12/09/2017
[CARTA PROPOSTA - CHAPA RETOMADA]
Somos da Chapa Retomada, e iremos disputar as eleições para a diretoria do CAASO neste ano. Partimos de uma análise crítica a respeito do atual momento da instituição e de sua trajetória nos últimos anos, e por isso nos colocamos como uma chapa de oposição (à esquerda, sempre).
Nos últimos cinco anos assistimos, nacionalmente, a uma série de manifestações, greves e ocupações promovidas pelo movimento estudantil, frente aos ataques crescentes feitos pelas elites nacionais e pelos oligopólios privados da educação, representados nas figuras das instituições democráticas burguesas, contra a educação pública, em especial a universitária.
O CAASO não deixou de acompanhar e de fazer parte destes movimentos. Porém, desde a histórica greve de 2013, o que percebemos é um esvaziamento gradativo dos espaços políticos no campus. Ou seja, essas manifestações, apesar de massivas, não representaram, posteriormente, um salto qualitativo na organização do movimento estudantil no CAASO, restringindo-se a movimentações espontâneas.
Isso se deve, principalmente, a três fatores, os quais são os eixos estruturais de nossas propostas enquanto chapa. O primeiro é o ataque aos nossos espaços dentro da Universidade, tendo como exemplo maior a liminar contra eventos no campus, a qual restringe a organização de festas, palquinhos, etc. Estes eventos, mais do que fonte de renda para o movimento estudantil, eram espaços cotidianos de ocupação efetiva do espaço público universitário, agora cerceado e esvaziado, reduzindo, assim, a relação de pertencimento e identidade para com o CAASO enquanto operador político do campus. Além da luta contra a liminar, que deve ser continuada, é necessário propormos e ampliarmos os novos modos de ocupar nossa universidade frente ao impedimento judicial, assim como tem sido feito nas festas juninas do Aloja e da Arquitetura, feiras veganas do CAASO, etc.
O segundo ponto é o Colégio CAASO, importantíssimo elemento para o centro acadêmico para expandir sua influência a nível municipal, dessa forma não restringindo sua atuação à USP. Atualmente, o Colégio enfrenta grandes problemas financeiros e administrativos devido a cumulativas más gestões que culminaram num consenso nos últimos anos sobre a necessidade de seu fechamento. Não só não compactuamos com a ideia de fechamento do Colégio, como defendemos estruturadas medidas (a curto, médio e longo prazo) para sua recuperação enquanto importante fonte de renda e ponte para uma forte atuação política municipal.
Logicamente, uma grave crise financeira e administrativa não se sanará em apenas um ano, é necessário um longo planejamento estratégico para esta questão, mas o primeiro passo em definitivo, nesse sentido, precisa ser dado! É essencial voltarmos, enquanto diretoria, a ocupar cotidianamente o espaço do Colégio, um espaço autônomo e com vida própria, que não pode ser legado a apenas algumas poucas pessoas. Deve-se, sim, organizar um Núcleo de Apoiadores do Colégio que irão efetivamente realizar um plano de acompanhamento cotidiano do espaço, professores e estudantes, de modo a não só estarem presentes diariamente por lá, mas também a retomar a troca mútua entre Colégio e Universidade, chamando grupos extracurriculares do CAASO para dentro do Colégio, montando atividades voltadas para a população dos bairros ao redor (como minicursos e eventos culturais), propagandeando o Colégio nas escolas municipais novamente e retomando o essencial trabalho de base nos bairros.
O terceiro e último ponto é a questão que estrutura e amarra todos os outros problemas e pormenores do CAASO atualmente: a necessidade de um Trabalho de Base bem estruturado e qualificado. É essencial um forte trabalho de base para a inserção orgânica do Centro Acadêmico, enquanto vanguarda do movimento estudantil do campus, para com suas bases. Este vem sendo deixado de lado há anos, e há tempos não nos deparamos com um planejamento adequado para retomar esta conexão entre CAASO e bases, fazendo com que a diretoria assuma, progressivamente, um caráter despolitizado, burocrático e meramente administrativo, deixando o caminho livre para o distanciamento dessas bases (observado na despolitização crescente dos moradores do Alojamento, ainda um poderoso catalisador político do campus, e na transformação das Secretarias Acadêmicas, ou pelo menos grande parte delas, em meras prestadoras de serviços).
A reconstrução de um Jornal do CAASO, em articulação com as SAs, coletivos e demais entidades é uma estratégia importantíssima nesse sentido. Assim como a construção de um Comitê Contra a Precarização do Trabalho da USP São Carlos, tendo em vista o cenário de desmonte crescente das condições de trabalho dos funcionários de nosso campus, em especial os terceirizados.
Vivemos momentos difíceis na atual conjuntura. A Universidade Pública sofre ataques brutais e a perspectiva para os próximos anos é, mais uma vez, de privatizações crescentes, não sem antes uma progressiva precarização dos trabalhadores do âmbito universitário e para os estudantes que dependem das políticas de permanência estudantil. Dessa forma, é essencial que retomemos o caráter combativo de nosso centro acadêmico e recuperemos o enorme histórico de lutas do CAASO. Queremos Retomar o papel organizativo do CAASO, capaz de aglutinar as lutas dos estudantes, que atue em conjunto aos coletivos, grupos e SA’s. Queremos ir além da responsabilidade de se administrar o CNPJ do CAASO. Queremos uma entidade de peso que volte a ser ouvida nas deliberações do campus, que seja protagonista a nível municipal e extrapole a universidade para além de seus portões e traga a população para dentro!
Queremos a RETOMADA de um trabalho histórico, político e social que nunca devia ter sido interrompido!