Secretaria Nacional de Direitos Humanos do PT

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27/03/2026
23/03/2026

A única informação relevante do pedido de desculpas foi a confirmação de que o PowerPoint foi uma criação da Andrea do PowerPoint.

*OS NECROJORNALISTAS  E O CHORO PELO IRÃ* *Artigo magistral  de Inês Olud* Choro pelo Irã, choro pela humanidade: A crap...
01/03/2026

*OS NECROJORNALISTAS E O CHORO PELO IRÃ*

*Artigo magistral de Inês Olud*

Choro pelo Irã, choro pela humanidade: A crapulagem dos que normalizam a barbárie

Li hoje uma manchete que me gelou a alma. Não pela novidade, mas pela confirmação de que o jornalismo brasileiro atingiu um novo patamar de miséria moral. "Ninguém vai chorar pelo Irã", estampou o Estadão, como quem sentencia quem merece ou não ser pranteado neste mundo. Como quem define, de cima de um púlpito podre, quais vidas importam e quais podem ser reduzidas a escombros sem que uma lágrima seja derramada.

Trata-se, leitoras e leitores, de uma declaração de psicopatia travestida de análise geopolítica. Porque só um psicopata, desses que habitam os manuais de psiquiatria, é incapaz de sentir compaixão diante da dor alheia e ainda a transforma em manchete de jornal.

Mas eu vou chorar, sim.Faço parte dos “alguéns” Vou chorar pelo Irã como chorei por cada país agredido pela sanha imperialista que, desde 1946, transforma o mundo num imenso cemitério. Chorei por Hiroshima e Nagasaki, varridas do mapa por bombas atômicas que incineraram civís como se fossem formigas. Chorei por Dresden, reduzida a cinzas numa noite de fogo que matou milhares de refugiados e crianças. Chorei pelo Vietnã, pelo Iraque, pela Líbia, pela Síria, pelo Afeganistão. Chorei pela Palestina, esquartejada dia após dia diante dos olhos cúmplices do Ocidente.

E agora, choro pelo Irã.

Choro por um país de história milenar, cuja arquitetura deslumbrante já foi poesia feita em pedra e azulejo. Choro por um povo que tem o direito de viver em paz, como qualquer outro povo neste planeta. Choro pelas 85 crianças e professoras assassinadas covardemente dentro de uma escola, vítimas da insanidade mental de homens que transformam a geopolítica num ringue de barbárie. Choro pelos civis que viram números, estatísticas, "danos colaterais" na frieza dos relatórios de guerra.

Choro, sobretudo, pela humanidade que perdeu o rumo outra vez e regrediu aos anos 40, quando o mundo assistiu ao horror e, em muitos casos, aplaudiu.

O que me estarrece, no entanto, não é apenas a violência dos que empunham as armas. É a violência dos que empunham as canetas e teclados para justificar o injustificável. É ver jornalistas brasileiros, desumanizados, coisificados pela ideologia, festejarem a destruição de países que ousam não se curvar aos ditames de Washington. É vê-los babando o ovo de políticos americanos, como se os EUA fossem uma entidade divina e não um império em decadência moral.

Falo de um país que hoje é liderado por um sujeito condenado em 34 processos judiciais, um homem cuja principal especialidade, além de fraudes e falências, é frequentar os corredores sombrios das listas de Epstein, aquele mesmo, o amigo de poderosos que "suicidaram" antes de contar o que sabia. E falo de um primeiro-ministro israelense cuja especialidade é explodir corpos de crianças em praças públicas, chamar aquilo de "defesa" e ainda ser recebido com tapetes vermelhos por governantes que se dizem civilizados.

E esses jornalistas, esses "necrojornalistas" de plantão, têm a pachorra de dizer que ninguém vai chorar pelo Irã?

Pois saibam: o choro que dedicamos às vítimas do Irã é o mesmo que dedicamos às vítimas de Gaza, da Ucrânia, da Síria, do Iêmen. É o mesmo que dedicamos às crianças mortas por balas perdidas nas favelas brasileiras, enquanto a pauta da segurança pública vira ringue eleitoral. É o luto por uma humanidade que insiste em se autodestruir enquanto meia dúzia de abutres lucra com a desgraça.

Vocês, jornalistas, que normalizam o genocídio, que relativizam o fascismo, que tratam a morte de inocentes como peça de xadrez geopolítico, por vocês, confesso, não chorarei. Não perderei uma lágrima com quem trocou a ética pela militância da morte, a verdade pelo alinhamento automático aos interesses do império.

Mas pelo Irã, sim. Pelas crianças iranianas, pelas professoras, pelos civis que só querem viver. Pelos mortos de todos os lados que não escolheram ser alvos. Pela memória de Hiroshima, Nagasaki, Dresden e de todos os lugares onde a humanidade se perdeu de si mesma.

Chorarei até que o choro se transforme em memória. E até que a memória nos obrigue, um dia, a parar de repetir os mesmos erros.

Porque enquanto houver um só jornalista disposto a dizer que "ninguém vai chorar" por um povo bombardeado, haverá motivo para lágrimas. E para muita raiva.

Este artigo é dedicado a todas as vítimas da insanidade , de ontem, de hoje e de sempre.

*Inêz Oludé, artista plástica e poeta*

"Ninguém vai chorar pelo Irã", estampou o Estadão, como quem sentencia quem merece ou não ser pranteado neste mundo.

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10/12/2025
03/12/2025

Luiz Eduardo Greenhalgh é sem dúvida um dos principais defensores de Direitos Humanos da história contemporânea. Recém-formado, tinha seu futuro garantido com a continuidade da sólida reputação do escritório de advocacia do seu pai, especializado na área cível.

Mas tudo mudou quando seu amigo Idibal Pivetta foi preso em 1973 por defender presos políticos. Com empatia, Greenhalgh oferece auxílio a Airton Soares, sócio de Idibal, para além de ajudar na defesa do amigo, atender aos casos do escritório. Nesse período, começou a visitar os presos políticos no Presídio Tiradentes, no pavilhão 5 do Carandirú, Presídio do Hipódromo e também no Presídio da Polícia Militar do Barro Branco. Ouvia os seus relatos de tortura, de assassinatos e de desaparecimentos de companheiros. Meses depois, Idibal foi solto, mas Greenhalgh nunca mais voltou ao escritório de seu pai, encontrara o seu caminho profissional. Atendeu a mais de 40 presos políticos, se politizou dentro da cadeia porque conversava com os presos e, em geral, fazia análise e estratégias de defesa no processo vinculada aos princípios ideológicos.

Coordenou o Projeto Brasil: nunca mais, de 1979 a 1985, cujo objetivo foi o de documentar processos do STM, a fim de registrar as torturas e excessos de violência do país sobre o período ditatorial. Greenhalgh é membro fundador do PT, foi vice-prefeito de São Paulo no governo de Luiza Erundina, em 1989–1992, e exerceu três mandatos como Deputado Federal, participando da Comissão de Constituição e Justiça, dos Direitos Humanos e Minorias e defendeu movimentos como o MST.

Sua trajetória reflete um compromisso inabalável com a justiça e a democracia. Foi fundador e dirigente do Comitê Brasileiro pela Anistia, integrou a Comissão de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo, foi fundador do Comitê Latinoamericano de Defesa dos Direitos Humanos para os Países do Cone Sul (Clamor) e integrou o Comitê Brasileiro de Solidariedade aos Povos da América Latina (CBS). Como Deputado Federal (PT/SP), presidiu as Comissões de “Constituição e Justiça” e de “Direitos Humanos”. É integrante da Comissão “Memória e Verdade” da OAB/SP.

03/12/2025

*SECRETARIA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS DO PT*

*​NOTA OFICIAL*

*​A Barbárie não é Política de Segurança: Pelo fim do Genocídio no Rio de Janeiro*

​A Secretaria Nacional de Direitos Humanos do Partido dos Trabalhadores vem a público para manifestar seu repúdio veemente à política de segurança pública baseada no extermínio, na letalidade indiscriminada e na desumanização dos territórios periféricos, modelo infelizmente vigente no estado do Rio de Janeiro sob a gestão Cláudio Castro.

​Diante dos debates recentes sobre a atuação policial em comunidades, é imperativo reafirmar: não existe "sucesso" em operações que deixam para trás um rastro de sangue, corpos e famílias destroçadas. A lógica que naturaliza massacres e tenta legitimar a morte de cidadãos sob o pretexto de combate ao crime não nos representa, não constrói a paz e fere frontalmente os princípios fundantes do nosso partido e da democracia.

​Classificar vítimas da letalidade policial como descartáveis, ou sugerir que aqueles que tombam sob a mira do Estado o fazem por "inépcia" ou "escolha", é uma afronta à dignidade humana. Ninguém que morre em decorrência da falência do Estado é "otário". São jovens negros, moradores de favelas, trabalhadores e, inclusive, suspeitos que deveriam ser submetidos ao devido processo legal, e não à execução sumária.

​A normalização do discurso de que "bandido bom é bandido morto" ou a ridicularização da morte nas favelas serve apenas para alimentar a máquina de moer gente pobre que se instalou no Rio de Janeiro. O governo Cláudio Castro tem perpetrado um verdadeiro genocídio contra a juventude negra, acumulando chacinas e transformando a polícia em vetor de insegurança, não de proteção.

​Operações policiais, como a chacina que resultou em 122 de mortes, não são demonstrações de força; são atestados de fracasso institucional e incompetência investigativa. Segurança Pública se faz com inteligência, rastreamento financeiro do crime organizado, valorização da vida e respeito aos Direitos Humanos.

A barbárie, seja ela praticada por criminosos ou fardada pelo Estado, deve ser combatida, e nunca aplaudida ou minimizada. Nos solidarizamos com todas as famílias vítimas da violência no Rio de Janeiro e reafirmamos nosso compromisso inegociável com a vida.

​O Partido dos Trabalhadores nasceu da luta contra o arbítrio e em defesa da vida. Não compactuamos com a necropolítica. Repudiamos quaisquer manifestações preconceituosas, reacionárias, autoritárias ou que incentivem a violência. Preferimos, como referência, os exemplos das políticas públicas do Governo do Presidente Lula no combate ao crime.

Brasília, 03 de dezembro de 2025.

*Pedro Batista – Secretário Nacional de Direitos Humanos do PT*

Endereço

SCS, Quadra 2, Bloco C, 256/Asa Sul Brasília/DF
São Paulo, SP
70302-000

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