente. Trata-se da reprodução consciente e sistemática de estigmas que ridicularizam as situações de vulnerabilidade, distorcem a realidade da permanência estudantil, transformando *direitos* em alvo de desprezo.
A ideia de que estudantes em situação de vulnerabilidade “recebem tudo de graça” e, ainda assim, passam fome, não apenas ignora as limitações reais das políticas de permanência; ela reforça uma lógica cruel: a de que quem enfrenta dificuldades deve, além de sobreviver, provar constantemente que merece existir na universidade.
Comparar estudantes a estereótipos de fraude ou insinuar má-fé de quem relata fome não é só desinformação, é desumanização.
A permanência estudantil não é privilégio. É política pública essencial, garantida constitucionalmente, para que a universidade pública não seja restrita a uma parcela privilegiada da sociedade.
Moradia, alimentação e assistência não são excessos; são o mínimo. É grave que, dentro da própria Faculdade de Direito, haja quem normalize esse tipo de discurso. Mais grave ainda é tentar tratá-lo como irrelevante ou como mera “opinião divergente”.
Diante disso, a Representação Discente afirma: não há espaço para relativizar a dignidade de estudantes. Não há neutralidade possível diante da exclusão.
Seguiremos denunciando, enfrentando e não normalizando qualquer discurso que ataque a permanência estudantil e os direitos de quem depende dela para continuar na universidade. A universidade pública não pertence à elite. E não será, sem resistência, transformada em um espaço de exclusão.
Nenhum direito a menos.