Coletiva Ira Feminista

Coletiva Ira Feminista Coletiva Insurgência Radical Feminista é uma coletiva feminista radical atuante no Rio de Janeiro

Embora a prostituição seja uma prática muito antiga e essencial para o funcionamento do patriarcado, as mulheres em situ...
30/10/2016

Embora a prostituição seja uma prática muito antiga e essencial para o funcionamento do patriarcado, as mulheres em situação de prostituição enfrentam, mesmo hoje, um enorme preconceito. Isto porque a culpabilização da vítima é uma parte integrante do aliciamento e dos mitos vigentes na sociedade. Mantendo a ideia de que são mulheres lascivas, que levam uma vida fácil, f**a mais fácil desacreditar suas palavras quando elas finalmente rompem o silêncio, denunciando os aliciadores, clientes e estupradores.

Culpabilizar a vítima também é uma estratégia historicamente usada para não colocar o cliente no foco da discussão. Quem é que "compra s**o" e por que faz isso?

Em pesquisa de 1995 e 1996, Francisca Ilnar Souza constatou que 57% dos homens que frequentavam os prostíbulos de Fortaleza era homens casados. Em pesquisa mais recente, o sociólogo Saïd Bouamama chegou a conclusão similar. O mito socialmente aceito ainda nos apresenta o cliente como um homem solitário, rejeitado por outras mulheres, que precisa pagar para aplacar um desejo natural. No entanto, o que estas e outras pesquisas apontam é que os homens procuram na prostituição mulheres vulneráveis, capazes de "realizar desejos" a que as esposas não estão (nem precisam estar!) dispostas. A pesquisa de Souza nos diz também que a prática de iniciação sexual masculina nos prostíbulos ainda vigora.

A culpabilização da mulher prostituída serve, ainda, para atribuir sacralidade à família. Assim, esta célula que organiza economicamente a sociedade e serve para que o homem explore o trabalho doméstico da mulher pode seguir gozando de sua aura ao mesmo tempo sagrada e natural, separando as esferas públicas.

Ajude as coletivas radicais do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Belo Horizonte a fomentar este debate sob a ótica da libertação das mulheres e meninas. Acompanhe e compartilhe nossos posts diários!

Em seu artigo, Como as Políticas do Orgasmo Sequestraram o Movimento Feminista, Sheila Jeffreys descreve como o erotismo...
28/10/2016

Em seu artigo, Como as Políticas do Orgasmo Sequestraram o Movimento Feminista, Sheila Jeffreys descreve como o erotismo da sexualidade masculina é forjado na afirmação da relação de poder entre homens e mulheres. “[...] a asserção de uma distinção entre ‘os s**os’ por meio de comportamentos de dominação/submissão que proporcionam ao s**o sua saliência e a intensa excitação geralmente associada a ele na supremacia masculina.”

Dentro desse contexto, é imperativo evidenciar que a relação de poder entre homens e mulheres adultas não é a única possível e, portanto, não é a única fonte de prazer masculino pautado na dominação do macho sobre a fêmea. A pedofilia não é uma patologia que acomete os homens ou um desvio moral, é um resultado esperado e obtido satisfatoriamente. O prazer do pedófilo está radicado na incapacidade da criança de compreender o que está acontecendo e de se proteger, uma relação de poder extremamente profunda é estabelecida e devidamente aproveitada pelo abusador. Nesse sentido, a violação sexual infantil no seio da família ou não é o primeiro sequestro da sexualidade da menina. Apesar da sociedade de maneira geral alegar repúdio à pedofilia, é evidente que a masculinidade - predatória em sua concepção primeira - incentiva deliberadamente a “adultização” de meninas e a infantilização de mulheres.

Alguns exemplos, respectivamente, são os sutiãs com bojos para crianças, os concursos infantis de beleza, o padrão estético feminino livre de envelhecimento e pelos, o fetiche com colegiais, os sites pornográficos que apresentam mulheres como bebês ou crianças (no dia 26 deste mês a revista britânica The Economist divulgou que no Brasil o termo mais procurado por internautas é "novinha"), bordéis com quartos simulando espaços infantis e fabricação de bonecas se***is de silicone em idade infantil ou pré-púbere (Japão), etc.

Segundo relatório da Polícia Federal divulgado em 2014 na Folha de S. Paulo, houve 134 prisões motivadas por pedofilia em 2013, contra 59 em 2012. O crescimento foi de 127%. O número de investigações realizadas pela polícia também dobrou, indo de 860 em 2012 para 1.789 em 2013. Quase um terço das investigações, 534, aconteceram no estado de São Paulo. O Rio de Janeiro vem em segundo lugar com 210 processos. E 63% dos indiciados são homens com idade entre 18 e 37 anos. No ano de 2014, o governo federal recebeu, por meio do disque 100, mais de 180 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes. Desse total, 26 mil tratavam de abuso sexual, o que representa uma média de 70 denúncias por dia. São Paulo lidera os casos, com 14,5%, seguido da Bahia, com 8,74%, e do Rio de Janeiro, com 8,34%. Em 80% dos casos, as vítimas eram meninas e 60% tinham a idade entre7 e 13 anos. A maioria dos abusadores geralmente é parente da vítima. Considerando que crimes se***is ainda são subnotif**ados, é perfeitamente aceitável sugerir que os números são bem mais elevados, principalmente no interior, em rotas comerciais com estradas e em grandes obras que contam com muitos operários, como construções de usinas hidrelétricas.

A maioria das vítimas do tráfico de seres humanos para fins de exploração sexual são mulheres e adolescentes, afrodescendentes, com idade entre 15 e 25 anos, oriundas de classes populares, com baixa escolaridade e carências econômicas e sociais de todo tipo, inseridas em trabalhos remunerados de pouca ou péssima remuneração, desempenhando funções desprestigiadas ou mesmo subalternadas, sem garantia de direitos e que envolvem uma prolongada e desgastante jornada diária, com uma rotina desmotivadora e desprovida de possibilidades de ascensão e melhoria. (OIT, 2005)

As mulheres e as adolescentes em situação de tráfico para fins se***is geralmente já sofreram algum tipo de violência intrafamiliar (abuso sexual, estupro, sedução, atentado violento ao pudor, corrupção de menores, abandono, negligência, maus tratos, dentre outros) e extrafamiliar (os mesmos e outros tipos de violência intrafamiliar, em escolas, abrigos, em redes de exploração sexual e em outras relações). (OIT, 2005)

Assim, as mulheres vítimas do tráfico já sofrem toda série de privações e de violência antes mesmo da entrada na exploração sexual, e, segundo consideração da Corte Interamericana de Direitos Humanos, “dificilmente poderia dizer-se que uma pessoa é verdadeiramente livre se carece de opções para encaminhar a sua existência e levá-la à sua natural culminação”. Os danos causados às vítimas da violência ameaçam, em última instância, o próprio sentido que cada pessoa atribui à sua existência dado que produzem grave alteração no curso de vida das vítimas, impedindo a realização de sua vocação, aspirações e potencialidades, particularmente no que diz respeito à sua formação e seu desenvolvimento como ser humano pleno.

Ajude as coletivas radicais do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Belo Horizonte a fomentar este debate sob a ótica da libertação das mulheres e meninas. Acompanhe e compartilhe nossos posts diários!

O tráfico sexual de mulheres para a prostituição é muito antigo. Desde as mulheres negras traf**adas a fim de reproduzir...
28/10/2016

O tráfico sexual de mulheres para a prostituição é muito antigo. Desde as mulheres negras traf**adas a fim de reproduzir a mão de obra escrava, passando pelas "polacas", trazidas do Leste Europeu no início do século XX, ela faz parte da própria história de expansão do capital e do patriarcado branco. O tráfico atende tanto às necessidades econômicas e geopolíticas decorrentes do capital, quanto à dominação masculina, que fetichiza corpos de mulheres de acordo com suas etnias, de forma que a prostituição e o tráfico de mulheres andaram e sempre andarão juntos.

Assim como o tráfico, a luta pela abolição da prostituição é muito antiga. Remonta à Josephine Butler, no fim do século XIX, mas se estende até hoje. Já em 1032, a Sociedade das Nações, que sustentava uma postura abolicionista, apontava que a regulamentação da prostituição favorecia o tráfico humano. Assim, as abolicionistas logo concluíram que não havia diferença entre o proxenetismo nacional e o transnacional. Ambas são formas de aliciamento.

No protocolo de Palermo, documento de 2003, a ONU define o tráfico de pessoas nos seguintes termos: o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo-se à ameaça ou ao uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração”.

O tráfico de pessoas para a prostituição pode acontecer internacionalmente ou dentro de um mesmo país. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, hoje este tráfico é o terceiro mais lucrativo, seguindo o de dr**as e o de armas. Nos anos 1990, 33 milhões de pessoas, em sua maioria mulheres, foram traf**adas do Sudeste da Ásia para o resto do mundo. Em 2003, a Europol registrou a chegada de 500 mil vítimas para os 15 países da União Europeia. Neste mesmo ano, nas Filipinas, 2 mil mulheres por dia saíram do país para a prostituição. Sabe-se que essas migrações em massa são ocasionadas, entre outros fatores, pelos megaeventos esportivos, e especif**amente na Europa, muito desta migração foi feita a pé.

No Brasil, existe um intenso tráfico interno, onde Norte e Nordeste são os principais "exportadores" de pessoas, dentre as quais 25% têm entre 10 e 19 anos. Segundo o Observatório de Segurança Nacional, o principal objetivo é o turismo sexual. No processo de transporte e acomodação, as vítimas contraem dívidas com seus aliciadores. São cercadas de vigilantes que as acompanham aonde forem, impedindo a fuga ou denúncias. Em geral, trabalham apesar de todas as doenças.

Para Malka Marcovich, historiadora, a recente defesa da exploração sexual está intimamente ligada a uma mudança geral na esquerda. A queda do bloco socialista e a instauração de uma hegemonia neoliberal tendem a solapar qualquer visão revolucionária de mundo, inclusive a feminista. Assim, "em nome da modernidade e da liberdade, desenvolveu-se uma propaganda mundial que resultou na normalização e na ressurgência de uma visão arcaica da sexualidade humana, fundamentalmente desigual, focalizada essencialmente no funcionamento mecânico do aparelho ge***al masculino" (MARCOVICH, 2011. p.482).

Ajude as coletivas radicais do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Belo Horizonte a fomentar este debate sob a ótica da libertação das mulheres e meninas. Acompanhe e compartilhe nossos posts diários!

De acordo com Andrea Dworkin, “estupro, então, é uma consequência lógica de um sistema de definições do que é normativo....
27/10/2016

De acordo com Andrea Dworkin, “estupro, então, é uma consequência lógica de um sistema de definições do que é normativo. Estupro não é excesso, não é aberração, não é acidente, não é erro - o estupro molda a sexualidade exatamente da forma que a cultura a define. Enquanto essas definições de gênero permanecerem intactas, homens dentro da normatividade continuarão estuprando mulheres". A própria prostituição é em si mesma estupro pago, comprar mulheres é possível à classe masculina porque a estrutura patriarcal está arranjada de modo a tornar esta expropriação um objetivo que é alcançado com sucesso todas as vezes.

O projeto de regulamentação da cafetinagem, defendido por certa parte da esquerda, é um projeto político liberal e masculinista.

Regulamentá-la signif**a admitir que o horizonte revolucionário masculino é incapaz de ser sustentado com a retomada do que foi sequestrado às mulheres: o direito aos seus corpos. Que é incapaz de fornecer um padrão de vida saudável para mulheres, livre do estupro e da violência masculina. A revolução dos homens não alcança nossas demandas.

De acordo com a Organização das Nações Unidas, regulamentar ou legalizar a prostituição não impediu o tráfico sexual, apenas o tornou mais fácil e mais rentável para os traf**antes. Segundo relatório, o tráfico sexual está agora empatado com o de armas ilegais como segundo maior ganhador de dinheiro do crime organizado.

Por que um homem paga pelo corpo de uma mulher?

Por que um homem vende o corpo de uma mulher?

Por que homens defendem a manutenção da exploração sexual dos corpos femininos e não a abolição dessa exploração?

Por que homens não voltam seus esforços para retirar mulheres que estão em situação de prostituição desta realidade desumana e investem na sua capacitação profissional?

Porque não inseri-las no mercado de trabalho?

Porque se discute mais sobre como reformar a prostituição que sobre como acabar com ela?

Por que o horizonte revolucionário masculino consegue almejar o fim da exploração dos trabalhadores por capitalistas, dos negros por brancos e dos animais por humanos mas é inepto de almejar o fim da exploração dos corpos femininos por homens?

Como é possível a emancipação da classe feminina se a masculina tem o direito de comprá-la como uma mercadoria?

Nós precisamos romper o silêncio sobre as violências cometidas contra as mulheres.

Nós das coletivas radicais do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Belo Horizonte convidamos você a refletir sobre essas questões e a acompanhar os posts diários nas nossas páginas. Compartilhe! Nos ajude a romper o silêncio!

Segundo Victoria Woodhull, “liberdade sexual, então, signif**a a abolição da prostituição, tanto dentro quanto fora do c...
27/10/2016

Segundo Victoria Woodhull, “liberdade sexual, então, signif**a a abolição da prostituição, tanto dentro quanto fora do casamento; signif**a a emancipação feminina da escravidão sexual e a obtenção da posse e do controle sobre o corpo; signif**a o fim de sua dependência pecuniária em relação aos homens, de tal forma que ela nunca precise obter nada do que deseja ou precisa em troca de favores se***is.”

A completa emancipação das mulheres só poderá se concretizar a partir do momento em que retomarem o que sempre foi seu: o direito aos seus corpos. E essa emancipação não pode estar desacompanhada do reconhecimento dos responsáveis pela exploração dos corpos femininos, os vendedores e consumidores da prostituição. É preciso focar que o problema da prostituição não é a pr******ta e sim quem a prostitui, explora, estupra e mata.

A violência masculina é celebrada nas figuras do cafetão e do cliente e não falar sobre esses lugares tóxicos ocupados pelos homens é mais um dos sintomas do menosprezo pela dor da escravidão das mulheres. Menosprezo que aponta que o único cuidado que a classe masculina têm é o de se eximir.

Uma vez que o patriarcado é organizado em torno da extração dos recursos dos corpos e mentes femininos a serviço dos homens, incluindo os recursos reprodutivos, se***is, emocionais e de trabalho, o gerador e o produto dessa extração é o estupro. No caso da prostituição, o estupro pago, para que alguém o consuma e para que alguém lucre sobre ele.

Dessa maneira, quando os homens e as estruturas que baseiam a masculinidade defendem que a regulamentação é a melhor solução para as mulheres prostituídas, o que está por trás desse projeto é uma reafirmação secular: a eximição pela exploração dos corpos femininos e, consequentemente, pela violência masculina.

Nós, das coletivas radicais do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Belo Horizonte convida as mulheres a acompanhar e compartilhar os posts diários nas nossas páginas! Nos ajude a fomentar este debate!

O TEPT é caracterizado por um desencadeamento de alterações psiquiátricas em função de eventos marcantes (de curta ou lo...
27/10/2016

O TEPT é caracterizado por um desencadeamento de alterações psiquiátricas em função de eventos marcantes (de curta ou longa duração) de natureza ameaçadora e estressante. Entre um quadro diverso, as reações mais comuns são fobias, ansiedade, pânico. Trata-se de uma experiencia de medo intenso e desamparo. Conforme o CID ( Classif**ação Internacional de Doenças), o transtorno pode apresentar sintomas graves como estados dissociativos, que levam a revivência de situações traumáticas na forma de flashbacks (lembranças intrusivas) ou pesadelos. Está associado ao suicídio e uso abusivo de dr**as.

Na pesquisa “Prostitution, Violence, and Posttraumatic Stress Disorder” pessoas em situação de prostituição foram entrevistadas a respeito da extensão da violência em suas vidas com o objetivo de verif**ar a relação com sintomas de transtorno do estresse pós traumático. Entre as entrevistadas 57% alegam ter sofrido abuso sexual infantil e 49% relatam abusos físicos na infância. Já adultas e na prostituição, relatam situações de ameaça com armas e estupros.

Esses dados revelam como a violência psicológica é um fator entre as condições anteriores a entrada na prostituição dentro de um quadro de vulnerabilidade extrema. Neste caso, a prostituição signif**a uma “atualização” constante de circunstâncias violentas e traumáticas. Entre as mulheres, no geral, uma das maiores causas do transtorno é a violência sexual.

Em se tratando de mulheres prostituídas a dimensão do trauma devido ao uso constante do corpo como objeto/produto toma outra proporção. O homem paga e usa daquele corpo como lhe convém: humilhações, xingamentos, espancamento, estupro.

Andrea Dworkin descreveu:
“Na prostituição, nenhuma mulher permanece inteira. É impossível usar um corpo humano do modo que os corpos das mulheres são usados em prostituição e ter um ser humano inteiro no fim dela, ou no meio dela, ou perto do começo dela. É impossível. (...) ninguém f**a inteira, porque muito é levado embora quando a invasão é dentro de você, quando a brutalidade é dentro da sua pele”

A vida e a saúde de mulheres e meninas importam. Queremos o fim do ciclo de violência masculina contra mulheres e meninas. Numa ação unif**ada pela abolição da prostituição, as coletivas radicais do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Belo Horizonte convidam vocês a acompanharem as páginas das coletivas e nos ajudarem a expandir esse debate compartilhando os posts diários!

A prostituição é um comércio entre homens. Neste comércio, o corpo feminino é usado como moeda de troca entre homens, es...
26/10/2016

A prostituição é um comércio entre homens. Neste comércio, o corpo feminino é usado como moeda de troca entre homens, estreitando laços de camaradagem - ou broderagem. No capitalismo, a prostituição é a privatização temporária do corpo feminino, e enquanto serviço, é impossivel regular os limites deste uso sexual. É dinheiro em troca de consentimento e silêncio, com a cumplicidade de outro homem, o cafetão. Esta é a essência da prostituição, não podendo, portanto, ser regulada.

As diversas violências cometidas por homens contra mulheres e meninas em situação de prostituição são, em si, a verdadeira natureza da prostituição. Tratar a regra como exceção esvazia politicamente o debate acerca da prostituição e nos impede de enxergar as sólidas estruturas que trabalham para manter a exploração sexual. A prostituição é um projeto misógino que tem agentes (classe masculina) e vítimas (classe feminina).

Participe desta iniciativa! Acompanhe as páginas das coletivas radicais do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Belo Horizonte e nos ajude a fomentar esse debate compartilhando os posts diários!

"O que a prostituição faz numa sociedade de dominação masculina é que ela estabelece uma parte social baixa e não há nen...
25/10/2016

"O que a prostituição faz numa sociedade de dominação masculina é que ela estabelece uma parte social baixa e não há nenhuma parte inferior a esta. É o fundo. Mulheres prostituídas estão todas na parte mais baixa. E todos os homens estão acima dela. Eles podem não estar muito acima, mas até os homens que são prostituídos estão acima da parte inferior, que é formada por mulheres e meninas que são prostituídas. Cada homem nesta sociedade tira proveito do fato de que as mulheres são prostituídas quer cada homem use uma mulher na prostituição ou não.” (DWORKIN, Andrea)

A parte mais baixa onde as mulheres e meninas prostituídas estão alocadas representa uma assimetria social e política com relação à figura masculina. Esta relação desigual de poder é potencializada nos espaços de prostituição, onde as mulheres estão extremamente suscetíveis a violências diversas e não podem contar com proteção alguma. São numerosos os relatos de agressão física, emocional e psicológica por parte não só de aliciadores e “clientes” mas também por parte de policiais, que desacreditam essas mulheres e se aproveitam delas.

Conforme demonstra a Revista Latino-Americana de Enfermagem, uma pesquisa realizada com mulheres prostituídas em Leeds, na Inglaterra, Glasgow e Edimburgo, na Escócia, revelou que pelo menos 30% foram esbofeteadas ou chutadas por um “cliente”. As agressões variam e em última instância resultam em ameaças de morte por arma de fogo e assassinato. Outra ocorrência marcante é o fato de alguns “clientes” se recusarem a cumprir o combinado e obrigarem as mulheres ao intercurso sexual sem o devido pagamento, uma ilustração precisa de como a transação monetária não interfere na realidade dos abusos se***is. Os corpos das mulheres são tomados todas as vezes que os homens quiserem mediante o uso da força e do poder.

Essa violência sistemática contra mulheres e meninas prostituídas é produto da desumanização histórica a qual somos submetidas, uma vez que nossos corpos são compreendidos pela classe masculina como instrumentos de obtenção de recursos, dentre eles a expropriação do s**o feminino.

Numa ação unif**ada contra a exploração sexual de mulheres e meninas na prostituição, as coletivas radicais do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Belo Horizonte defendem o abolicionismo como a única solução possível para as mulheres.

Acompanhe as páginas das coletivas e nos ajude a expandir esse debate compartilhando os posts diários!

Segundo dados da Prostitution Research and Education, 88% das pessoas prostituídas gostariam de sair da prostituição, en...
25/10/2016

Segundo dados da Prostitution Research and Education, 88% das pessoas prostituídas gostariam de sair da prostituição, entre os motivos apontados na pesquisa estão a violência, os riscos e danos à saúde mental. De acordo com a ONU, 75% dessas pessoas são mulheres.

Andrea Dworkin, em Prostituição e Supremacia Maculina, aponta a razão política pela qual as vozes de mulheres prosituídas têm sido abafadas: sabê-lo é chegar mais perto de desfazer o sistema de dominação masculina.
A partir da realidade em que o corpo feminino e a sexualidade feminina são transformados em produto - antes de se discutir "escolha" - questionamos porque a prostituição existe e quais são os mecanismos que a mantêm. Como é criado o “reservatório” de pessoas disponíveis para a violação masculina?

Através da pobreza, o abuso sexual/incesto – forma de “treinamento” para o uso do corpo como objeto - e o desabrigamento como consequência. A impossibilidade de acesso a recursos que as possibilitem viver independentes dos homens. Em geral, circunstâncias às quais mulheres estão submetidas no patriarcado.

"O que eu espero que vocês levem daqui é isto: que todo e qualquer vestígio de hierarquia sexual signif**ará que algumas mulheres em algum lugar estão sendo prostituídas. Se vocês olharem em torno de si e verem a supremacia masculina, vocês sabem que em algum lugar onde vocês não podem ver uma mulher está sendo prostituída, porque toda hierarquia precisa de uma parte mais baixa e a prostituição é a parte mais baixa do domínio masculino." (DWORKIN, Andrea)

As coletivas radicais do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Belo Horizonte, visando o combate à exploração sexual de mulheres e meninas, convida todas a compartilharem as postagens e se juntarem a nós nesta iniciativa!

Segundo estudo realizado pela REME - Revista Mineira de Enfermagem em parceria com a Associação de Prostitutas do Ceará ...
25/10/2016

Segundo estudo realizado pela REME - Revista Mineira de Enfermagem em parceria com a Associação de Prostitutas do Ceará (APROCE), o grau de escolaridade das mulheres prostituídas é baixíssimo. De todas as entrevistadas, nenhuma apresentou nível superior, completo ou incompleto. Essas mulheres são, muitas vezes, excluídas de qualquer processo de ensino, resultando na falta de perspectiva profissional e no não desenvolvimento de qualif**ação para o mercado de trabalho, sendo esse um dos motivos pelos quais são relegadas à prostituição.

A abolição da prostituição sempre foi uma pauta muito cara ao feminismo radical, uma vez que é através do acesso masculino irrestrito aos corpos das mulheres que o patriarcado se estrutura e se mantém. Esse entendimento é fundamental para um combate efetivo a esta mercantilização. É necessário romper com essa lógica e contestar qualquer discurso que tente mascarar a verdadeira natureza da exploração sexual. Nenhum feminismo é possível fora da compreensão de que prostituição é abuso e violência e que, portanto, defendê-la é anti-feminista e também um descompromisso com as mulheres.

De acordo com a deputada francesa Maud Olivier, “dizer que as mulheres têm o direito de se vender é disfarçar o fato de que os homens têm o direito de comprá-las” e é justamente nesse sentido que as coletivas radicais do Rio de Janeiro, Niterói e Belo Horizonte se posicionam terminantemente contra a colonização masculinista dos corpos das mulheres por meio do estupro pago.

Acompanhe nossos posts diários e participe desta iniciativa!

20/10/2016

Nós, feministas radicais da Coletiva (i)ra Feminista (Rio de Janeiro, Brasil), prestamos solidariedade às companheiras argentinas e à família de Lucía Pérez, neste dia 20/10. Compartilhamos da profunda revolta diante deste feminicídio brutal. Por ela, seguiremos juntas, cada vez mais fortes. Lucía não será esquecida, estará presente em nossa luta por todas as mulheres, até que todas sejamos livres. Todo apoio à greve geral! Dia 25/10, terça-feira, nos juntaremos ao ato "Ni una menos". As membras da coletiva poderão ser identif**adas através de uma faixa.

Local e hora serão decididos no evento: https://www.facebook.com/events/1856096718010030/?active_tab=discussion

Nosotras, feministas radicales de la Colectiva (i)ra Feminista (Rio de Janeiro, Brasil), manifestamos solidaridad a las compañeras argentinas y a la familia de Lucía Pérez, en este dia 20/10. Compartimos de profunda revuelta delante de este feminicidio brutal. Por ella, seguiremos juntas, cada vez más fuertes. Lucía no será olvidada, estará presente en nuestra lucha por todas las mujeres, hasta que todas seamos libres. ¡Todo apoyo a la huelga general! Día 25/10, martes, nos juntaremos al acto "Ni una menos". Las miembras de la colectiva podrán ser identif**adas a través de una pancarta.

Local y hora serán decididos en el evento:
https://www.facebook.com/events/1856096718010030/?active_tab=discussion

Tem texto novo no blog da Coletiva!"Nós da (i)ra feminista estamos sempre estudando feminismo radical, sua teoria, histó...
24/07/2016

Tem texto novo no blog da Coletiva!

"Nós da (i)ra feminista estamos sempre estudando feminismo radical, sua teoria, história e prática, e também produzindo teoria e reformulando o necessário para nosso contexto, pois entendemos que é preciso estudar a história das mulheres para transformar a condição de nossa classe. Nossas ações se baseiam no conhecimento que as mulheres produziram e de teoria política no geral, para garantir que não demos passos em falso no caminho para a libertação das mulheres da opressão patriarcal. Este texto que compartilhamos agora tem o intuito de trazer a público um pouco das discussões que fizemos internamente em tempos recentes. Algumas questões mencionadas aqui afetam o movimento feminista desde sua fundação, e muitas mulheres já elaboraram críticas e teorias muito boas sobre elas, mas infelizmente o movimento de libertação das mulheres é marcado, ainda mais que os outros, pelo apagamento e pelo esquecimento. Nosso texto, então, busca retomar o trabalho dessas mulheres e se somar a ele.

Em tempos de crise política, como no Brasil atualmente, surgem muitas respostas para questões constantes em qualquer movimento: Qual a melhor forma de nos organizarmos? Quem vai nos liderar? Qual o melhor método para atingir nossos objetivos? As respostas para essas questões, sem um estudo dedicado de teoria e um olhar voltado para a realidade material da condição da classe, podem nos afastar, em vez de aproximar, do horizonte da libertação. Quando estamos em risco de perder muito, alguns indivíduos ou organizações, priorizando se construir em vez de avançar o movimento, entram em ação por entenderem que apresentar soluções aparentemente fáceis e discursos facilmente assimiláveis, em momentos de crise, é uma boa tática para aumentar seus quadros e aumentar sua relevância. Se nós todas, organizadas ou não, não nos dedicarmos ao estudo revolucionário da teoria e história feministas radicais, corremos o risco de ver nosso movimento cooptado justamente nos momentos de maior necessidade de união e força com foco na transformação radical da sociedade, e acabarmos irremediavelmente assoladas pelo reformismo, pelo sectarismo e outros males."

Nós da (i)ra feminista estamos sempre estudando feminismo radical, sua teoria, história e prática, e também produzindo teoria e reformulando o necessário para nosso contexto, pois entendemos que é …

Endereço

Rio De Janeiro, RJ

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Coletiva Ira Feminista posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Entre Em Contato Com A Organização

Envie uma mensagem para Coletiva Ira Feminista:

Compartilhar