28/05/2026
A cada 4 fatalidades no trânsito brasileiro, 1 é de motociclista. E a tendência continua subindo.
Olhar pra esse número e culpar só o piloto é resposta fácil. A real é mais complicada e envolve várias camadas que se sobrepõem.
A frota de motos no Brasil dobrou em pouco mais de uma década. São mais de 32 milhões circulando. Mais motos na rua significa mais exposição estatística ao risco, antes mesmo de qualquer comportamento entrar na conta.
A moto também é o único veículo sem carroceria. Qualquer impacto, por menor que seja, transfere a energia direto pro corpo do piloto. Não tem zona de deformação, não tem cinto, não tem airbag estrutural.
Acrescenta a profissionalização do trânsito. Motoboy e entregador de aplicativo passam de 8 a 12 horas por dia em deslocamento. Tempo de exposição importa, e importa muito.
Tem ainda a infraestrutura, que foi pensada pro carro. Buracos, juntas de dilatação, sinalização horizontal escorregadia, tampa de bueiro mal nivelada. Detalhes pro motorista, fatalidades pro piloto.
E tem o acostamento. Poste rígido, mureta de concreto, suporte de placa não colapsível. Em uma queda de moto, o corpo encontra esses obstáculos diretamente.
Combater esse número não tem solução única. Educação, fiscalização, equipamento, infraestrutura adequada e produto certificado. Tudo ao mesmo tempo, todo dia.
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